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30 março 2006

Cat's person

... and you?

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25 março 2006

Feelin' pop

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Anos 60, guerra do Vietname, hippies, baby boom, homem na lua, progresso, star-system, Rolling Stones, Woodstock, canal da Mancha, publicidade, mini-saia, Dr. Estranhoamor, The Beatles, movimentos juvenis, pin ups, consumismo em massa, Twiggy, Nouvelle Vague, jeans, rock n´roll, Martin Luther King, manifestações, pílula, morte de Kennedy, Marilyn Monroe, Greenpeace, Cuba, marijuana, make love not war, Elvis Presley, Coca-Cola, ideologias, Maio de 68, ícones, pop art.

12 fevereiro 2006

Universo blog

Anda por aí a mania de contarmos as nossas manias...

... de recortar imagens e palavras, de roer as unhas, de fazer listas, de esmagar o açúcar com a colher, de sublinhar frases nos livros, de deixar tudo para a última, de olhar para os dvds todos antes de escolher um para ver, de observar quem passa, de não andar nos passeios, de coleccionar livros do Peter Pan, de andar sempre apressada, de pedir sempre tudo sem gelo, de beber chá, de não usar relógio, de ver o modelo e a série dos carochas que encontro, de deitar fora a água do yogurte, de não querer furar as orelhas, de recusar e dizer obrigado quando me querem dar publicidade na rua, de fazer colecções, de iniciar e finalizar as conversas no msn com um morcego, de me deitar tarde, de não conseguir adormecer se existir algum ponto de luz...

11 fevereiro 2006

Memória fotográfica

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Decorei aquela imagem. E passava por tantas, todos os dias.

Os meus olhos percorriam a paisagem quando não se perdiam nos carris.

Mas aquela... decorei-a.

Um velhote encostado a uma parede quase em ruínas, onde se lia em letras mal desenhadas:

"Voltarei a ver-te, liberdade".

22 janeiro 2006

Aceno eterno

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Léon Herschtritt, 1961

É daquele tipo de fotografias que perduram pelos anos, sem perder a força. Na imagem a preto e branco vemos o Inverno rigoroso de Berlim dos anos 60, altura em que o Muro dividia a Alemanha, ainda relativamente fresco nas suas fundações.

No cimo de um carro, um casal acena. E se "a fotografia é a única maneira de fazer parar o tempo que passa" (Roger Thérond), então o acenar será eterno.

20 dezembro 2005

Daquelas coisas...

... que me fazem sempre rir!

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10 dezembro 2005

What to expect?

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Strange days
Falling from the trees
Like autumn leafs
Faking diseases.
What to expect?

03 dezembro 2005

Coincidências

Cheguei há pouco a casa. Saí do comboio e resolvi andar a pé os minutos que separam a minha casa da estação. Uma ou outra janela tem a luz acesa, alguém com insónias ou sem vontade de dormir. Na rua corre uma pequena brisa.

A meio do caminho encontro um senhor, já de idade, que varre as folhas. Digo-lhe bom dia. Ele retribui, um pouco admirado primeiro, sorridente depois. Já não estamos habituados a gentilezas.

Chego a casa e o hábito de ligar o computador repete-se. Corro os blogs que tenho nos favoritos. Num deles reparo nos seus próprios favoritos e noto que há um novo blog que não conhecia. Tem o mesmo template do meu. Resolvo espreitar e encontro alguns belos textos. Um deles tem também um velho que varre folhas...

Há descobertas que valem a pena. Agora vou dormir.

De Tanto Bater o Meu Coração Parou - Folhas

02 dezembro 2005

Ditos

Aquelas expressões estranhas. De uso popular. Que todos já ouvimos mas não sabemos como nasceram.

- Dar uma volta ao bilhar grande

- Tirar nabos da púcara

- Sem rei nem roque

- Cruzes, canhoto!

- Onde Judas perdeu as botas

- Mas isto é o da Joana ou quê?

- Seca figueiras

- Não te faças alonsa como a Rita careca

- Mariquinhas pé-de-salsa

- Chico-esperto

- Fica tudo num brinco

Agora só me lembro destas. É da hora. Lembram-se de mais?

28 novembro 2005

Escolhas

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Já dizia um amigo no liceu...

Felicidade é escolher as cores certas e não borrar o desenho.

27 novembro 2005

Recortes de jornal

Adoro recortes. Tenho uma caixa cheia de fotografias, imagens, desenhos, palavras, textos, que recortei de jornais e revistas.

De vez em quando, lá vou desencantar de novo a caixa para lhe acrescentar mais uns e acabo sempre por andar a remexer nos antigos. Às vezes, descubro imagens de que já não me lembrava.

É o caso desta. Quero uma janela assim.


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22 novembro 2005

Cor-de-rosa

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"Há muitos anos, quando Lisboa ainda era povoada por muitos eléctricos amarelos (e sem publicidade… ia eu no 15, de Algés para o Poço do Bispo.

A certa altura, entram três crianças, provavelmente entre os oito e os nove anos… O menino e a menina ajudaram a subir e a encontrar lugar para o outro companheiro, que era cego. Às tantas, no meio da conversa que não apanhei, ouço o cego levantar o tom e perguntar:

- Mas eu não sei como é isso do cor-de-rosa?

Fez-se silêncio. Eu próprio comecei a imaginar uma resposta, senti-me completamente incapaz. Até que a menina fura o silêncio e diz muito entusiasmada:

- É fácil, já comeste gelado? O cor-de-rosa é como o sabor do gelado de morango!"

De A.P.R.

Dedicado à Marta que faz hoje anos.

13 novembro 2005

Daquelas coisas...

... que nos dão gozo.

Um pouco de terra, que escorre entre os dedos.

12 novembro 2005

Little girl lost

Little girl lost
In the deep sea
Has left the fishes
To see Halloween

Lonely widows
Give candies to kids
'Till Dusk turns dawn

Little witches fly away
Burning through
To their potions
In the dark castle.

Para uns, poema com laivos de Tim Burton... para outros, versos de reminiscências de Edgar Allan Poe.

Mas... apenas um poema para o Halloween que só agora foi colocado aqui porque andava perdido no baú.

16 outubro 2005

Momento

Madrugada de Sábado para Domingo... já passa das 4h.

A caminho do Largo de Camões, um senhor de barbas brancas e equilíbrio instável vem ter connosco.

Depois de alguma conversa, pega na minha mão e na do meu amigo, une-as nas suas próprias mãos e diz...

"Enquanto for possível, vale a pena".

11 setembro 2005

Espuma dos dias

Dia após dia
Não anda, arrasta os pés
É uma tristeza diária
Que, mesmo assim,
Vai e vem
Como todas as dores
Mágoas eternas
Que não se desfazem

Eternas na sua firmeza
Serenas no seu marcar

Passo atrás de passo
Olhar desconfiado atrás dos ombros
Cabeça segura apenas nos ombros
Voando nos seus pensamentos
Tristes
Nostálgicos...
Mas com alguma réstia de esperança

É a espuma dos dias

24 fevereiro 2005

E nada mais...

Bom dia, tristeza.

É tudo ossos do ofício.

Modificações, construções, transmutações.

E nada mais.

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11 fevereiro 2005

Histórias de objectos

Conheço um compasso que faz círculos perfeitos. Julga-se original por o fazer.

Eu bem lhe disse que também consigo fazer círculos perfeitos. Mas ele não acredita.

Tive de argumentar n e ele disse-me que errei por completo. É um perfeccionista.

Depois mostrou-me como se faz um círculo perfeito k e eu... eu fiquei sem palavras.

Foi realmente o círculo mais perfeito que já vi.

18 janeiro 2005

O crepúsculo em combustão lenta...

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O crepúsculo em combustão lenta
Entre anjos e

E criaturas novas

A urgência do mundo
que bate o pé

A arte de ser
uma nova estrela

Os hóspedes tão desconhecidos
quanto influentes,
A teia e a aura:
Paralelas que talvez se encontrem.

29 dezembro 2004

Memórias

Uma vida em redor de outras, em prol de outras. Como dizia Alfredo em Cinema Paraíso (1988, Giuseppe Tornatore), "Quando ouvimos daqui, o cinema está cheio, que estão a divertir-se, também ficamos contentes. Dá-nos prazer que as pessoas riam. É como se nós as fizéssemos rir... e as fizéssemos esquecer as suas desgraças".

Na sua casa em Alto dos Gaios, no Estoril, vêm-se, aqui e ali, objectos relacionados com o cinema. Desde cassetes, livros, até inúmeros cartazes, passando por bobines de fitas antigas. São fragmentos de cinema que compõem as recordações de um amante de cinema.
Aos 74 anos, a memória já atraiçoa Renato Viegas. À idade, junta-se o peso das recordações de uma vida dedicada à sétima arte. Nasceu no Bombarral, distrito de Leiria, a 27 de Janeiro de 1929, e desde cedo enveredou nas lides cinematográficas, "Eu fui sempre de cinema", diz confiante. Desde novo, passava as noites no cinema da terra e tornou-se ajudante de projeccionista. "Era um trabalho perigoso! Aquelas fitas que se incendiavam eram um rastilho autêntico!"Antes de se tornar um projeccionista, fez de tudo um pouco: vender copos de água, indicar lugares ou vender os bilhetes. Enfim, tudo o que o pudesse manter próximo do cinema.



A MEMÓRIA DE UM CINEMA

Na década de 50, Renato Viegas não parava num lugar por muito tempo. Como projeccionista percorreu o país inteiro a levar o cinema a todas as localidades possíveis. "Andei com o cinema correndo o país, em todos os sítios onde se podia dar o cinema".
Quando se chegava a uma terra, escolhia-se o local, normalmente uma Casa do Povo, e começava-se a organizar o serão dessa noite. Nas localidades sem electricidade, levava-se uma grande lâmpada que funcionava através de um gerador eléctrico à manivela, "Uma vez um [homem] virou-se e disse que a lâmpada era uma cabaça, daquelas para levar o vinho!", diz sorridente.

As recordações começam então a surgir. São muitas as histórias e as personagens que atravessam a vida de Renato Viegas. Misturado com o sorriso, vem um suspiro. "Lembro-me de uma vez um senhor começar a dizer aos amigos que tinha um gerador igual e que sabia como se desligava. E desligou-o mesmo. Como é claro, gerou-se a confusão com tudo às escuras". Antes da exibição do filme, colocava sempre um disco numa espécie de grafonola que também trabalhava à manivela. As pessoas, pouco habituadas a este tipo de modernices, perguntavam onde estava o artista.

Renato Viegas tem saudades da vida que levou. Nas suas próprias palavras, admite que foi uma vida cheia e sem grandes preocupações, "A única preocupação que tinha era se não aparecesse ninguém e isso [por vezes] aconteceu!". No entanto, era raro não aparecer ninguém. O cinema era considerado uma festa e todos iam assistir às fitas, levando as suas próprias cadeiras e até uma merendinha.
Nunca teve grandes problemas com a censura, embora o Estado Novo não fosse brando com o cinema. O corte e o controlo de títulos e cenas já fazia parte do quotidiano de pessoas como Renato Viegas. Começa a rir-se e lembra-se de mais umas histórias, "Havia uns títulos complicados...".

Os anos passam e, no início da década de 60, Renato Viegas vem para Lisboa. Nesta altura, entra para a Lusomundo, onde trabalha durante cinco anos. Deste emprego, como chefe de programação da Lusomundo, guarda a recordação de um velho amigo, Lauro António [o realizador], "temos, aliás, o mesmo tipo de inglês", confessa.
Quando saiu da Lusomundo, foi para a Intercine, na altura a empresa responsável pela gestão dos cinemas em Portugal. Mais uma vez como chefe de programação, Renato Viegas via os filmes que, na altura, vinham "virgens", sem qualquer informação sobre o tempo de duração. Além disso, tinha a seu cargo a escolha dos filmes a ser exibidos e dos ciclos a realizar.
Durante estes anos, participou também no Festival de Cinema de Setúbal, o Festróia. Mais tarde passou pelos cinemas Quarteto e Oxford, em Cascais, sempre como chefe de programação.



O CINEMA NÃO É O MESMO

Em 1993, no dia em que fez 65 anos, reformou-se. Admite as saudades do cinema, mas também sabe que agora o cinema já não é o mesmo. Aliás, hoje em dia, já não vai muito ao cinema, "as coisas são muito diferentes agora", diz com alguma tristeza. "Antigamente ir ao cinema era uma festa, uma forma de convívio e de encontrar os amigos. Agora não: não se conversa, entra-se ali dentro, sai-se e pronto". Este é um desgosto, mas existem outros, como o facto de nenhum dos dois filhos ter seguido as suas passadas.

Uma simples pergunta torna-se muito complicada de responder quando se é cinéfilo: "Qual é o seu filme preferido?" Depois de colocada, começa uma enumeração, os nomes dos filmes vão surgindo: "Oh! São tantos os filmes que gosto!", esclarece Renato Viegas, "Sei lá... O Padrinho, A Túnica, Ben-Hur, E Tudo o Vento Levou... os grandes clássicos, no fundo!".
Depois vêm novas histórias, como quando saía do trabalho, na Intercine, às 18h, e seguia a pé para o Cais do Sodré. No caminho passava pelo Tivoli, onde estava a ser exibido Música no Coração e, quase todos os dias, não resistia a espreitar um bocadinho.
O discurso volta a ser interrompido com a lembrança dos grandes filmes de Alfred Hitchcock. Depois de tantas histórias, a memória também já desenferrujou um pouco. Outro suspiro. E agora o silêncio, porque as luzes já estão apagadas e o filme vai começar.