
Aconteceu. Pela primeira vez fiquei desiludida com um filme de M. Night Shyamalan. As expectativas eram consideráveis tendo em conta que até hoje gostei de todos os filmes do realizador de Filadélfia. Até The Happening, achei o seu percurso peculiar e corajoso no meio do Cinema actual. O seu olhar, a sua forma de contar histórias, a arte de filmar e de criar ambientes. Quando soube da premissa da história ainda o filme estava a ser filmado, ao ver o primeiro poster, o primeiro trailer, achei realmente que Shyamalan ia voltar a superar-se depois da encantadora fábula de Lady in the Water. No entanto, apesar da premissa que continuo a achar boa, o resultado final é desapontante.
Shyamalan, que continua a dar-nos filmes sobre fé e medo, desilude aqui no lado humano da história. Não sei se por falha do argumento se por falta de direcção de actores, a verdade é que a raros espaços senti uma ligação às personagens. O tom artificial dos actores não ajudou, chegou mesmo a incomodar-me, a distrair-me da história que estava a ser contada. E foi aí que me senti desiludida. Porque o carácter humano das histórias tem sido uma das forças matrizes da filmografia de Shyamalan.
Os melhores momentos do filme são as primeiras cenas no Central Park, que reúnem uma inquietação estranha e os medos e memórias do 11 de Setembro. Também notável é a forma como Shyamalan nos transmite uma sensação de claustrofobia apesar de quase todo o filme se passar a céu aberto, no campo. E depois o facto de, em tempos de exageros tecnológicos, nos fazer sentir outra vez medo do desconhecido. Um agitar de folhas, um restolhar de vegetação, um baloiço que range num braço de árvore. No entanto, estes aspectos positivos não salvam o filme. Além da falta de ligação das personagens, Shyamalan é desastrado na forma pouco subtil como faz passar a mensagem ecológica, nomeadamente através do casal que lhes dá boleia. Um pouco mais conseguida, ainda assim, é a ligação entre o anel das cores e o esquecimento da que representa o amor. Verde. Como a Natureza.