
The Curious Case of Benjamin Button não herda muito do conto que lhe dá nome. Uma história de F. Scott Fitzgerald, escrita nos anos 20, sobre um homem que nasce velho e se torna jovem com o passar dos anos. Essa premissa está no filme de David Fincher que, no entanto, segue outros caminhos para contar esta história. O resultado é um fascinante e tocante filme sobre o passar do tempo. Sobre a essência da vida e da morte e todos os momentos que temos pelo meio. E daquilo que dura para além desse tempo que nos é dado.
Sempre gostei do tempo. Das questões do tempo, das histórias que o contornam, que desafiam os seus limites. Dessa obsessão que nos faz pensar, por vezes, no tic-tac dos relógios e dos segundos, dos momentos que passam e não podem ser repetidos. Como este segundo em que escrevo esta palavras, estas linhas, e que não se pode repetir. Porque não haverá outro segundo igual a este. Admito, por isso, que o meu fascínio por The Curious Case of Benjamin Button passe por todas estas questões. Mas não só. Este é um filme que podia, facilmente, perder-se na sua premissa curiosa. Mas o tom de fábula sobre um homem que vive ao contrário não se perde à medida que conhecemos a sua história. Benjamin Button desde cedo agradece cada ano que vive, depois de lhe terem dito que não viveria muitos. Rodeado de idosos, no lar onde vive, cedo aprende também a lidar com a morte, com a perda daqueles que ama e conhece. E enquanto acompanhamos Benjamim a tornar-se mais jovem na aparência e a amadurecer com experiência de vida, também percebemos como triste pode ser o destino de um homem que nasceu no dia em que um relógio foi criado para trazer o tempo de volta.
Nem todos somos tocados pelas mesmas histórias, pelos mesmos temas. Uma canção, um livro, um filme, uma pessoa, tudo nos toca de forma diferente. A mim, este curioso caso tocou-me. A vida de Benjamin, as pessoas que conheceu, a sua Daisy, os lugares que descobriu, as viagens que fez, numa vida igual a tantas outras, se não fosse aquele tic-tac ao contrário. Mas mesmo nessa lógica, Benjamin procura o que todos procuramos. Aproveitar momentos, fazer escolhas, viver. Essa vontade de viver, porque o tempo nos persegue, seja por que ordem for.