Imagens de filmes e recordações cinéfilas.
31 janeiro 2009
Mode: Edit #47
Imagens de filmes e recordações cinéfilas.
30 janeiro 2009
Milk
Gosto do Gus van Sant experimental e independente. De Elephant, de Gerry, de My Own Private Idaho. O outro não me entusiasma tanto e não suporto mesmo certos projectos que lhe passaram pela carreira. Agora regressou a esse caminho mais mainstream, mas soube trazer consigo a sensibilidade e o olhar que cultivou nos últimos projectos. E Milk torna-se, por isso, um filme equilibrado e interessante. Muito mais acessível do que os filmes que já referi, é um filme que não cai na banalidade, no facilitismo em que tantos outros filmes que se inspiram em vidas reais acabam por cair.
O retrato que Gus van Sant nos faz de Harvey Milk é honesto e comovente. Um homem que aos 40 anos decide que é tempo de mudar, abandonando uma vida confortável para assumir a sua natureza. Um homem que conhece o amor da sua vida, Scotty, e se muda com ele para a Castro Street, em plena São Francisco dos anos 70, sem saber ainda que essa decisão o iria colocar na história. Um homem que não só sai do armário, como transforma essa saída num movimento político espontâneo, que desafia convenções e preconceitos.
Com a ajuda de imagens de arquivo, Gus van Sant sabe manter o tom certo da história que quer contar. Não é Gus van Sant que apela à causa homossexual, que pede aos gays para se assumirem, mas sim Harvey Milk que os recruta numa mistura de razão e coração, enquanto fala de esperança e mudança. Um líder inesperado que chora quando finalmente vence. Estava mais habituado a perder. Mas os méritos não vão só para o realizador e a história que escolheu contar. Para isso, conta com Sean Penn. Confesso que não está entre os meus actores favoritos e até considero que muitas vezes repete o registo, mas aqui Sean Penn é Harvey Milk.
29 janeiro 2009
The Curious Case of Benjamin Button
The Curious Case of Benjamin Button não herda muito do conto que lhe dá nome. Uma história de F. Scott Fitzgerald, escrita nos anos 20, sobre um homem que nasce velho e se torna jovem com o passar dos anos. Essa premissa está no filme de David Fincher que, no entanto, segue outros caminhos para contar esta história. O resultado é um fascinante e tocante filme sobre o passar do tempo. Sobre a essência da vida e da morte e todos os momentos que temos pelo meio. E daquilo que dura para além desse tempo que nos é dado.
Sempre gostei do tempo. Das questões do tempo, das histórias que o contornam, que desafiam os seus limites. Dessa obsessão que nos faz pensar, por vezes, no tic-tac dos relógios e dos segundos, dos momentos que passam e não podem ser repetidos. Como este segundo em que escrevo esta palavras, estas linhas, e que não se pode repetir. Porque não haverá outro segundo igual a este. Admito, por isso, que o meu fascínio por The Curious Case of Benjamin Button passe por todas estas questões. Mas não só. Este é um filme que podia, facilmente, perder-se na sua premissa curiosa. Mas o tom de fábula sobre um homem que vive ao contrário não se perde à medida que conhecemos a sua história. Benjamin Button desde cedo agradece cada ano que vive, depois de lhe terem dito que não viveria muitos. Rodeado de idosos, no lar onde vive, cedo aprende também a lidar com a morte, com a perda daqueles que ama e conhece. E enquanto acompanhamos Benjamim a tornar-se mais jovem na aparência e a amadurecer com experiência de vida, também percebemos como triste pode ser o destino de um homem que nasceu no dia em que um relógio foi criado para trazer o tempo de volta.
Nem todos somos tocados pelas mesmas histórias, pelos mesmos temas. Uma canção, um livro, um filme, uma pessoa, tudo nos toca de forma diferente. A mim, este curioso caso tocou-me. A vida de Benjamin, as pessoas que conheceu, a sua Daisy, os lugares que descobriu, as viagens que fez, numa vida igual a tantas outras, se não fosse aquele tic-tac ao contrário. Mas mesmo nessa lógica, Benjamin procura o que todos procuramos. Aproveitar momentos, fazer escolhas, viver. Essa vontade de viver, porque o tempo nos persegue, seja por que ordem for.
23 janeiro 2009
14 janeiro 2009
Editora por um dia!
10 mulheres. Nem mais nem menos. E do Cinema, claro.
Hoje o belo blog do Miguel veste-se de preto e branco para me receber. A mim só me resta agradecer o convite e a honra.
08 janeiro 2009
07 janeiro 2009
03 janeiro 2009
Notebook 2009
Por ordem de ansiedade, curiosidade ou expectativa...
O notebook de 2008.
Não houve muitas desilusões. Apenas o filme de Miyazaki não estreou (daí a repetição no notebook deste ano). E shame on you, distribuidoras, por não estrearem Be Kind Rewind!
No notebook de 2009 não incluo Vicky Cristina Barcelona, pois vi o filme no Estoril Film Festival.
02 janeiro 2009
Cinemateca 01/09
Alguns sublinhados de Janeiro:
Dia 05 - 19h00 - SOMEBODY UP THERE LIKES ME de Robert Wise
Dia 07 - 19h30 - THE LEFT-HANDED GUN de Arthur Penn
Dia 09 - 21h30 - THE NAKED SPUR de Anthony Mann
Dia 13 - 19h00 - PER UN PUGNO DI DOLLARI de Sergio Leone
Dia 15 - 19h00 - EL ANGEL EXTERMINADOR de Luis Buñuel
Dia 15 - 21h30 - BIRD de Clint Eastwood
Dia 16 - 15h00 - WHITE HUNTER, BLACK HEART de Clint Eastwood
Dia 17 - 15h00 - PEAU D'ÂNE de Jacques Demy
Dia 20 - 19h00 - PER QUALQUE DOLLARI IN PIÚ de Sergio Leone
Dia 21 - 21h30 - MA NUIT CHEZ MAUDE de Eric Rohmer
Dia 24 - 19h00 - LES DEUX ANGLAISES ET LE CONTINENT de François Truffaut
Dia 28 - 19h30 - UNFORGIVEN de Clint Eastwood
Dia 28 - 21h30 - A PERFECT WORLD de Clint Eastwood
31 dezembro 2008
29 dezembro 2008
Vera
Em Detour, Vera gela-nos quando de repente se vira e desfaz o seu perfil.
Se a memória não me falha, até a música se altera nesse momento.
Mulher mais fatal (e fatídica) do que Vera não existiu.
Por isso, triste notícia a deste domingo.
27 dezembro 2008
My white X-mas!
Lá em baixo, sob o mar branco de nevoeiro, encontra-se o Vale da Vilariça e a aldeia dos meus avós.
22 dezembro 2008
20 dezembro 2008
Wall-E
O ano é 2700 e a Terra foi deixada ao abandono. A paisagem é desoladora, há ruínas ao lado de torres intermináveis de lixo. Não há vida, não há verde nem azul. Mas, de repente, no meio desse nada, surge Wall-E.
Há vários séculos que está sozinho, os outros robôs avariaram. E ele continua a tarefa para a qual foi criado, recolher o lixo deixado pelos humanos. Mas tantos anos de solidão transformaram o pequeno robô. Desenvolveu uma consciência e uma personalidade curiosa. Recolhe e colecciona objectos diferentes, tão comuns hoje em dia como um cubo mágico, um isqueiro ou um filme em VHS que vê e revê vezes sem conta, o musical Hello Dolly. Mas esta vida solitária de Wall-E muda com a chegada de um outro robô, EVE. Que foi enviada à Terra para procurar vestígios de vida pelos mesmos humanos que abandonaram o planeta.
O realizador e autor do argumento, Andrew Stanton, imaginou esta história de amor e com uma forte mensagem ecológica ainda nos anos 90. Mas só depois de Toy Story, Monsters, Inc. e Finding Nemo achou que chegara o tempo de Wall-E. Um filme ternurento que nasceu de uma pergunta - E se a humanidade fosse embora e se esquecesse de desligar o último robô?
A Pixar, que coloca sempre a fasquia alta, aqui volta a superar-se. Wall-E é um prodígio não só da animação como da capacidade de contar boas histórias. Enquanto outras produtoras se distraem com a mais recente tecnologia, a Pixar continua a ser a única (a Ghibli está noutro patamar) a saber combinar com mestria a fria tecnologia com o encanto de uma boa narrativa. Quantos seriam, por exemplo, capaz de arriscar, nos dias de hoje, um filme que não tem uma única palavra durante mais de meia-hora? E, ainda por cima, num filme de animação. Poucos, diria eu.
PS - Ao contrário de There Will Be Blood, vi Wall-E quando estreou. Mas, na altura, o blog andava adormecido.
19 dezembro 2008
There Will Be Blood
Haverá sangue neste filme, mas o que jorra antes é o petróleo. Esse sangue da terra, negro e poderoso, que cega os homens. Homens que se perdem para o encontrar. Cujas almas ficam negras e cegas de vida e esperança.
Estamos no início do século 20, na Califórnia, e Daniel Plainview chega a Little Boston. Uma região árida, onde a fé e o trabalho preenchem a vida dos habitantes. Um desses habitantes é Eli Sunday, evangélico e fanático profeta. Entre os dois estabelece-se uma sociedade que cresce à medida que o petróleo surge da terra. Uma sociedade que se torna numa relação obscura, que começa a mudar Daniel, um solitário mineiro transformado agora em magnata do petróleo. E o tempo que passa é corroído pela ambição e pela fé.
Inspirado em “Oil”, um livro publicado em 1927, There Will Be Blood conta como valores que definiram a sociedade e a economia dos Estados Unidos acabaram por ser deturpados pela corrupção, fraude e ganância, aqui personificados por Daniel Plainview. Uma personagem composta por Daniel Day-Lewis, que tem tanto de fascinante como de repulsiva. Num retrato de alguém que se deixa consumir pelo negrume, deixando pelo caminho a sua própria humanidade.
Não é o épico que eu esperava, que me fizeram acreditar ser. Mas Paul Thomas Anderson volta a mostrar porque é um dos maiores realizadores da sua geração. A nível técnico, o filme é intocável. E reforça o caminho que Anderson tem vindo a percorrer, procurando uma narrativa cada vez mais visual. Os diálogos, depurados, são de uma grande força, mas geridos a espaços. Não é por acaso, por exemplo, que os primeiros vinte minutos de There Will Be Blood sejam puramente visuais. Só há uma coisa que não suporto bem neste filme de excessos e demência - a música.
11 dezembro 2008
05 dezembro 2008
02 dezembro 2008
Amor-perfeito
Sugarpuss O'Shea: I love him because he's the kind of guy who gets drunk on a glass of buttermilk, and I love the way he blushes right up over his ears. I love him because he doesn't know how to kiss, the jerk! (...) I love those hick shirts he wears with the boiled cuffs and the way he always has his vest buttoned wrong. He looks like a giraffe, and I love him!
Ball of Fire (Howard Hawks, 1941)
01 dezembro 2008
Cinemateca 12/08
Alguns sublinhados de Dezembro:
Dia 04 - 15h30 - STAGE FRIGHT de Alfred Hitchcock
Dia 10 - 21h30 - THE LETTER de William Wyler
Dia 11 - 19h00 - THE KILLERS de Robert Siodmak
Dia 11 - 21h30 - UNFORGIVEN de Clint Eastwood
Dia 12 - 15h30 - MOGAMBO de John Ford
Dia 13 - 21h30 - IL GATTOPARDO de Luchino Visconti
Dia 16 - 15h30 - HIGH NOON de Fred Zinnermann
Dia 20 - 15h00 - DUMBO de Ben Sharpstein
Dia 20 - 22h00 - LA RÈGLE DU JEU de Jean Renoir
Dia 29 - 21h30 - THE OUTLAW JOSEY WALES de Clint Eastwood
28 novembro 2008
Vicky Cristina Barcelona
Vicky Cristina Barcelona é um filme fresco, é a melhor palavra de que me lembro agora. Fresco. Mas pouco acrescenta à filmografia de Woody Allen que, por terras de Espanha, acabou por perder um pouco a identidade. Há marcas no filme que lhe atribuímos facilmente, como o narrador que nos apresenta as personagens e alguns diálogos de ritmo mais acelerado (e neurótico) de Vicky e Cristina. E Woody continua a ser um mestre das palavras e das situações. Mas o seu olhar parece perdido nas cores de Gaudí e Miró. Fez-me sentir saudades de Nova Iorque.
Em Barcelona, temos Vicky e Cristina. Duas amigas que desembarcam num Verão castelhano com objectivos diferentes. Aliás, não podiam ser mais diferentes. Vicky apresenta-se como uma mulher que gosta de ter os pés assentes na terra, correr poucos riscos. Tem o futuro desenhado num futuro casamento confortável e uma vida organizada. Cristina é uma sonhadora insatisfeita. Não sabe o que quer, apenas o que não quer. Vive a vida e o amor sem rede, à espera de ser arrebatada. Uma noite conhecem Juan Antonio, um pintor espanhol com fama de sedutor problemático. E páro por aqui. Para não contar o filme a ninguém. O que se segue são desventuras amorosas, dúvidas existenciais, humor e Maria Elena. A intempestuosa e sedutora ex-mulher de Juan Antonio que aparece na história e rouba o filme só para ela.
Num tom literário, Woody explora os sentimentos, pensamentos, dúvidas e devaneios destas personagens, divididas entre a razão e o coração. Quase vemos, no bom sentido, as letras do texto a serem ditas pelos actores. Não é um Woody vintage, como já o disse antes, mas um aperitivo saboroso. E parece que Woody, afinal, também já tem saudades da sua cidade.
















































