Haverá sangue neste filme, mas o que jorra antes é o petróleo. Esse sangue da terra, negro e poderoso, que cega os homens. Homens que se perdem para o encontrar. Cujas almas ficam negras e cegas de vida e esperança.
Estamos no início do século 20, na Califórnia, e Daniel Plainview chega a Little Boston. Uma região árida, onde a fé e o trabalho preenchem a vida dos habitantes. Um desses habitantes é Eli Sunday, evangélico e fanático profeta. Entre os dois estabelece-se uma sociedade que cresce à medida que o petróleo surge da terra. Uma sociedade que se torna numa relação obscura, que começa a mudar Daniel, um solitário mineiro transformado agora em magnata do petróleo. E o tempo que passa é corroído pela ambição e pela fé.
Inspirado em “Oil”, um livro publicado em 1927, There Will Be Blood conta como valores que definiram a sociedade e a economia dos Estados Unidos acabaram por ser deturpados pela corrupção, fraude e ganância, aqui personificados por Daniel Plainview. Uma personagem composta por Daniel Day-Lewis, que tem tanto de fascinante como de repulsiva. Num retrato de alguém que se deixa consumir pelo negrume, deixando pelo caminho a sua própria humanidade.
Não é o épico que eu esperava, que me fizeram acreditar ser. Mas Paul Thomas Anderson volta a mostrar porque é um dos maiores realizadores da sua geração. A nível técnico, o filme é intocável. E reforça o caminho que Anderson tem vindo a percorrer, procurando uma narrativa cada vez mais visual. Os diálogos, depurados, são de uma grande força, mas geridos a espaços. Não é por acaso, por exemplo, que os primeiros vinte minutos de There Will Be Blood sejam puramente visuais. Só há uma coisa que não suporto bem neste filme de excessos e demência - a música.
19 dezembro 2008
There Will Be Blood
11 dezembro 2008
05 dezembro 2008
02 dezembro 2008
Amor-perfeito
Sugarpuss O'Shea: I love him because he's the kind of guy who gets drunk on a glass of buttermilk, and I love the way he blushes right up over his ears. I love him because he doesn't know how to kiss, the jerk! (...) I love those hick shirts he wears with the boiled cuffs and the way he always has his vest buttoned wrong. He looks like a giraffe, and I love him!
Ball of Fire (Howard Hawks, 1941)
01 dezembro 2008
Cinemateca 12/08
Alguns sublinhados de Dezembro:
Dia 04 - 15h30 - STAGE FRIGHT de Alfred Hitchcock
Dia 10 - 21h30 - THE LETTER de William Wyler
Dia 11 - 19h00 - THE KILLERS de Robert Siodmak
Dia 11 - 21h30 - UNFORGIVEN de Clint Eastwood
Dia 12 - 15h30 - MOGAMBO de John Ford
Dia 13 - 21h30 - IL GATTOPARDO de Luchino Visconti
Dia 16 - 15h30 - HIGH NOON de Fred Zinnermann
Dia 20 - 15h00 - DUMBO de Ben Sharpstein
Dia 20 - 22h00 - LA RÈGLE DU JEU de Jean Renoir
Dia 29 - 21h30 - THE OUTLAW JOSEY WALES de Clint Eastwood
28 novembro 2008
Vicky Cristina Barcelona
Vicky Cristina Barcelona é um filme fresco, é a melhor palavra de que me lembro agora. Fresco. Mas pouco acrescenta à filmografia de Woody Allen que, por terras de Espanha, acabou por perder um pouco a identidade. Há marcas no filme que lhe atribuímos facilmente, como o narrador que nos apresenta as personagens e alguns diálogos de ritmo mais acelerado (e neurótico) de Vicky e Cristina. E Woody continua a ser um mestre das palavras e das situações. Mas o seu olhar parece perdido nas cores de Gaudí e Miró. Fez-me sentir saudades de Nova Iorque.
Em Barcelona, temos Vicky e Cristina. Duas amigas que desembarcam num Verão castelhano com objectivos diferentes. Aliás, não podiam ser mais diferentes. Vicky apresenta-se como uma mulher que gosta de ter os pés assentes na terra, correr poucos riscos. Tem o futuro desenhado num futuro casamento confortável e uma vida organizada. Cristina é uma sonhadora insatisfeita. Não sabe o que quer, apenas o que não quer. Vive a vida e o amor sem rede, à espera de ser arrebatada. Uma noite conhecem Juan Antonio, um pintor espanhol com fama de sedutor problemático. E páro por aqui. Para não contar o filme a ninguém. O que se segue são desventuras amorosas, dúvidas existenciais, humor e Maria Elena. A intempestuosa e sedutora ex-mulher de Juan Antonio que aparece na história e rouba o filme só para ela.
Num tom literário, Woody explora os sentimentos, pensamentos, dúvidas e devaneios destas personagens, divididas entre a razão e o coração. Quase vemos, no bom sentido, as letras do texto a serem ditas pelos actores. Não é um Woody vintage, como já o disse antes, mas um aperitivo saboroso. E parece que Woody, afinal, também já tem saudades da sua cidade.














