13 novembro 2008

Blindness

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"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

Ensaio Sobre a Cegueira não teve um caminho fácil entre as palavras e as imagens. Durante anos, José Saramago recusou ceder os direitos de um livro que se tornou um dos seus maiores sucessos. Durante anos, as únicas imagens seriam as que cada leitor criasse na imaginação. mas um dia, Don McKellar, argumentista, e Niv Fichmann, produtor, bateram à porta do escritor. E Saramago, confessa o próprio, simpatizou e cedeu-lhes Ensaio Sobre a Cegueira.

O livro (e o filme) conta a história de uma misteriosa cegueira branca. Uma parábola sobre a crise de valores da sociedade actual e o desmoronar completo de uma civilização. Não há aqui identificação de cidades, lugares, países. Nem sequer as personagens têm um nome. Ao primeiro homem a cegar, Saramago chamou-lhe o primeiro cego. O primeiro a ser atingido pelo mal branco.

Segue-se o médico que o examinou. E, aos poucos, todos cegam. À medida que isso acontece e que os afectados são colocados em quarentena, em condições desumanas, depressa as regras começam a desaparecer, dando lugar ao caos e desordem. É verdade que o livro e o filme são violentos, diz Saramago. Não o quis assim, mas a violência é uma consequência lógica perante a situação que é criada. Numa sociedade organizada em função da vista, quando esta se perde, vai tudo abaixo. Somos capazes do melhor e do pior, acrescenta o escritor. Principalmente do pior.

Na desordem e no caos, apenas uma pessoa vê o que se passa. A mulher do médico. É a única que não foi afectada pela cegueira branca, mas também lhe cabe, a ela, observar o degradar da civilização. Filme e livro sublinham a mesma ideia que, aliás, está escrita na contracapa da obra: "Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara." O caminho mais fácil é a indiferença. O encolher de ombros, o desviar de olhar. Mas também há esperança na desordem de Ensaio Sobre a Cegueira. Quando nos mostra a humanidade dos que são obrigados a confiar nos outros para sobreviver. Daqueles que tentam, no meio do caos, manter a dignidade.

Apesar de não considerar o esforço de Fernando Meirelles, o realizador, uma obra-prima, também não lhe fiquei indiferente. A obra, o tema, o que mexe connosco, o que custa a ver, tudo isso é demasiado para fechar, simplesmente, os olhos.

11 novembro 2008

Think pink!

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Maggie: Girls, girls, girls, girls... [Ripping off bits of pink material she has taken from the shelf, giving them to each secretary]... listen: take this to all the designers! I want dresses made up in exactly this shade of pink!

Babs: take this round to Kaiser Delmont, I want shoes and stockings in exactly this colour!

Laura: everything goes pink! I want the whole issue pink! I want the whole country pink!

Lettie: take an editorial: [dramatically] 'To the women of America...' - no, make it to the women everywhere: 'banish the black, burn the blue, and bury the beige! From now on girls... Think pink!

Funny Face (Stanley Donen, 1957)

10 novembro 2008

(I)lógica visual #15

Mais uma vez, os posters voltam a ser (muito) superiores ao design da edição em DVD.

Não aprendem?


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07 novembro 2008

Para a Cláudia Limão...

... da Cláudia Blues. A propósito desta conversa.

muitas, mas aqui só estão as da minha memória cinéfila mais imediata.

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Monica Vitti, em L'Avventura (1960)

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Claudia Cardinale, em Fellini's 8½ (1963)

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Kirsten Dunst, em Interview with the Vampire (1994)

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Sigourney Weaver, em Snow White: A Tale of Terror (1997)

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Melora Walters, em Magnolia (1999)

06 novembro 2008

007 - Quantum of Solace

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Nunca tinha visto um James Bond tão amargurado.
Mas tanto se podia chamar James Bond como ter outro nome qualquer.

Gosto do modernizar do personagem.
Mas tenho saudades do seu charme.

05 novembro 2008

O wb não fala de política, mas...

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... também não passa ao lado da História quando ela acontece!

(Imagem roubada ao Miguel.)

03 novembro 2008

P.

Tinha os mais belos olhos azuis do Cinema. Que também eram risonhos. Um ar íntegro. De beleza clássica. Era um menino de Ohio. Mas foi para Nova Iorque. E tornou-se um símbolo do Actor’s Studio. Seguiram-se mais de 70 filmes em cinco décadas de carreira. Foi muitas vezes o carismático anti-herói. Ou o rebelde. Apesar do ar. Ou por causa dele. Foi Luke. Cool Hand. Foi Butch, Rocky, Brick. Também foi Eddie. Fast Eddie. Conheceu o amor da sua vida nos anos 50. Ela também actriz. Partilharam a vida e o ecrã. Dez filmes no total. Outra paixão foram as corridas. Dizia que não havia nada como o som de um motor V-8. Participou nas 24 horas do Le Mans. Terminou no segundo lugar. Liberal nas convicções políticas. Fez parte da lista de inimigos de Nixon. Durante o Watergate. Dizia que um homem sem inimigos era um homem sem carácter. Era solidário. E generoso. Ganhou um Óscar depois da Academia lhe ter dado o prémio de carreira. Ainda não estava preparado para deixar o Cinema. Esses adeus aconteceria em 2007. Por sentir que já não podia dar à Sétima Arte tudo o que gostaria. Alguns anos antes também deixou um epitáfio. Desapareceria no dia em que os seus olhos ficassem castanhos. Já vos disse que ele tinha os mais belos olhos azuis do Cinema?

01 novembro 2008

Cinemateca 11/08

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Alguns sublinhados de Novembro:

Dia 08 - 19h00 - LE NOTTI BIANCHE de Luchino Visconti
Dia 12 - 19h00 - BIG TROUBLE IN LITTLE CHINA de John Carpenter
Dia 17 - 15h30 - THE POSTMAN ALWAYS RINGS TWICE de Tay Garnett
Dia 17 - 22h00 - ESCAPE FROM NEW YORK de John Carpenter
Dia 19 - 15h30 - BELL, BOOK AND CANDLE de Richard Quine
Dia 20 - 15h30 - LA VERITÉ de Henri-Georges Clouzot
Dia 21 - 15h30 - THE BAD AND THE BEAUTIFUL de Vincente Minnelli
Dia 22 - 21h30 - THE RIVER de Jean Renoir
Dia 25 - 22h00 - VALE ABRAÃO de Manoel de Oliveira
Dia 29 - 15h30 - I SHOT JESSE JAMES de Samuel Fueller
Dia 29 - 21h30 - YOU AND ME de Fritz Lang