21 abril 2008

The Darjeeling Limited

Photobucket

Quando, há uns anos, entrei numa sala de cinema lisboeta para ver The Tenenbaums desconhecia por completo o nome de Wes Anderson. Mas, aos primeiros minutos, fui seduzida por uma família disfuncional, apresentada em capítulos. Wes Anderson virava as páginas do seu livro imaginário e mostrava-se senhor de um universo único. Pleno de pormenores visuais, de gags repetidos, de personagens que tinham tanto de bizarria como de ternura. Um universo habitado pelo pouco convencional, situado num tempo e espaço muito próprios. Porque a Nova Iorque dos Tenenbaums é uma cidade diferente, tal como a Índia dos Whitman nos parece perdida no tempo. Quase parada, arriscaria, caso não fosse o ritmo marcado por um comboio muito particular. The Darjeeling Limited.

É nesse comboio, que podia ter o nome de Belafonte, que os irmãos Whitman se (re)encontram, um ano após a morte do pai, para embarcarem numa viagem espiritual e de auto-descoberta pela mítica Índia. Um cenário que pode ser diferente das anteriores viagens de Wes Anderson, mas que nos leva ao mesmo local. Tenenbaum, Zissou, Whitman, nomes diferentes para os mesmos seres disfuncionais. Num filme que quer ser sentido, porque todo ele é emoção.

Aqui, neste filme que foi beber inspiração a The River, mantém-se ainda outra das particularidades que me atraem no mundo de Anderson. O pouco. O muito que se diz com quase nada. Um gag que se repete - aquelas malas, aquele cinto. As metáforas visuais. Os silêncios e tudo o que não passa pelos diálogos imensos. E depois há a música que acompanha este track movie (road movie?), enriquecida por The Kinks ou as melodias de clássicos do cinema indiano e de um realizador que ainda não descobri, Satyajit Ray.

19 abril 2008

Mode: Repeat #15

Photobucket

(Primeiro, cliquem na imagem para ouvir a música. Depois, se não ficarem por lá perdidos podem voltar aqui.)

Na América que tinha deixado para trás muitos anos antes, Nina Simone subiu de novo a um palco de Nova Iorque para dar um concerto ao vivo.

Tinha um vestido africano, azul claro. Abanava os braços no ar e pairava quase em desequilibrio. Entre outros, cantou o tema de Bob Dylan "Just Like a Woman" e logo a seguir ao verso "... but she breaks just like a little girl" disse, na voz grave que a caracterizava, "I'm not a little girl".

Tinha na altura 67 anos, longe iam os tempos de meninice, quando ainda respondia pelo nome de Eunice Waymon. A sexta de oito filhos, quatro raparigas e o mesmo número de rapazes. Só aos 21 anos se tornou Nina Simone. Nina, de pequena, o nome dado por um antigo namorado. E Simone, de Simone Signoret, uma actriz francesa de quem gostava muito.

Senhora de um talento imenso. Cheia de luta e de vida. Para mim, a voz.

17 abril 2008

Amelia

Photobucket

Hillary Swank vai ser Amelia Earhart no cinema. O filme conta a história desta pioneira da aviação que foi a primeira mulher a atravessar sozinha o Oceano Atlântico.

Amelia Earhart foi também a primeira mulher a receber a "The Distinguished Flying Cross" e estabeleceu vários recordes. Acabaria por desaparecer a 2 de Julho de 1937, no meio do Oceano Pacífico, enquanto tentava realizar a volta ao mundo.

Amelia, o nome do filme, será realizado por Mira Nair. Além de Hillary Swank, o elenco conta com a presença de Richard Gere que interpreta o marido de Amelia Earhart.

AFP 4 - 16-04-2008 17:07:00 - USA-cinéma-people-Swank-Gere

Instantes

Photobucket

La meglio gioventù (Marco Tullio Giordana, 2003)

15 abril 2008

Claudia

Photobucket

Guido: No, that's how it begins. Then he meets a girl at the springs. She gives him water to heal him. She's beautiful... young, yet ancient... child, yet already a woman... authentic, complete. It's obvious that she could be his salvation. [Looks over at Claudia] - 8 1/2 (Federico Fellini, 1963)

Don Fabrizio: [to Angelica] You own everything to yourself. No one can resist your beauty. - Il Gattopardo (Luchino Visconti, 1963)

Cheyenne: [to Jill] You know what? If I was you, I'd go down there and give those boys a drink. Can't imagine how happy it makes a man to see a woman like you. Just to look at her. And if one of them should pat your behind, just make believe it's nothing. They earned it. - Once Upon a Time in the West (Sergio Leone, 1968)

À Claudia, que faz hoje 70 anos. 50 de carreira. Outros tantos a fazer sonhar, como uma das últimas estrelas de um Cinema que não há mais.

14 abril 2008

Juno

Photobucket

Comédia que chega do circuito independente, Juno é a história de uma gravidez inesperada. Com apenas 16 anos, Juno sabe que não está preparada para ser mãe. Por isso, resolve dar o seu filho (ainda por nascer) a Mark e Vanessa, um casal infértil. Temas que, à partida, seriam complicados mas que o filme sabe contornar, escapando aos clichés do género, sem moralismos desnecessários. Repleto de diálogos palavrosos e "espontâneos", o filme é também uma história de crescimento. De como Juno se vê confrontada com decisões que exigem maturidade e se descobre a si própria. Porque a Juno que conhecemos no início não é a mesma rapariga que encontramos no final.

Quando o filme começou a ganhar popularidade, cedo surgiram as comparações a Little Miss Sunshine. Entende-se porquê (embora prefira a família disfuncional da carrinha amarela). Filmes independentes, visões originais de temas complicados, uma coolness contagiante e bandas sonoras escolhidas a dedo. Mas, apesar de ter gostado de ambos, não deixo de sentir alguma sobrevalorização. Principalmente em Juno que, por vezes, exagera na tal coolness, ansiando pela diferença e originalidade, descurando alguma da naturalidade que gostamos de ver nestas personagens.

Ainda assim, Juno é de uma frescura que sabe bem. Um feel good movie que Ellen Page interpreta com graça e inteligência. "I'm a planet", grita a certa altura, e não podia estar mais certa.

13 abril 2008

L.

O seu nome verdadeiro não tinha qualquer glamour. Mas os mais próximos continuaram a usá-lo. Ao nome artístico acrescentou um L. Nova-iorquina. Metade romena. Muito alta e elegante. Com um olhar cheio de impertinência. Um nariz de ar altivo. E uma voz grave. Muito grave. Queria ser bailarina. Começou como modelo. Uma fotografia levou-a a um casting que lhe mudou a vida. No cinema, porque se criou um mito. Nunca uma mulher segurou um cigarro assim. No amor, porque conheceu outro mito. Dividiu quatro filmes com esse amor. Que fariam as delícias dos fãs. Grande amiga de Katherine Hepburn. E de Gregory Peck. Pertenceu ao original rat pack. Foi Margo, mas no teatro. No cinema o papel coube a Bette Davis. Apenas foi nomeada uma vez ao Óscar. Mas venceu outros prémios. Estava no mesmo prédio de John Lennon quando o Beatle foi atingido. E ouviu o tiro. É prima de Shimon Peres. Venceu o National Book Award com a sua autobiografia. Continua a representar. Diz que não vai parar enquanto tiver saúde. Considera que a maioria dos actores actuais só quer a fama. E que as actrizes são todas iguais. Nem as consegue distinguir. Afirma que esta é uma Era onde não há verdadeiras estrelas. Só deixou de fumar nos anos 80. Mas o cigarro ficou-lhe fixado entre os dedos na história do Cinema. Colocou um apito de ouro no caixão do seu amor. Os cinéfilos sabem porquê.

10 abril 2008

Génio

Photobucket

Rita: [on why she divorced Orson Welles] "I can't take his genius any more".