14 janeiro 2008

Mode: Edit #38

Fotogramas escolhidos a dedo. Puras coincidências... ou talvez não.

Imagens de filmes e recordações cinéfilas.

Bringing Up Baby (Howard Hawks, 1938)

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Hatari! (Howard Hawks, 1962)

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12 janeiro 2008

In the Bedroom

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And a verse of a Lapland song
Is haunting my memory still:
"A boy's will is the wind's will,
And the thoughts of youth are long, long thoughts."


My Lost Youth - Henry Wadsworth Longfellow

Quando em Portugal se traduziu In the Bedroom por Vidas Privadas, o sentido perdeu-se. Porque se transformou a metáfora numa generalização, num nome que podia pertencer a tantos outros filmes. Porque In the Bedroom é a metáfora que nos é mostrada a certa altura no filme de Todd Field, entre lagostas e sabedoria popular.

In the Bedroom é baseado num pequeno conto de 15 páginas de Andre Dubus, chamado Killings. Todd Field tem a mestria de nos apresentar as suas personagens sem nos deixar indícios do que vai acontecer. Ainda assim, quando nos primeiros planos vemos paisagens suaves e carícias de Verão, a nossa curiosidade sobre o que se vai passar a seguir já existe. Mas ainda nada sabemos sobre o drama, sobre o silêncio que se contém, sobre as palavras gritadas em surdina.

O que nos toca em In the Bedroom é a sua (aparente) simplicidade. São pessoas reais que o compõem, habitantes de uma localidade no Maine, entregues às suas vidas. A câmara de Todd Field mantem-se numa cuidadosa distância, como se não quisesse perturbar o que observa. E é por isso que, quando tudo acontece, embora não inesperadamente, nos sentimos de mãos atadas. Porque pressentimos o perigo e não pudemos fazer nada para o evitar na nossa condição de observadores. Mas é justamente quando tudo acontece que o filme vai mais longe. Quando se encontram os verdadeiros protagonistas desta história, os que ficam.

Os pais, até àquele momento, observadores como nós, são agora retrato de uma dor que não é dita, perdidos num frágil equilíbrio. Não consigo imaginar a dor de perder um filho, como se compensa uma perda assim, onde depositámos todo o nosso futuro, os nossos sonhos. Como se encontra tranquilidade para o que nos surge na mente e não conseguimos dizer. Em In the Bedroom, procura-se apaziguar essa dor pela vingança, numa redenção que não é possível. Porque quando voltamos ao quarto, não é tranquilidade que ali existe. Ali ainda mora a dor, o vazio, o silêncio contido.

PS - Vi o filme pela primeira vez ontem. Lembro-me bem das boas críticas quando estreou, mas foi-me escapando.

10 janeiro 2008

M

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Ainda sobre as premonições de Lang. Dois anos depois de Frau im Mond (1929), Fritz Lang rodou M e também aqui foi pioneiro. E nem falo da crítica social que marcou vários dos seus filmes posteriores, uma crítica do mundo social nas suas leis e nas suas convenções, uma crítica a um sistema e à própria civilização. Nem da forma genial como na época do aparecimento das palavras no Cinema, Fritz Lang soube conter-se e dar-nos o som mais forte de todos, o silêncio. Outro aspecto pioneiro em M é a exploração da investigação policial e dos seus métodos. Lang foi um dos primeiros a mostrar técnicas de pesquisa, laboratórios policiais, análise de impressões digitais e investigações nos locais dos crimes. Em todas estas cenas, há uma fundamental - a cena em que uma enorme impressão digital é projectada num ecrã.

Fritz Lang já tinha abordado a pesquisa policial no seu filme Spione (1928) e voltou a utilizar projecções semelhantes em outros filmes, como o uso do microfilme em Ministry of Fear (1944). Em M, a maioria da informação dada é baseada em casos policiais verdadeiros e métodos de investigação utilizados na altura pelas forças da polícia e detectives. No entanto, é também relevante realçar que, apesar de todos esses meios, Lang nos mostra que a organização criminosa acaba por se revelar bastante mais eficaz.

08 janeiro 2008

03 janeiro 2008

Cinemateca 01/08

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Alguns sublinhados de Janeiro:

Dia 03 - 19h00 - BLACK NARCISSUS de Michael Powell e Emeric Pressburger
Dia 04 - 15h30 - SUDDENLY LAST SUMMER de Joseph L. Mankiewicz
Dia 04 - 22h00 - THE CLOCK de Vincente Minnelli
Dia 10 - 21h30 - VAMPYR de Carl Th. Dreyer
Dia 14 - 19h00 - THE SEARCHERS de John Ford
Dia 16 - 15h30 - BROKEN BLOSSOMS de D.W. Griffith
Dia 16 - 19h00 - THE QUIET MAN de John Ford
Dia 19 - 15h30 - RUN FOR COVER de Nicholas Ray
Dia 23 - 15h30 - GILDA de Charles Vidor
Dia 23 - 21h30 - CLASH BY NIGHT de Fritz Lang
Dia 24 - 22h00 - PERSONA de Ingmar Bergman
Dia 26 - 19h00 - THE FOUR HORSEMEN OF THE APOCALYPSE de Vincente Minnelli
Dia 26 - 22h00 - MAUVAISE GRAINE de Billy Wilder
Dia 28 - 15h30 - THE WIND de Victor Sjöström

Balanço Dezembro - 1 (Lola de Jacques Demy)

02 janeiro 2008

Cinema 2007 - Festivais

Os melhores

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Paprika (Satoshi Kon) - Fantasporto

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Den Brysomme mannen (Jens Lien) - Fantasporto

Os piores

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Youth Without Youth (Francis Ford Coppola) - European Film Festival

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Angel (François Ozon) - Festival Indie

Notebook 2008

Por ordem de ansiedade, curiosidade ou expectativa...

01 janeiro 2008

Cinema 2007

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Costuma ser um top 10, mas achei um ano particularmente fraco e também admito que ficou muito Cinema por ver. Aqui estão os filmes de que mais gostei em 2007:

01. Letters From Iwo Jima (Clint Eastwood)
02. Eastern Promises (David Cronenberg)
03. Little Children (Todd Field)
04. Paranoid Park (Gus van Sant)
05. Zodiac (David Fincher)

A desilusão:

INLAND EMPIRE (David Lynch)

Alguns que provavelmente estariam na lista se os já tivesse visto:

The Good German (George Clooney), The Good Shepard (Robert de Niro), Honor de Cavalleria (Albert Serra), The Fontain (Darren Aronofsky), Climas (Nuri Bilge Ceylan), Still Life (Zhang Ke Jia), O Capacete Dourado (Jorge Cramez), American Gangster (Ridley Scott), Control (Anton Corbijn), Luzes no Crepúsculo (Aki Kaurismäki), Redacted (Brian de Palma) e As Vidas dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck).