Imagens de filmes e recordações cinéfilas.
Desta vez, o olho clínico é do Shivers do A Cinematic Vision!
Soube a pouco.
A conferência de imprensa durou menos de meia hora. A master class pouco mais de uma.
Ainda assim, uma experiência única. Não é todos os dias que podemos ver, de perto, um realizador de culto. E falar com ele.
E ela também, a voz única de Twin Peaks.
Ainda Sweeney Tood está por estrear e The Spook's Apprentice apenas anunciado, mas Tim Burton não pára e tem mais dois projectos. O cineasta volta a dar as mãos à Disney para realizar dois filmes em 3D, Alice in Wonderland e Frankenweenie.
Para o primeiro, está prevista a combinação de performance-capture imagery com live-action footage. A produção deve arrancar em Maio do próximo ano e o argumento, baseado no livro de Lewis Carroll, está a cargo de Linda Woolverton (The Lion King, Beauty and the Beast).
Depois de Alice in Wonderland, Tim Burton volta a Frankenweenie, uma obra que criou em 1984. Desta vez, o filme vai ser filmado em stop-motion animation e lançado em 3D, à semelhança do que aconteceu com The Nightmare Before Christmas.
Mais pormenores aqui.
Este sábado, no Centro de Congressos do Estoril, às 14h00.
Na véspera, foram anunciados os vencedores do European Film Festival.
O filme Tussenstand, do cineasta holandês Mijke de Jong, foi o vencedor. O segundo prémio foi atribuído a Yumurta, do cineasta turco Semih Kaplanoglu. O júri decidiu ainda distinguir com um Prémio Especial a longa-metragem Sügisball, do realizador Veiko Öunpuu, da Estónia.
O European Film Festival, no Estoril, encerra com chave de ouro. David Lynch vai estar na cerimónia de encerramento do festival de Cinema, na próxima sexta-feira e, no sábado, vai dar uma master class sobre meditação transcendental. Sim, leram bem.
O realizador é um dos homenageados desta primeira edição do festival. Ao longo da semana tem sido feita uma retrospectiva integral dos seus filmes, dos trabalhos que realizou para televisão e também da série de culto Twin Peaks.
Além de David Lynch, estão confirmadas as presenças de Julee Cruise, que vai dar um concerto esta quinta-feira à noite, e Laura Harring, actriz do filme Mulholland Drive. Também estava prevista a presença de Sheryl Lee, a eterna Laura Palmer, mas a actriz cancelou por motivos de saúde.
Todos os pormenores e horários no site oficial do festival.
Pode haver spoilers.
Não fui ver Eastern Promises de mente tranquila. Este tem sido um ano cinematográfico mediano e de desilusões, por isso acalmei as expectativas em relação à última obra de David Cronenberg. Mas o que o trailer prometia, o filme cumpre. E supera.
Eastern Promises é um filme cru, brutal, quase visceral, mas de uma inesperada humanidade. Marcado pelos tons vermelhos que invadem os planos, sejam vermelhos de sangue, de um vestido de menina ou de um restaurante que funciona como microcosmos, esta é uma obra desconfortável. Há um corte hesitante de uma garganta, logo a seguir uma jovem sangra no chão de uma pequena mercearia. E assim, a frio, entramos no universo da máfia russa. Há tatuagens que são livros de vida, rituais, lutas de corpos em que sentimos cada murro, cada golpe desferido. Aquele mundo é violento, os laços que o unem são os da tradição, do nome a defender, da honra.
É neste mundo que entra, incauta, Anna. Ela trabalha no hospital onde dá entrada a jovem que sangra. Que, ao morrer, deixa para trás um bebé e um diário. Para encontrar a família da jovem, Anna procura traduzir o diário, escrito em russo, e bate à porta do restaurante de Semyon, onde se escondem os segredos da máfia russa de Londres. Sem querer revelar muito mais sobre a história, porque é um filme que merece a descoberta, posso dizer que Eastern Promises não é apenas um retrato dos rituais de que falei, mas também das teias desta máfia que se entranha no desespero de quem procura uma vida melhor.
Marcado pelas boas interpretações, Viggo Mortensen merece o destaque. Quando ele diz a Anna "Valor sentimental? Já ouvi falar disso.", acreditamos que não há ali qualquer emoção. Viggo enche o ecrã com a sua altivez, a sua frieza e a sua ambiguidade. O seu Nikolai é uma das das suas melhores interpretações de sempre.
Podia continuar a escrever sobre esta obra perturbante, negra e vermelha, de surpresas escondidas. Da sequência da sauna. Ou de como fazemos a madeira chorar. Mas resta-me, por agora, agradecer a Cronenberg por quebrar a mediania. Embora Eastern Promises seja um bom filme em qualquer ano.