Imagens de filmes e recordações cinéfilas.

From Dusk Till Dawn (Robert Rodriguez, 1996)

Jackie Brown (Quentin Tarantino, 1997)

Kill Bill: Vol. 1 (Quentin Tarantino, 2003)

Death Proof (Quentin Tarantino, 2007)






E foi de pura magia.
A voz que nos habituámos a ouvir em histórias cantadas, em versos de vidas. A postura em palco. A simpatia que não soa forçada. A inteligência de não tentar falar português só para agradar. Um sorriso que parece estranho porque ela costuma soar triste, melancólica.
Não ouvi Mr. Harris, mas tive Momentum - a minha música preferida de Magnolia. Foi uma bela surpresa, pois não costuma fazer parte do repertório. E também um belo «momentum» de desarmante naturalidade quando todos se enganam ao fim dos primeiros versos. Aimee ri e lembra o público que a música não estava bem ensaiada.
1... 2... 3... 4... começam os acordes de novo.
Dois encores. Volta mais vezes!
PS - Basta clicar na fotografia para ver Momentum! Obrigado à Helena pelas fotografias e ao Nuno pelo vídeo!
Ia esperar pelo trailer para colocar aqui o poster... mas o Francisco antecipou-se!
Trata-se do novo filme de Wes Anderson, The Darjeeling Limited, e mal posso esperar para o ver!
EDIT: Cliquem na imagem!
Statement 1: o quarteto nº2 é infinitivamente melhor do que o quarteto nº1.
Statement 2: ela rouba todas as cenas em que aparece!
Pam: Is that cowboy wisdom?
Stuntman Mike: I'm not a cowboy, Pam... I'm a stuntman.
De todas as imagens que compõem Death Proof, a minha escolha recaíu no melhor boneco - Stuntman Mike - composto pelo ícone dos anos 80, um greasy cool Kurt Russel. Porque esse boneco é, de facto, o melhor que Tarantino nos oferece por detrás de todas aquelas curvilíneas mulheres e citações cinéfilas.
Sir Alfred Hitchcock costumava dizer que self-plagiarism is style e o realizador que nos deu Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Jackie Brown e Kill Bill, aprendeu bem a lição. Se nos filmes anteriores, deu nova vida a referências que lhe marcaram a vida de cinéfilo, injectando cultura pop em diálogos rápidos e palavrosos, trazendo de novo à vida símbolos de outras eras e homenageando os seus géneros favoritos, agora Death Proof recicla tudo isso até ao limite.
Aqui não há subtileza nem piscadela de olho. Há uma mais do que assumida homenagem, perto de uma tentativa de renascimento de um género que marcou uma época muito particular - o fenómeno Grindhouse. A diferença é que Tarantino vasculhou esse cinema imundo e sórdido, mas acaba por não não sujar realmente as mãos. Há riscos na película, há saltos na projecção, há defeitos cromáticos, há o roçar da agulha no vinil, há um som cru solto pelo ar... mas tudo isso é pensado, criado, estudado, propositado. É um vintage artificial.
Mas eu sou fã de Tarantino...
E tudo isto não me surpreende, diverte-me. Aqueles diálogos que já ouvi com outras palavras e temas, aquele anseio pela próxima música da banda sonora, na esperança de descobrir outro tema que estava perdido no esquecimento, aquele look anos 70 de carros de linhas rectas, aquelas piscadelas ao seu próprio universo - isto é Tarantino.
Impossível não esboçar um sorriso ao telemóvel que soa a twisted nerve, o carro de amarelo vivo e riscas pretas, os planos de pés femininos, o estirar lânguido num sofá, as foot massage, a referência a Zatoichi, o xerife que fala com o "son number 1", o fato de cheerleader que diz vipers, as tasty beverages, a jukebox que nos mostra Misirlou e a dupla de Daryl Hannah que roubou o namorado de Abernathy... isto é Tarantino.
As críticas mais negativas que surgem acerca deste projecto a meias com Robert Rodriguez são as mesmas críticas, talvez mais ácidas, que li na altura de Kill Bill. Normalmente, acusam Tarantino de falta de originalidade e de depender demasiado de outros universos cinéfilos que são revisitados e copiados com um ar moderno e kitsch. Não vou negar que compreendo a natureza dessas críticas mais mordazes, mas enquanto vejo um Tarantino completamente divertido a fazer o que faz, a respirar cinema por todos os poros... não lhe consigo levar a mal. Ele que continue a divertir-se e a divertir-nos, mas espero que o próximo filme seja algo brilhante... pois Death Proof é (apenas) um delicioso aperitivo.
PS - Há muito tempo que não ouvia palmas num cinema (festivais à parte)!