24 julho 2007

Lei das compensações

Depois de mais de dois (incompreensíveis) anos de espera para poder ver Manderlay em terras lusas.

Depois de ter desistido de esperar e ter comprado o DVD no Reino Unido.

A Atalanta abre os olhos e edita o filme de Lars von Trier em DVD.

E ainda resolve, em conjunto com a Medeia Filmes, fazer um ciclo do realizador que inclui... Manderlay.

Atentos, os senhores.

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Ainda assim, aqui fica a informação sobre o ciclo:

Cinema King (Lisboa) - Preço único €3.50


26 de Julho – Quinta-feira


EPIDEMIA - 14h00/19h20

O ELEMENTO DO CRIME - 16h40/22h00


27 de Julho – Sexta-feira


O REINO I (1ªparte) - 15h00

O REINO I (2ªparte) - 18h15

O REINO I (1ªparte) - 21h30

O REINO I (2ªparte) - 00h15


28 de Julho - Sábado


EUROPA - 14h00/16h40/19h20/22h00

DOGVILLE CONFESSIONS - 00h15


29 de Julho - Domingo


MANDERLAY - 13h40/16h20/19h00/22h00

Conversa com Rui Pedro Tendinha (crítico de cinema)
e Vera San Payo de Lemos (dramaturga) após a sessão das 19h00



30 de Julho – Segunda-feira


O REINO II (1ªparte) - 15h00

O REINO II (2ªparte) - 18h15

O REINO II (1ªparte) - 21h30

O REINO II (2ªparte) - 00h15


31 de Julho - Terça-feira


OS IDIOTAS - 14h00/19h20

DANCER IN THE DARK - 16h40/22h00


1 de Agosto – Quarta-feira


ONDAS DE PAIXÃO - 18h15

DOGVILLE - 15h00/21h30

23 julho 2007

Ainda Death Proof!

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Statement 1: o quarteto nº2 é infinitivamente melhor do que o quarteto nº1.

Statement 2: ela rouba todas as cenas em que aparece!

22 julho 2007

Death Proof

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Pam: Is that cowboy wisdom?

Stuntman Mike: I'm not a cowboy, Pam... I'm a stuntman.

De todas as imagens que compõem Death Proof, a minha escolha recaíu no melhor boneco - Stuntman Mike - composto pelo ícone dos anos 80, um greasy cool Kurt Russel. Porque esse boneco é, de facto, o melhor que Tarantino nos oferece por detrás de todas aquelas curvilíneas mulheres e citações cinéfilas.

Sir Alfred Hitchcock costumava dizer que self-plagiarism is style e o realizador que nos deu Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Jackie Brown e Kill Bill, aprendeu bem a lição. Se nos filmes anteriores, deu nova vida a referências que lhe marcaram a vida de cinéfilo, injectando cultura pop em diálogos rápidos e palavrosos, trazendo de novo à vida símbolos de outras eras e homenageando os seus géneros favoritos, agora Death Proof recicla tudo isso até ao limite.

Aqui não há subtileza nem piscadela de olho. Há uma mais do que assumida homenagem, perto de uma tentativa de renascimento de um género que marcou uma época muito particular - o fenómeno Grindhouse. A diferença é que Tarantino vasculhou esse cinema imundo e sórdido, mas acaba por não não sujar realmente as mãos. Há riscos na película, há saltos na projecção, há defeitos cromáticos, há o roçar da agulha no vinil, há um som cru solto pelo ar... mas tudo isso é pensado, criado, estudado, propositado. É um vintage artificial.

Mas eu sou fã de Tarantino...

E tudo isto não me surpreende, diverte-me. Aqueles diálogos que já ouvi com outras palavras e temas, aquele anseio pela próxima música da banda sonora, na esperança de descobrir outro tema que estava perdido no esquecimento, aquele look anos 70 de carros de linhas rectas, aquelas piscadelas ao seu próprio universo - isto é Tarantino.

Impossível não esboçar um sorriso ao telemóvel que soa a twisted nerve, o carro de amarelo vivo e riscas pretas, os planos de pés femininos, o estirar lânguido num sofá, as foot massage, a referência a Zatoichi, o xerife que fala com o "son number 1", o fato de cheerleader que diz vipers, as tasty beverages, a jukebox que nos mostra Misirlou e a dupla de Daryl Hannah que roubou o namorado de Abernathy... isto é Tarantino.

As críticas mais negativas que surgem acerca deste projecto a meias com Robert Rodriguez são as mesmas críticas, talvez mais ácidas, que li na altura de Kill Bill. Normalmente, acusam Tarantino de falta de originalidade e de depender demasiado de outros universos cinéfilos que são revisitados e copiados com um ar moderno e kitsch. Não vou negar que compreendo a natureza dessas críticas mais mordazes, mas enquanto vejo um Tarantino completamente divertido a fazer o que faz, a respirar cinema por todos os poros... não lhe consigo levar a mal. Ele que continue a divertir-se e a divertir-nos, mas espero que o próximo filme seja algo brilhante... pois Death Proof é (apenas) um delicioso aperitivo.

PS - Há muito tempo que não ouvia palmas num cinema (festivais à parte)!

21 julho 2007

Tête-à-Tête

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Henri Cartier-Bresson - New York, 1947

20 julho 2007

Sessão Dupla

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Seria pedir muito termos direito a ver Grindhouse como o projecto foi originalmente pensado?

PS - Deste fim-de-semana não passa!

Precisam-se editores...

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Que juízo é possível fazer de 18 (!) editoras britânicas que não reconhecem um dos livros mais famosos e populares da sua própria literatura?

David Lassman, um escritor com algumas dificuldades em ver os seus próprios trabalhos publicados, resolveu testar as editoras. Enviou o primeiro capítulo de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e apenas alterou o título (para Primeiras Impressões, o nome original da obra) e o nome das personagens. Manteve até a histórica frase de abertura: "É uma verdade universalmente aceite que um homem solteiro, em posse de uma avultada fortuna, precisa de uma esposa." Por fim, assinou o texto com o nome de uma escritora inventada, Alison Laydeen.

Em 18 editoras, 17 reenviaram os textos recusando a publicação porque o texto tinha pouco interesse ou não responderam de todo. Um editor, apesar da recusa, considerou o texto muito original. E apenas um editor reconheceu o estilo de Jane Austen, aconselhando o "autor" a ler a obra da escritora por existirem muitas semelhanças e até um possível plágio.

Reuter 3 - 19-07-2007 8:39:39 - ARTS-AUSTEN/

19 julho 2007

Mode: Edit #34

Fotogramas escolhidos a dedo. Puras coincidências... ou talvez não.

Imagens de filmes e recordações cinéfilas.

Alice in Wonderland (Clyde Geronimi e outros, 1951)

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Tonari no Totoro (Hayao Miyazaki, 1988)

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18 julho 2007

Standin' in the rain

Ultimamente, a Ghibli tem sido companhia fiel. Conhecia-lhe a fama e já tinha visto alguns filmes de Hayao Miyazaki. No entanto, ao propôr-me ver tudo o que ainda não conhecia, não só do realizador mas também do seu mítico estúdio, confesso que não estava preparada. É que cada obra Ghibli é prima. É masterpiece.

Tonari no Totoro, por exemplo, é delicioso. Realizado em 1988, por Miyazaki, conta a história de duas meninas que se mudam com o pai para uma casa no interior do Japão, para ficarem perto do hospital onde a mãe está internada. Até que um dia, Mei, de quatro anos, enquanto brinca sozinha, encontra uma pequena criatura, parecida com um coelho, que tenta tornar-se invisível quando se apercebe de que Mei está a seguir os seus passos. Enquanto foge, na companhia de outra criatura ligeiramente maior, acaba por guiar Mei para o interior de uma grande árvore. Ali mora Totoro, um espírito da floresta, uma criatura grande e peluda que faz as delícias de Mei, tornada, de repente, uma espécie de Alice no país das maravilhas. É o início de uma bela viagem, daquelas que fazemos sem realmente partirmos.

Miyazaki inspirou-se na sua própria infância para criar este mundo maravilhoso. Apesar de ser considerado um dos filmes mais infantis do mestre, a verdade é que a sua mensagem não o é. A fantasia é equilibrada com a realidade com inteligência, o que torna o filme atraente para qualquer idade.


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Todo o filme tem momentos singulares. Mas destacaria uma chuvada surreal. Quando Satsuki e Mei resolvem ir até à paragem de autocarro esperar o pai...

Não conto mais. Para ver, basta clicar na imagem!