20 janeiro 2007
17 janeiro 2007
ScO-Op
Woody Allen é conhecido por gostar de mudar de registo. Por isso, depois da negra história de crime e castigo de Match Point, o cineasta regressou ao universo da comédia. Mesmo assim, em Scoop, ou furo jornalístico em português, Woody volta a encontrar Londres e, claro, Scarlett Johansson. Diz-se até que o realizador escreveu o argumento só para a actriz, embora continue a recusar a ideia de uma nova musa. Woody diz apenas que Scarlett é uma excelente intérprete, uma pessoa maravilhosa e... mais uns quantos adjectivos.
Em Scoop, Scarlett é Sondra Pransky, nova-iorquina e estudante de jornalismo em férias na capital britânica. Uma noite, num espectáculo de magia do fabuloso Splendini, nem mais nem menos, do que o próprio Woody no primeiro regresso ao ecrã desde 2003, Scarlett é escolhida para o truque de desaparecimento. No entanto, durante o truque, o espírito de um grande jornalista de investigação aparece e dá-lhe o dito scoop.
A jovem não tarda em recrutar Splendini para parceiro de investigação e é o início de muitas confusões para descobrir se, de facto, as informações vindas do além são verdadeiras. De acordo com o defunto jornalista, o aristocrata, rico e famoso Peter Lyman, interpretado por Hugh Jackman, é também o famoso assassino das cartas de tarot que tem aterrorizado Londres. O primeiro passo na investigação é conhecer o suspeito. A dupla improvável depressa arranja um esquema para chegar à alta-roda londrina e começam as mentiras. Sondra torna-se Jane Spencer, Splendini o seu pai, mas depressa a jovem confunde a investigação, ao deixar-se seduzir pelo charmoso aristocrata. Acreditem... as peripécias ainda mal começaram.
Scoop é uma comédia de enganos, repleta de fantasia e um toque de mistério, bem à medida de Woody Allen. O filme está pontuado por inúmeros pormenores e as típicas neuroses do conhecido realizador de Manhattan.
16 janeiro 2007
Contagem decrescente
Noite de Globos. Algumas considerações. Sem listas exaustivas.
Babel e The Departed eram, à partida, os grandes favoritos, tendo em conta o número de nomeações, mas acabaram por constituir uma das poucas surpresas da noite. Para The Departed, apenas um galardão - Martin Scorsese foi considerado o melhor realizador, derrotando (duplamente) Clint Eastwood que estava nomeado por Flags of Our Fathers e Letters of Iwo Jima. Resta saber se os Óscares vão seguir esta tendência e dar a Scorsese a primeira estatueta dourada.
Quanto a Babel, um prémio em sete nomeações. O filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu foi considerado a melhor obra dramática. Na categoria de comédia ou musical, o melhor foi Dreamgirls, que acabou por ser o filme mais premiado da noite, ao receber prémios nas categorias de melhor actor e actriz secundários. Um filme que pode ficar conhecido pela redenção de Eddie Murphy perante os olhos da crítica. Até porque é preciso não esquecer que, na mesma categoria, concorriam Jack Nicholson, Mark Wahlberg e Brad Pitt.
Clint Eastwood perdeu como realizador, mas Letters of Iwo Jima valeu-lhe o prémio de melhor filme estrangeiro, o que deixou para trás Apocalypto de Mel Gibson e Volvér de Pedro Almodóvar. Em animação o vencedor foi Cars, o último filme da Pixar.
Quanto aos prémios de interpretação, Helen Mirren venceu o prémio de melhor actriz dramática pelo papel em The Queen, onde interpreta Isabel II de Inglaterra, um filme que também obteve o Globo para melhor argumento. Uma vencedora sem surpresas nos Globos, Helen Mirren já tem o Óscar praticamente ganho. Também sem surpresas, Meryl Streep venceu na categoria de melhor actriz de comédia por The Devil Wears Prada. Quanto aos actores, Sasha Baron Cohen… ou seja… Borat, foi considerado o melhor em comédia. Enfim... Já Forrest Whitaker venceu em drama, pelo filme The Last King of Scotland, outro Globo com cheiro a Óscar. Tal como Clint Eastwood, aqui foi Leonardo DiCaprio que saiu duplamente derrotado. O actor estava nomeado por The Departed e Blood Diamond. O prémio de carreira foi para o actor, produtor e realizador Warren Beatty.
Quanto aos prémios de televisão, o meu destaque vai apenas para uma categoria. O grande Dr. House, ou melhor, Hugh Laurie, foi o vencedor na categoria de melhor actor dramático.
Que comece a contagem decrescente para os sempre polémicos, mas inevitavelmente charmosos... Óscares.
14 janeiro 2007
H.
Falava num tom baixo, grave. Uma cicatriz no lábio tornou-se imagem de marca. Muitas são as histórias sobre a sua origem. Fumava muito e muito bebia. Outra das imagens de marca, dentro e fora do ecrã. Jogava golfe e gostava de xadrez. Citava Platão e conhecia milhares de frases de Shakespeare. Começou no teatro, onde chegou a ser qualificado como mau actor. Iria depois para o cinema, onde a sua imagem lhe valeu inúmeros papéis de vilão. Um amigo dos tempos de teatro valeu-lhe um contrato com um grande estúdio. Em troca, baptizou a filha com o nome do amigo. Casou quatro vezes. O último casamento foi o único feliz. Um conto de amor que ficaria escrito na história de Hollywood. E do cinema. Tudo começou quando um realizador quis criar uma personagem feminina ainda mais insolente. O resultado seriam quatro filmes e doze anos de casamento. Adorava navegar. O seu próprio barco apareceu num filme. Protestou contra a caça às bruxas da era McCarthy. Fundou o Rat Pack. Considerado uma das maiores estrelas de sempre. Tem um mito que não envelhece. Muitas vezes copiado. Outras homenageado. Ídolo de Bryan Ferry, marcou o álbum de estreia dos Roxy Music. Tem uma rua com o seu nome. Um estúdio mudou-lhe a data de nascimento. Tudo porque quem nasce no dia de Natal, não pode ser mau. Odiava funerais. Dizia que eram para quem ficava vivo. Morreu enquanto dormia. No seu caixão está um pequeno apito de ouro. Ali colocado pela sua mulher. Os cinéfilos sabem porquê.
13 janeiro 2007
Mode: Repeat #10
So he's retired
lives with his sister in a furnished flat
he's got this suit that
he'll never wear outside without a hat
his hair is white but he looks half his age
he looks like Jimmy Stewart in his younger days.
[Chorus]
Mr. Harris - Aimee Mann
11 janeiro 2007
Blondie, Angel Eyes e Tuco
"Sergio Leone com os seus grandes planos, spaguetti-made"... dizia eu, há uns dias, a propósito da minha descoberta pelo mundo dos Westerns. E o meu primeiro Leone foi, justamente, The Good, the Bad and the Ugly. Foi aqui que descobri os planos que nos dão todos os pormenores e emoções do rosto, os longos planos sem palavras, os homens rudes de reflexos rápidos e a importância das alcunhas. Tudo isto aliado a uma partitura emblemática e a uma forma de contar histórias presa nos pequenos detalhes e num peculiar sentido de humor.
The Good, the Bad and the Ugly é o último filme da trilogia dos dólares mas acaba por ser uma prequela dos filmes anteriores. É aqui que Blondie, interpretado por Clint Eastwood, ganha o seu característico poncho. Uma peça de vestuário essencial para constituir uma das mais famosas personas de Eastwood no cinema, complementada pelo charuto no canto da boca e por uma atitude impassível mas certeira. A história do filme conta-se numa frase - três homens em busca de um tesouro durante a Guerra Civil Americana - mas Leone transforma uma frase num épico visual. Cada plano é minuncioso e belo, porque nada é deixado ao acaso. No universo dos Westerns de Leone, onde tudo se rege pela violência, é complicado encontrar uma personagem com bons intuitos. Mesmo o "good" do título não é melhor do que os outros dois personagens, apenas na pontaria e inteligência.
Repleto de sequências memoráveis, The Good, the Bad and the Ugly é Leone Vintage. Um dos mais perfeitos exemplares de um tipo de Western que marcou uma mudança na história do Cinema.
09 janeiro 2007
Mode: Edit #28
Imagens de filmes e recordações cinéfilas.
08 janeiro 2007
Elogio
Estava na Cinemateca. Dirigi-me à casa-de-banho das senhoras e, quando entrei, ouvi este diálogo entre mãe e filha adolescente:
Filha: É tudo giro na Cinemateca!
Mãe: É.
Filha: Tudo giro! Até os candeeiros e as torneiras...
Quando estava quase a chegar à porta, ouço ainda:
Filha: Viste? Até as miúdas são giras! É tudo giro na Cinemateca!
Foi o elogio mais engraçado e indirecto que já ouvi.









