
Raimunda e Sole são irmãs. Mãe e tia de Paula. Filhas de Irene... que tem uma irmã também chamada Paula, que é vizinha de Agustina. Mulheres... muitas mulheres. Ou não fosse Volver um filme de Pedro Almodóvar.
O cineasta espanhol parte desta vez rumo à terra que o viu nascer, La Mancha, onde os moinhos giram sem cansar. Desta vez são electrónicos, não os de Dom Quixote de Cervantes. Mas o vento, esse, é o mesmo. Um vento que dizem... provoca loucura. Pedro Almodóvar volta também às mulheres que lhe marcaram a infância, em particular a mãe, num filme que marca ainda outro regresso... Carmen Maura volta ao universo do realizador, 17 anos depois.
Em Volver, seguimos três gerações de mulheres da mesma família. Raimunda, interpretada por Penélope Cruz, vive em Madrid com o marido desempregado e a filha. Sole, a irmã, ganha a vida num salão de cabeleireiro improvisado dentro de casa. De vez em quando visitam a velha tia Paula que vive em La Mancha, de quem a vizinha Agustina vai tomando conta. Um dia-a-dia sem grandes sobressaltos, até que o fantasma da mãe regressa para resolver os problemas do passado.
Volver mistura o fantástico com a comédia e também o crime, num filme que é, nas palavras do cineasta, uma história onde se fala muito, se esconde muito, muito se ouve e, para uma comédia, também muito se chora. Um filme com um sentido de humor bem típico, embalado em nostalgia... ao som de Estrella Morente, com lábios e lágrimas de Penélope Cruz.