Glenn Ford morreu ontem, dia 30 de Agosto, na sua casa de Beverly Hills. Tinha 90 anos.
31 agosto 2006
Glenn Ford R.I.P.
Glenn Ford morreu ontem, dia 30 de Agosto, na sua casa de Beverly Hills. Tinha 90 anos.
Paradise Now
Todos os dias a equipa foi obrigada a interromper as filmagens devido ao fogo cruzado entre israelitas e palestinianos. Parte do grupo chegou a abandonar o filme depois de um míssil ter caído demasiado perto. E após uma explosão ter morto três homens num local onde a equipa tinha estado no dia anterior, viram-se obrigados a sair de Nablus e terminar o filme na Nazaré.
Paradise Now conta a história de dois amigos de infância que são recrutados para cometer um atentado suicida em Telavive. São-nos mostradas essas últimas 24 horas de Khaled e Said, que sem se poderem despedir, passam a última noite com a família. Seguem-se os últimos preparativos para uma missão que ambos acreditam ser a única forma de resistência. São gravados os vídeos de despedida, escolhidos os posters que os vão reconhecer como heróis e, finalmente, são levados até à fronteira com as bombas atadas ao corpo.
O inesperado acontece... e os dois amigos perdem-se um do outro. Separados, começam a questionar os motivos que os levaram a aceitar aquela missão. É nessa altura que o realizador, Hany Abu-Assad, abre as portas ao debate. Quando as posições contra e a favor dos extremismos ganham e perdem sentido na mente dos dois jovens. Quando os argumentos e as convicções se confudem. Quando as certezas se tornam dúvidas.
Consciente da polémica e também do peso da realidade, Hany Abu Assad optou por filmar num formato tipicamente cinéfilo de 35 mm em vez de escolher a facilidade e a rapidez do digital. O motivo é simples... o filme tinha de marcar a diferença em relação às imagens que todos os dias aparecem na televisão.
30 agosto 2006
Veneza!
É o mais antigo festival de cinema da Europa. Começa hoje, com 21 filmes em competição, num cartaz impressionante.
Desta 63ª edição destaco, na corrida pelo Leão de Ouro, The Fountain de Darren Aronofsky, Children of Men de Alfonso Cuaron, The Black Dahlia de Brian De Palma, The Queen de Stephen Frears, entre outros.
O cinema português vai estar ausente da competição, mas vai ser exibido no próximo dia 8, em estreia mundial, o novo filme de Manoel de Oliveira, Belle Toujours. O filme é uma homenagem a Luis Bunuel e Jean Claude Carriere, o realizador e o co-argumentista do filme Belle de Jour, realizado em 1967.
28 agosto 2006
A.
Tinha aura de autêntica senhora. Tal o requinte, tal a classe. De delicadeza de gestos finos. De quem nunca faz um gesto a mais. Ou a menos. De quem sabe precisamente o espaço que ocupa. E era tão pouco e tanto. Estreou-se como princesa rebelde. Monarca jovem que fugia, cortava o cabelo e vestia pijama de homem. Tinha de facto sangue azul. Um dia quis ser bailarina. Baptizou, sem querer, um modelo de sapatos. Todos se recordam dos parabéns a JFK cantados por Marilyn. Os dela, um ano depois, não mereceram tanta posterioridade. Sentada numa escada exterior tornou uma melodia imortal. Uma canção escrita de propósito para ela. Existe uma espécie de tulipa com o seu nome. Quando aceitou o primeiro Óscar estava muito nervosa. Depois de ter a estatueta nas mãos, beijou na boca o presidente da Academia. Falava cinco línguas. Quase foi Cleópatra. Tinha um terrier chamado Mr. Famous. Confessou um dia que nunca pensou acabar no cinema com uma cara como a sua. Foi embaixadora das Nações Unidas. Givenchy criou um perfume que só podia ser utilizado por ela. Assim foi, durante muitos anos. Maria Callas adoptou o seu estilo nos anos 50. Prometeu a si própria que nunca passaria dos 47 kg. Excepto quando ficou grávida, cumpriu essa promessa. Orson Welles chamava-lhe a santa padroeira das anóréxicas. Sabia ler braille. O branco era a sua cor preferida. Podia ter sido Melanie, em The Birds. Também podia ter sido Maria, em West Side Story. O seu poema favorito era "Unending Love", de Rabindranath Tagore. No seu último filme foi um anjo.
26 agosto 2006
24 agosto 2006
Topaz
23 agosto 2006
United 93
Quando United 93 estreou, em finais de Abril, nos Estados Unidos, a pergunta que se fazia era "Não será cedo demais?". Paul Greengrass, o realizador, respondeu quando apresentou, em Maio, o filme no Festival de Cannes. Se é cedo demais para o cinema... então também seria demasiado cedo para a televisão, jornais e livros.
A 11 de Setembro de 2001, quatro voos foram desviados. Todos atingiram o alvo, menos um. O filme conta, em tom de documentário ficcionado, a história do avião que não alcançou o alvo em Washington, provavelmente a Casa Branca. Filmado de câmara ao ombro, United 93 faz o espectador sentir-se como testemunha privilegiada do desenrolar dos acontecimentos. Ora segue aleatoriamente as conversas dos passageiros no avião... Ora segue o crescer da tensão nas torres de controlo, que juntam as peças do puzzle.
Quando o avião é tomado pelos terroristas, é altura de tentar reescrever a história. Entre deixar o avião seguir o curso, seguindo o exemplo dos outros três voos desviados e tentar tomar de novo a posse do avião para evitar o pior... Foi essa escolha dos passageiros e da tripulação que fez a diferença do voo United 93.
Paul Greengrass consegue, em United 93, um filme que não se perde nem fervores nacionalistas nem na exploração das emoções de uma ferida que, para muitos, continua aberta e sensível. O filme de Greengrass é sóbrio, quase seco... mas de uma tal força emocional que, surgindo em crescendo, nos deixa completamente em suspenso, quase imobilizados.
O filme foi realizado com total colaboração das famílias das vítimas e parte das receitas de United 93 reverteram para o memorial do United 93, na Pensilvânia. O primeiro filme a levar ao cinema os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 estreia por cá esta quinta-feira e, a 21 de Setembro, é seguido por Oliver Stone. World Trade Center, do realizador, foi o segundo filme sobre os atentados e conta a história de dois polícias que arriscaram a própria vida para salvar outras.









