24 julho 2006

B.

Tinha olhos maiores do que o mundo. Um ar altivo de quem sabe ler os outros. Uma sobrancelha inclinada de desdém e uma boca retorcida de ironia. Quando chegou a Hollywood, o representante do estúdio voltou de mãos vazias. Na estação de comboios não havia ninguém que parecesse uma estrela de cinema. Contou várias vezes que o seu primeiro screen test para a MGM tinha sido tão mau que fugiu a gritar da sala de projecção. Defendia que só tentando o impossível se podia melhorar. Que só quando são chamados de monstros é que os actores se podem considerar estrelas. Disse de ela própria que tinha sido o Marlon Brando da sua geração. E que não se retiraria enquanto tivesse as suas pernas e o estojo de maquilhagem. Tinha fama de difícil. Mas marcou a diferença quando se tornou a mulher mais bem paga dos Estados Unidos em 1942. Fez mais de 100 filmes, numa carreira repleta de altos e baixos. Conseguiu regressos dignos de grande senhora do cinema. Detestava a designação de “filmes de mulheres”. Era uma perfeccionista. Não receava perder glamour no ecrã. Tinha (quase sempre), entre os dedos, um cigarro. Foi a primeira mulher a conseguir o Lifetime Achievement Award do American Film Institute. Escreveu três biografias. Vestiu o vestido mais vermelho da história do cinema. Quis ser Scarlett O’ Hara. Foi Margo. Chamava-se Ruth, mas Balzac baptizou o seu nome artístico. No seu túmulo está escrito She did it the hard way.

23 julho 2006

Rear Window

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Edward Hopper - The Night Window

22 julho 2006

Paul Auster aos quadradinhos

Paul Karasik e David Mazzucchelli, Cidade de Vidro, 2004

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Paul Auster, A Trilogia de Nova Iorque, 1985

"Foi uma chamada para o número errado que despoletou tudo, o telefone a tocar três vezes no silêncio da noite, e a voz do outro lado da linha a perguntar por alguém que não era ele. Muito mais tarde, quando foi capaz de pensar nas coisas que lhe aconteceram, concluiria que nada era real excepto o acaso. Mas isso foi muito mais tarde. No início, houve apenas o acontecimento e as suas consequências. Não se trata de uma questão de tudo poder ter acontecido de um modo diferente, ou de tudo estar já predestinado desde a primeira palavra proferida pela boca do interlocutor desconhecido. A questão é a história propriamente dita; e se tem ou não algum significado, não é à história que compete revelar isso."

Ambos editados por cá, pela Edições Asa. Ambos na minha mesinha-de-cabeceira.

21 julho 2006

Fur

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Diane Arbus era a filha de um homem de negócios e irmã do poeta Howard Nemerov. Cedo quebrou as convenções e aos 18 anos fugia da ideia da faculdade para casar com Allan Arbus. Em meados dos anos 50 começou a fotografar. Tinha uma atracção especial pelo fantástico, o diferente, o que fugia à norma. Em 1971, roubou a própria vida.

Admito que não conhecia a história. O cinema voltou a ser a origem da curiosidade. A história de Diane Arbus foi adaptada ao grande ecrã tendo por base a sua biografia. Em Fur, Nicole Kidman cortou o cabelo e pintou-o de preto. A primeira escolha tinha sido Samantha Morton.

Mode: Edit #18

Fotogramas escolhidos a dedo. Puras coincidências... ou talvez não.

Imagens de filmes e recordações cinéfilas.

Blue Velvet (David Lynch, 1986)

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2046 (Wong Kar Wai, 2004)

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20 julho 2006

Hairspray Michelle

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Não será a primeira vez que mostra os dotes mais musicais. Michelle foi pink lady no início da década de 80, quando protagonizou a sequela de Grease. Depois foi Suzie Diamond, cantora atrevida que trocou as voltas aos irmãos Baker.

Agora a actriz, afastada há alguns tempos do cinema, foi convidada para protagonizar a nova adaptação de Hairspray. Se aceitar, será Velma Tussel, antiga miss com classe a menos e laca a mais, produtora de um programa de dança na televisão.

O filme original, de John Waters, é um dos meus guilty pleasures assumidos. Visto e revisto vezes a fio na criancice. Sabia as músicas, os diálogos e fascinava-me todo aquele exagero. Na altura nem sabia quem era John Waters, mas aquelas personagens, os cabelos, as situações, gastaram a fita do VHS.

Este novo filme deve começar a ser rodado no Outono e se Michelle aceitar o papel, vai ter a seu lado John Travolta, Queen Latifah e Amanda Bynes.

Super-Stamps

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Não são estes os selos... estes têm carimbo wasted blues. Mas a colecção tem um motivo, pois pela primeira vez, os super-heróis vão entrar no mundo da filatelia. Na véspera da maior exposição de comics norte-americana, em San Diego, os correios avisaram os responsáveis da iniciativa e apresentaram dez super-heróis da DC.

A saber: Superman, Batman, Wonder Woman, Aquaman, The Flash, Green Arrow, Green Lantern, Hawkman, Plastic Man e Supergirl.

Os selos vão estar à venda em San Diego já hoje e, a partir de sexta-feira, no resto do país. Só tenho pena é que não cheguem cá... o Batman não me escapava.

19 julho 2006

M.

Ela nunca chegava a horas. Esquecia-se muitas vezes dos textos e, por isso, deixava pequenas notas pelo cenário. Numa gaveta que tinha de ser aberta, em cima de uma mesa, qualquer sítio desde que não entrasse no enquadramento. Também adormecia, não gostava de acordar cedo. Ficava bem em todas as fotografias e a câmara apaixonou-se por ela. Era daquelas pessoas de sorriso quase infantil, sem dúvida ingénuo. De menina pequena perdida no mundo dos grandes. Quando pensou que sabia jogar o jogo, perdeu. Poucos lhe dariam o mérito como actriz. Hoje, ainda poucos o reconhecem. Mas ela demonstrou uma veia cómica como poucos e das poucas vezes que lhe foi pedido um registo dramático, cumpriu. Tinha curvas generosas de sensualidade. Voz doce e lânguida, quase murmurada. O rosto, esse, é (re)conhecido em todo o mundo. A People Magazine considerou-a em 1999, mais de 30 anos passados sobre a sua morte, a mulher mais sexy do século. A Playboy não ficou atrás na nomeação. Casou 3 vezes. No último, como não tinha um véu bege igual ao vestido, mergulhou um que tinha em café. Costumava trazer sempre consigo um livro, The Biography of Abraham Lincoln. Chegou a falar-se dela para ser a noiva do príncipe Rainier do Mónaco, que viria a casar com Grace Kelly. Usava óculos e era ruiva. E a primeira vez que assinou o seu nome artístico não sabia onde colocar o "i".