

É daquele tipo de fotografias que perduram pelos anos, sem perder a força. Na imagem a preto e branco vemos o Inverno rigoroso de Berlim dos anos 60, altura em que o Muro dividia a Alemanha, ainda relativamente fresco nas suas fundações.
No cimo de um carro, um casal acena. E se "a fotografia é a única maneira de fazer parar o tempo que passa" (Roger Thérond), então o acenar será eterno.
Brokeback Mountain, do realizador Ang Lee, após ter vencido o Festival de Veneza de 2005, foi agora o grande vencedor dos Globos de Ouro. O filme conquistou os prémios de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento e Melhor Canção Original.
O outro grande vencedor foi Walk The Line, um filme sobre Johnny Cash, que venceu os prémios de Melhor Filme (Comédia ou musical), Melhor Actor (comédia ou musical) e Melhor Actriz (comédia ou musical).
Os prémios de Cinema:
Filme: Brokeback Mountain, de Ang Lee
Filme (comédia ou musical): Walk the Line
Realizador: Ang Lee por Brokeback Mountain
Actriz (drama): Felicity Huffman, em Transamerica
Actor (drama): Philip Seymour Hoffman, em Capote
Actriz (comédia ou musical): Reese Witherspoon, em Walk the Line
Actor (comédia ou musical): Joaquin Phoenix, em Walk the Line
Actriz secundária: Rachel Weisz, em O Fiel Jardineiro
Actor secundário: George Clooney, em Syriana
Filme estrangeiro: Paradise Now, de Hany Abu-Assad (Palestina)
Argumento: Brokeback Mountain, por Larry McMurtry e Diana Ossana
Canção original: A love that will never grow old, de Gustavo Santaolalla, em Brokeback Mountain
Banda sonora: Memórias de uma Geisha, de John Williams
Prémio de carreira Cecil B. DeMille:
Anthony Hopkins
Num ano em que, infelizmente, fui pouco ao cinema... aqui ficam os filmes que mais gostei de ver ao longo de 2005:
01. Sideways (Alexander Payne)
02. War of the Worlds (Steven Spielberg)
03. Million Dollar Baby (Clint Eastwood)
04. Closer (Mike Nichols)
05. Corpse Bride (Tim Burton)
06. The Life Aquatic with Steve Zissou (Wes Anderson)
07. Mean Creek (Jacob Aaron Estes)
08. Vera Drake (Mike Leigh)
09. Sin City (Robert Rodriguez, Frank Miller)
10. Un Long Dimanche de Fiançailles (Jean-Pierre Jeunet)
A desilusão:
The Aviator (Martin Scorsese)
Alguns que provavelmente estariam na lista se os já tivesse visto:
Saraband (Ingmar Bergman), Maria Full of Grace (Joshua Marston), Oldboy (Park Chan-wook), Mar Adentro (Alejandro Aménabar), House of Flying Daggers (Zhang Yimou), De battre mon coeur s'est arrêté (Jacques Audiard), Rois et reine (Arnaud Desplechin) e Crash (Paul Haggis).
Nunca vi Shelley Winters como a clássica diva de Hollywood, repleta de glamour e uma beleza perfeita. Diz-se que foi ela quem ensinou Marilyn Monroe a fazer a pose sexy de cabeça para trás, olhos semi-cerrados e boca entreaberta. Curiosamente foi assim que começou a carreira de Winters, como rapariga sexy em papéis pequenos mas facilmente esquecidos.
A primeira vez que a vi foi num dos meus filmes favoritos - The Night of the Hunter - onde se tranformava numa sereia no fundo de um rio. Antes disso, em 1951, começou a reviravolta da sua carreira, com A Place in the Sun, que lhe valeu a primeira nomeação para os Óscars. Depressa ganhou o gosto por papéis dramáticos e difíceis que, de certa forma, combinavam com a sua maneira de ser. Audaz e com uma forte personalidade, características que se tornaram a sua imagem de marca. Na memória do cinema, ficam os seus papéis em Lolita, Alfie, The Diary of Anne Frank ou The Tenant.
Shirley Schrift - 18 Agosto 1920 /14 Janeiro 2006

"Wandering stars, for whom it is reserved
The blackness of darkness forever"
Wandering Star - Portishead