
Revi este fim-de-semana um dos últimos filmes do Tim Burton, Big Fish. Ao ser levada novamente para aquele universo tão particular, resolvi recuperar as linhas que escrevi na altura da estreia do filme no cinema. Mas não é possível voltar a elas sem um novo olhar, sem ter algo mais a dizer.
"Most men, they'll tell you a story straight true. It won't be complicated, but it won't be interesting either".
Tim Burton é senhor de um universo cinematográfico muito próprio e um cineasta que consegue encantar com as suas histórias.
Big Fish é uma fábula, talvez não tenha os tons negro como Eduardo Mãos-de-Tesoura, O Estranho Mundo de Jack ou A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, talvez um pouco mais colorida e, ao mesmo tempo, próxima da realidade, mas com toda a certeza um filme de Burton em toda a acepção do termo. É redutor pensar em Tim Burton apenas como um cineasta de fábulas, seja qual for o tom destas fábulas. Em Big Fish os elementos típicos do seu universo estão presentes, mas algo mudou. Tim Burton, pode dizer-se, cresceu... mas até esse crescimento foi à sua maneira.
Lembro-me que sai do cinema e apenas uma palavra me veio à mente: bonito. É realmente um filme bonito, este Big Fish. A história de um pai que inventa histórias tão mirabolantes sobre a sua vida e a história de um filho que em criança se maravilhava a ouvi-las e que depois cresce e se torna um céptico. A história do conflito entre pai e filho que depois de anos sem se falarem, voltam a reencontrar-se quando o pai está à beira da morte. A história de gigantes, bruxas, irmãs siamesas, poetas sem talento, olhos de vidro que nos mostram a nossa morte, jasmins, cidades fantasma com chão de relva e o mundo do circo.
Entre a realidade e a ficção das histórias contadas por Ed Boom (Albert Finney) ao seu filho (Billy Crudup), Big Fish é o filme de Tim Burton que mais se aproxima do mundo real. Mas preferia ter ficado na dúvida sobre a veracidade das histórias contadas.
Depois daquele momento tão belo em que o filho solta a imaginação e conta ele próprio uma história e encontra também ele as personagens que habitavam o mundo do pai, eu preferia ter ficado naquele limbo da imaginação. Um pouco como no Lost in Translation... o que preferiam? Ter ouvido o que Bill Murray segredou à Scarlett ou ficar na dúvida?
Agora, muitos meses depois, gosto mais do filme do que gostei na altura. Às vezes acontece. Mas o meu eleito continua a ser o genial Ed Wood.