12 setembro 2005

Big Fish

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Revi este fim-de-semana um dos últimos filmes do Tim Burton, Big Fish. Ao ser levada novamente para aquele universo tão particular, resolvi recuperar as linhas que escrevi na altura da estreia do filme no cinema. Mas não é possível voltar a elas sem um novo olhar, sem ter algo mais a dizer.

"Most men, they'll tell you a story straight true. It won't be complicated, but it won't be interesting either".

Tim Burton é senhor de um universo cinematográfico muito próprio e um cineasta que consegue encantar com as suas histórias.
Big Fish é uma fábula, talvez não tenha os tons negro como Eduardo Mãos-de-Tesoura, O Estranho Mundo de Jack ou A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, talvez um pouco mais colorida e, ao mesmo tempo, próxima da realidade, mas com toda a certeza um filme de Burton em toda a acepção do termo. É redutor pensar em Tim Burton apenas como um cineasta de fábulas, seja qual for o tom destas fábulas. Em Big Fish os elementos típicos do seu universo estão presentes, mas algo mudou. Tim Burton, pode dizer-se, cresceu... mas até esse crescimento foi à sua maneira.

Lembro-me que sai do cinema e apenas uma palavra me veio à mente: bonito. É realmente um filme bonito, este Big Fish. A história de um pai que inventa histórias tão mirabolantes sobre a sua vida e a história de um filho que em criança se maravilhava a ouvi-las e que depois cresce e se torna um céptico. A história do conflito entre pai e filho que depois de anos sem se falarem, voltam a reencontrar-se quando o pai está à beira da morte. A história de gigantes, bruxas, irmãs siamesas, poetas sem talento, olhos de vidro que nos mostram a nossa morte, jasmins, cidades fantasma com chão de relva e o mundo do circo.

Entre a realidade e a ficção das histórias contadas por Ed Boom (Albert Finney) ao seu filho (Billy Crudup), Big Fish é o filme de Tim Burton que mais se aproxima do mundo real. Mas preferia ter ficado na dúvida sobre a veracidade das histórias contadas.

Depois daquele momento tão belo em que o filho solta a imaginação e conta ele próprio uma história e encontra também ele as personagens que habitavam o mundo do pai, eu preferia ter ficado naquele limbo da imaginação. Um pouco como no Lost in Translation... o que preferiam? Ter ouvido o que Bill Murray segredou à Scarlett ou ficar na dúvida?

Agora, muitos meses depois, gosto mais do filme do que gostei na altura. Às vezes acontece. Mas o meu eleito continua a ser o genial Ed Wood.

11 setembro 2005

Espuma dos dias

Dia após dia
Não anda, arrasta os pés
É uma tristeza diária
Que, mesmo assim,
Vai e vem
Como todas as dores
Mágoas eternas
Que não se desfazem

Eternas na sua firmeza
Serenas no seu marcar

Passo atrás de passo
Olhar desconfiado atrás dos ombros
Cabeça segura apenas nos ombros
Voando nos seus pensamentos
Tristes
Nostálgicos...
Mas com alguma réstia de esperança

É a espuma dos dias

10 setembro 2005

Amor de cowboy em Veneza

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Uma história de amor.

Dois cowboys no conservador Oeste norte-americano.

Brokeback Mountain, o mais recente filme de Ang Lee, venceu o Leão de Ouro em Veneza.

O filme e o trailer.

09 setembro 2005

Mode: Repeat #3

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Desde o momento em que os seus acordes surgiram nesse prodigioso objecto de cinema que dá pelo nome de Lost in Translation... pela voz de Bill Murray, num tom desafinadamente cool...

More Than This - Roxy Music + Bryan Ferry

08 setembro 2005

Corpse Bride

Notícias de Veneza levam-me a mais um blue...



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"Em Corpse Bride, de Tim Burton, até os esqueletos tocam blues...

O cadáver é excquis! O odor pode ser a carne putrefacta, mas os olhos são de uma doçura imensa - e prontos a saltar das órbitas, e a deixarem vermes à mostra, ao mais pequeno movimento brusco que também pode desatarraxar pernas ou disparar braços. Ela estava enterrada e morta (mas mal, quer uma coisa quer outra...), quando foi desinquietada pelo pálido Victor, herói romântico malgré lui, que no bosque, na véspera do casamento, ensaiava de viva voz os seus votos e depositou a aliança num arbusto que não era um arbusto afinal, eram os restos mortais dela, era um dedo, e... e o cadáver aceitou. Ser noiva.
E eis que o frágil Victor ficou com duas prometidas e entre dois mundos: o dos mortos (não por acaso o mais colorido) e o dos vivos (mais sombrio e monocromático), onde já tinha à espera Victoria (...).

Vasco Câmara, em Veneza
Jornal Público 08.09.05

Estreia em Portugal a 22 de Dezembro

Site oficial: Corpse Bride

Orson Welles inédito

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The Other Side of the Wind é um filme inédito, realizado em 1975, por Orson Welles e interpretado por John Huston, e que pode chegar às salas de cinema no próximo ano. Um atraso de 30 anos por causa de uma batalha legal - entre investidores, amigos e familiares do realizador - pela aquisição dos direitos. Mas, finalmente, Mehdi Bouscheri e Oja Kodar (investidores) e Beatrice (filha de Welles) chegaram a um acordo.

Até agora guardado no cofre de um banco, The Other Side of the Wind voltou a juntar, depois de Moby Dick (1956), dois génios do cinema. Welles dirigiu e John Huston encarnou o papel de um realizador de mau feitio em decadência, com o nome de Jake Hannaford.

Mais informações: Le Monde - Orson Welles, des films à l'infini

07 setembro 2005

Star #4

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"Com os olhos vendados avanças por corredores, praças, ruelas onde conspiram três estrelas desprezíveis."

Águia ou Sol? - Octavio Paz

04 setembro 2005

Mode: Edit

Fotogramas escolhidos a dedo. Puras coincidências... ou talvez não.

Imagens de filmes e recordações cinéfilas.


Este vai ser o mote para uma nova secção aqui no wasted blues.

Já existia o mode: repeat para a música, agora o mode: edit vai ser a versão on-line de coincidências entre filmes... vistas, escritas, pensadas, descobertas ao longo dos anos.