12 março 2005

Alan Smithee is dead

Alan Smithee era, desde há alguns anos, o realizador de inúmeros filmes... que nunca realizou.

Porquê? Porque Alan Smithee nunca existiu - era um pseudónimo criado para que os realizadores pudessem assinar os filmes que não queriam assumir. Agora Hollyood anunciou que Alan Smithee vai deixar "existir" para ser substituído por... Thomas Lee.

O nome Alan Smithee era, assim, utilizado para disfarçar desentendimentos, produções que não corriam bem, fracassos. Chegou a ser realizado um filme sobre Alan Smithee, mas como nada correu bem na produção, o filme acabou por ser assinado por... Alan Smithee.

09 março 2005

Mode: Repeat #1

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The film they show is
sad and boring
The morning shot from a diving bell

Forgetting you is like
breathing water
There's got to be a better way...

Dynamite - Stina Nordenstam

08 março 2005

Kubrick

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Há seis anos morria Stanley Kubrick...

24 fevereiro 2005

E nada mais...

Bom dia, tristeza.

É tudo ossos do ofício.

Modificações, construções, transmutações.

E nada mais.

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11 fevereiro 2005

Histórias de objectos

Conheço um compasso que faz círculos perfeitos. Julga-se original por o fazer.

Eu bem lhe disse que também consigo fazer círculos perfeitos. Mas ele não acredita.

Tive de argumentar n e ele disse-me que errei por completo. É um perfeccionista.

Depois mostrou-me como se faz um círculo perfeito k e eu... eu fiquei sem palavras.

Foi realmente o círculo mais perfeito que já vi.

09 fevereiro 2005

M

"They all say I am dark and pessimistic. Some of my pictures show dark things about men and life, of course. Some of the later ones maybe even are a bit pessimistic. However, I think that all my pictures are portraits of the time in which they were made...I always made films about charecters who struggled and fought against the circumstances and the traps they found themselves in. I don´t think that is pessimistic."

Fritz Lang


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O filme de 1931, M, realizado por Fritz Lang, foi baseado num caso verdadeiro. O realizador, numa entrevista a Peter Bogdanovich, explicou como surgiu a ideia: "I discussed with my wife, Mrs. Von Harbou, what was the ugliest, most utterly loathsome crime and we thought at first it was the sending of anonymous letters (...). But then we both decided that the most horrible crime was that of a child murderer. I had many friends in Berlin's Homicide Department (...) and through them I came in touch with various murderers. Kurten, the infamous killer of Dusserlorf, I never met."

No filme há uma cidade (Dusseldorf) que, há vários meses, é aterrorizada por um assassino de crianças. A polícia tenta, em vão, capturá-lo por diversos meios. No percurso dessas tentativas de captura acaba por "incomodar" outros criminosos que têm os seus negócios em bares, e que se sentem prejudicados, já que as constantes rusgas policiais aos seus estabelecimentos afastam os clientes. Desta forma, iniciam também eles uma caça ao homem, acabando por conseguir capturá-lo. No fim, levam-no até uma cave onde o espera uma multidão furiosa e ansiosa por fazer justiça pelos seus próprios meios. No entanto, o assassino acaba por ser salvo pela chegada da polícia ao local.

O objectivo de Fritz Lang com este filme era abordar novas temáticas na sua filmografia. O realizador precisava de novos desafios e decidiu fazer um filme mais profundo, acabando por se embrenhar numa história de contornos negros e claustrofóbicos. Muitos viram neste filme o retrato de uma época - a decomposição da sociedade germânica na Alemanha pré-Hitler. A figura do monstro, quase patética, de aparência tão inofensiva e olhos esbugalhados, foi interpretada como símbolo do então ascendente nazismo - prenúncio das atrocidades que alguns anos mais tarde seriam cometidas nos campos de concentração. Para esta associação contribuiu o facto de o título original do filme, Os Assassinos estão Entre Nós (Morder Unter Uns) ter sido modificado para M após a pressão que foi feita nesse sentido, pois temia-se que o título fosse considerado pelos nazis como uma alusão directa ao seu regime.

Hoje, no entanto, é difícil ver em M qualquer alusão política ou profética desse género. O filme mostra-nos antes uma aguda sátira social, em que Fritz Lang explora, com subtil ironia, os efeitos do pânico colectivo. Simultaneamente perseguido pela polícia e por criminosos organizados, que o perseguem por se sentirem prejudicadas nos seus negócios, o assassino não passa de um pobre doente mental, vitima da sociedade. Dominado por uma incontrolável compulsão homicida, ele não pode deixar de matar, ao contrário de seus perseguidores, os mendigos e criminosos profissionais, que poderiam deixar de fazê-lo, se quisessem realmente trabalhar. O sarcasmo atinge o clímax na extraordinária sequência do fim em que o próprio princípio da justiça é colocado em causa.

O tema forte deste filme é a crítica social. Aliás, o próprio realizador sempre elegeu como os seus filmes preferidos aqueles que abordavam esta temática, como M ou Fury (1936). Para Fritz Lang, a "crítica social" era uma crítica do mundo social nas suas leis e nas suas convenções, uma crítica a um sistema e à própria civilização. A perseguição ou "caça ao homem" que é feita neste filme e, mais tarde, retomada em outros filmes do realizador, acaba por ter um efeito surpresa. Ou seja, partimos de um sentimento de compreensão pela dor dos familiares das vítimas para um sentimento de pena por aquele homem gorducho de olhos grandes. O assassino, quando perseguido, acaba por se tornar ele próprio uma vítima. Essa sensação começa com o assassino a olhar para o seu reflexo numa montra, olhando para si próprio, e termina na sequência final, durante o seu discurso. Nesse discurso, a personagem de Peter Lorre faz a sua confissão, mas é uma confissão que nos confunde, que inverte as regras do jogo porque o temível psicopata revela-se então como uma vítima, um doente mental com uma personalidade complexa. Assim, o que começava por ser um filme sobre um crime terrível, acaba também por ser um estudo sobre um assassino patológico e um olhar para dentro da sociedade e dos seus sistemas.

Por fim, um aspecto interessante a realçar neste filme é também o facto de não existir uma história de amor, ao contrário da maioria dos filmes de Fritz Lang. No entanto, este facto parecia provocar um certo orgulho ao realizador, como se pode constatar neste excerto da sua entrevista a Peter Bogdanovich, "Tell me, why should a story about a child murderer hurt anybody's feelings? There's no love story, I grant you (...)" .

M é um marco na história do cinema, um dos primeiros filmes sonoros que soube usufruir dessa nova técnica de uma forma tão perfeita, que tirando os sons essenciais já referidos, é um filme, de resto, extremamente silencioso. Na época do surgimento das palavras e da euforia do cinema sonoro, Fritz Lang soube conter-se e dar-nos o som mais forte – o silêncio. Ou como diria João Bénard da Costa na sua própria análise a este filme, "Tudo reside num assobio e numa dança. Ou seja, no cinema."

03 fevereiro 2005

Only Angels Have Wings

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Tudo indica que este pode ser o ano da consagração de Martin Scorsese. No entanto, se ele realmente ganhar, vai ser mais um disfarçar do embaraço de nunca terem dado uma estatueta a este grande cineasta do que pelo filme em si. Scorsese já mereceu mais o oscar, por várias vezes, do que pelo The Aviator.

The Aviator é um épico biográfico que retrata a vida do magnata Howard Hughes, um milionário excêntrico, apaixonado por aviões, cinema e belas mulheres. O filme acompanha a vida de Hughes dos final dos anos 20 aos anos 40, altura em que desenhou e construiu aviões, produziu e realizou filmes, bateu recordes, se relacionou com actrizes míticas, como Ava Gardner e Katherine Hepburn.

Scorsese reconta esta vida cheia de extravagâncias e paixão, num filme que, apesar de tudo, não me cativou. O Gangs de Nova Iorque, para pegar num filme recente do realizador, pode não ser perfeito, mas transpira sentimentos. Este The Aviator é um filme "frio". É a biografia de um homem apaixonado e extravagante, mas é também a história de um homem cheio de fobias e um comportamento obsessivo, só que o filme acaba e eu fiquei com a sensação de que aquela personagem nunca me cativou realmente. Pode ser uma personagem difícil, é um facto, mas com uma vida tão rica e intensa, não sei o que faltou.

No entanto, não estranho os prémios e nomeações que o filme tem recebido. O filme tem todas as características de um clássico por ser uma história repleta de mitologia americana. Leonardo di Caprio cumpre, mas talvez seja por causa dele que a personagem não me cativou. O meu destaque vai para a fabulosa interpretação de Cate Blanchet. É incrível a "sua" Katherine Hepburn - todos os maneirismos, expressão corporal e forma de falar estão lá, mas sem se tornar uma caricatura. Uma pessoa fecha os olhos e parece que está a ouvir a Katherine Hepburn original.