Os 10 melhores filmes que vi ao longo de 2004:
01. Eternal Sunshine of the Spotless Mind (Michel Gondry)
02. Lost in Translation (Sofia Coppola)
03. Before Sunset (Richard Linklater)
04. The Village (M. Night Shyamalan)
05. Kill Bill: Vol. 2 (Quentin Tarantino)
06. Anything Else (Woody Allen)
07. Big Fish (Tim Burton)
08. The Terminal (Steven Spielberg)
09. Colateral (Michael Mann)
10. 21 Grams (Alejandro González Iñárritu)
A desilusão:
La Mala Educación (Pedro Almodóvar)
Alguns que provavelmente estariam na lista se os já tivesse visto:
Infernal Affairs (Wai-keung Lau, Siu Fai Mak), The Station Agent (Thomas McCarthy), La meglio gioventù (Marco Tullio Giordana), The Dreamers (Bernardo Bertolucci), Spring, Summer, Fall, Winter... and Spring (Kim Ki-duk), Comme une image (Agnès Jaoui), The Door in the Floor (Tod Williams) e 5x2 (François Ozon).
03 janeiro 2005
Cinema 2004
02 janeiro 2005
O Quiosque da Utopia II
"Entre as avenidas Bakunine e Tomas Morus, existe um quiosque destinado a recolher as sugestões dos cidadãos.
Em letras já um pouco apagadas, pode ler-se "O futuro que estamos a construir é para si. Por isso queremos saber qual a sua utopia. Deixe aqui a sua sugestão. Obrigado".
Nada indica que ministério ou departamento instalou o quiosque e nunca se viu algum funcionário recolher as respostas.
Há quem diga que o quiosque é uma farsa e o Estado não quer saber dos sonhos e aspirações dos cidadãos...
- Uma cidade-jardim, hectares e hectares de zonas verdes e espelhos de água. os carros são substituídos por uma eficaz rede de trnsportes públicos (tudo eléctrico, está claro).
- Uma suite num hotel de luxo, cheia de luz, ar condicionado, lençóis levemente perfumados, mini-bar sempre fornecido, uma cesta com frutos tropicais, arranjos florais de extremos bom gosto.
- Uma sociedade sem classes, onde os amanhãs cantam... estou a brincar. Não posso dizer, senão deixava de ser a minha utopia.
- É não haver pobres.
- É não haver ricos.
- A utopia é exactamente onde estamos agora, só que muito, muito melhor.
- Um dia quente, de céu azul, o joelho não me dói e o Estrela de Danzig ganha em casa por 3-0.
Outros defendem que os governantes decidiram adiar a utopia enquanto os cidadãos não chegarem a um consenso.
In O Quiosque da Utopia
O Quiosque da Utopia I
"O número 66 da Avenida Katchor, que faz esquina com a rua Calvino, é um armazém anódino, onde antes se localizava a sede do Sindicato dos Videntes Viviseccionistas Vegetarianos, extinto aquando da inesperada contaminação da reserva mundial de batata com o mortífero vírus da Lógica.
Todos os dias, às 15 horas, as janelas do sotão abrem-se pontualmente de par em par, como que movidas por mão invisível. Um ritual que se repete, quaisquer que sejam as condições meteorológicas, e mesmo que o vento de sul torne o odor da Fábrica de Lipo-Sucção, ou o som do ensaio da Pior Banda do Mundo, particularmente insuportável.
Durante a tarde chegam incontáveis mensageiros ciclistas, equilibrando com dificuldade estranhos pacotes de formas irregulares. É difícil adivinhar o que contêm. Livros, discos, adereços de filmes antigos, peças de carros fabricados na década de 50, letreiros de néon avariados. Os mensageiros nada revelam, e nunca se demoram no interior. Partem sempre com outras encomendas indecifráveis, no rosto o sorriso inconfundível de quem acredita em utopias. O que não deixa de ser estranho, já que o Serviço de Entregas Casuístico, a que pertencem, é conhecido pela sua incapacidade crónica de fazer corresponder a um qualquer cliente a encomenda que lhe é devida.
Pela noite dentro escapam-se das janelas iluminadas alguns compassos de melodias cativantes, cujo nome escapa aos transeuntes; ou de músicas perfeitamente identificadas, mas que ninguém parece ser capaz de trautear. Até que as portadas ocres se voltam a fechar sem ruído, por volta da meia-noite.
Há muito que um dos passatempos favoritos da vizinhança (que hoje se reduz à numerosa família Borges) consiste em fantasiar sobre a identidade e profissão do misterioso locatário, oculto por detrás das cortinas de linho tirolês. Um gigante bosquímano jóquei? Um serrilhador de selos amblíope? Uma caçadora de coincidências desempregada? Um decifrador de criptoacústica surdo do ouvido esquerdo? Uma anã lituana inspectora de tectos? Uma manicure daltónica?
Ou um famoso Professor Catedrático do Curso de Sequências de Desenhos Metidos em Caixinhas e Misturados com Palavras, leccionando na filial portuguesa da universidade Imaterial? Talvez mesmo o mais mítico de todos. Aquele que, sob vários peseudónimos, lecciona as cadeiras de Ironia Inquieta, Acasos Quotidianos Obscuros e Irrealidade Poética.
Não que os Borges investiguem o caso com demasiado afã. Como todos aqueles que alguma vez se encontraram numa situação semelhante, temem que a verdade seja muito menos interessante do que as suas conjecturas."
João Ramalho Santos, Prefácio a "a pior BANDA DO MUNDO apresenta O Quiosque da Utopia"
Fallen angel
Fallen angel
Who's your saviour tonight
You're surrounded
by these walls
and neon lights
Hungry people
move like waves
behind the beat
Where's the big drum
Where's the feel of body heat
Where's the big drum
Where's the feel of body heat
Fallen Angel - Neil Young
01 janeiro 2005
Um novo ano
"As vidas continuam a ser vividas, e cada um de nós fica testemunha do seu próprio pequeno drama."
No País das Últimas Coisas - Paul Auster
30 dezembro 2004
Second [star] to the right

"When the first baby laughed for the first time, the laugh broke into a thousand pieces, and they all went skipping about. And that was the beginning of fairies."
Hoje vi J.M. Barrie no cinema. O filme é Finding Neverland e conta-nos como o escritor descobriu a inspiração para escrever a sua história mais famosa.
Peter Pan sempre foi das minhas histórias favoritas de infância, ao lado de Alice no País das Maravilhas ou O Feiticeiro de Oz. Tanto que tenho dezenas de livros, todos do Peter Pan, em várias línguas, de vários formatos e tamanhos, mas todos com a história de J.M. Barrie.
É uma história muito mais adulta do que as sucessivas adaptações nos fazem crer. Não é apenas a história de um menino que voa e que vive com piratas, sereias e meninos perdidos na Terra do Nunca. Mas também a história de um menino que não quer crescer, e quantos de nós não temos esse receio de envelhecer?
A Terra da Rádio
"Conheci um guitarrista que dizia «a minha amiga rádio».Sentia um parentesco menos com a música do que com a voz da rádio. A sua qualidade sintética. A sua voz única, distinta das vozes que a atravessam. A sua capacidade de transmitir a ilusão de gente a grande distância. Dormia com a rádio. Falava para a rádio. Discordava da rádio.Acreditava numa Terra Longínqua da Rádio. Como achava que nunca encontraria esta terra, reconciliou-se consigo mesmo limitando-se a ouvir a rádio.Acreditava que tinha sido banido da Terra da Rádio e condenado a errar eternamente pelas ondas sonoras, ansiando por um posto mágico que o devolvesse à sua herança há muito perdida."
22/12/79
Homestead Valley, Ca.
Crónicas Americanas - Sam Shepard
O sonhador II
"Os sonhos, esses territórios para onde somos levados sem querer."
Diário de um Killer Sentimental - Luís Sepúlveda


