27 fevereiro 2009

The Reader

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O leitor é Michael Berg que, em 1995, recorda o passado, quando no final dos anos 50, quando tinha apenas 15 anos, conheceu uma mulher mais velha, Hanna Schmitz. Juntos começam uma relação que se veio a revelar plena de descobertas. O início sexual para Michael. A literatura para Hanna. Leituras que se tornam um hábito durante o Verão em que decorre o romance, até que um dia, Hanna desaparece.

Alguns anos depois, Michael, agora um estudante de Direito, assiste ao julgamento de várias mulheres alemãs, elementos das SS, acusadas de serem responsáveis pela morte de centenas de mulheres judias durante um incêndio numa igreja. Entre as mulheres no banco dos réus está... Hanna Schmitz. Michael não conta a ninguém que conhece aquela mulher. E durante anos esconde esse segredo até que, em 1995, finalmente conta a sua história à autora do livro que levou à condenação de Hanna, para lhe entregar um legado da mulher que amou tantos anos antes.

The Reader parte de um romance de Bernhard Schlink. Um livro e um filme sobre segredos e sobre a procura de identidade de uma Alemanha no pós-guerra. Mas mais do que um livro e um filme sobre o Holocausto, esta é uma história sobre uma geração que procura expiar, quem sabe compreender, os actos da geração anterior. Para contar esta história, o realizador Stephen Daldry volta a utilizar as elipses e as trocas temporais, mas o que funcionava em The Hours, aqui revela-se acessório. Enquanto via o filme, só pensava em como o livro devia ser fantástico. Como debaixo de todo aquele artifício estava uma excelente ideia. A procura da expiação, a metáfora do analfabetismo, aquela pergunta a certa altura "What would you have done?", a culpa. Essas ideias estão no filme, mas a mensagem fica enfraquecida pelas escolhas do realizador. Porque o filme de Daldry, arrebatador nos primeiros momentos, acaba por se perder no seu próprio trocadilho cronológico chegando ao final, quando a catarse devia tomar lugar, já sem qualquer força.

4 comentários:

gonçalo jordão disse...

De facto, o livro é fabuloso. O filme não. O óscar é justíssimo para Kate Winslet - foi é através do filme errado...
Cumprimentos!

Cláudia disse...

Já o comprei, começo a ler assim que terminar o actual. Quanto ao Oscar devia ter chegado, por exemplo, com Little Children.

gonçalo jordão disse...

Não sei se compraste a mesma edição que eu tenho - a minha anuncia na capa "O romance alemão de maior sucesso desde O PERFUME", o que me pôs de pé atrás por algum tempo (o livro foi-me oferecido). Mas decidi-me a dar-lhe uma hipótese e 'colei' literalmente ao fim de poucas páginas.
Concordo com o Little Children, isto é, concordo que a interpretação de K.W. é magnífica, embora ache que o filme nem por isso (ai aquela voz off...), sobretudo se pensarmos no sublime filme anterior de Todd Field, IN THE BEDROOM...

Cláudia disse...

Sim, é essa. Nunca gosto das frases que colocam nos livros, especialmente as que se colam a sucessos alheios. A leitura está em stand-by, mas mais dia menos dia, pego-lhe.

Quanto ao Todd Field, gosto muito dos 2 filmes.