03 fevereiro 2009

The Happening

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Aconteceu. Pela primeira vez fiquei desiludida com um filme de M. Night Shyamalan. As expectativas eram consideráveis tendo em conta que até hoje gostei de todos os filmes do realizador de Filadélfia. Até The Happening, achei o seu percurso peculiar e corajoso no meio do Cinema actual. O seu olhar, a sua forma de contar histórias, a arte de filmar e de criar ambientes. Quando soube da premissa da história ainda o filme estava a ser filmado, ao ver o primeiro poster, o primeiro trailer, achei realmente que Shyamalan ia voltar a superar-se depois da encantadora fábula de Lady in the Water. No entanto, apesar da premissa que continuo a achar boa, o resultado final é desapontante.

Shyamalan, que continua a dar-nos filmes sobre fé e medo, desilude aqui no lado humano da história. Não sei se por falha do argumento se por falta de direcção de actores, a verdade é que a raros espaços senti uma ligação às personagens. O tom artificial dos actores não ajudou, chegou mesmo a incomodar-me, a distrair-me da história que estava a ser contada. E foi aí que me senti desiludida. Porque o carácter humano das histórias tem sido uma das forças matrizes da filmografia de Shyamalan.

Os melhores momentos do filme são as primeiras cenas no Central Park, que reúnem uma inquietação estranha e os medos e memórias do 11 de Setembro. Também notável é a forma como Shyamalan nos transmite uma sensação de claustrofobia apesar de quase todo o filme se passar a céu aberto, no campo. E depois o facto de, em tempos de exageros tecnológicos, nos fazer sentir outra vez medo do desconhecido. Um agitar de folhas, um restolhar de vegetação, um baloiço que range num braço de árvore. No entanto, estes aspectos positivos não salvam o filme. Além da falta de ligação das personagens, Shyamalan é desastrado na forma pouco subtil como faz passar a mensagem ecológica, nomeadamente através do casal que lhes dá boleia. Um pouco mais conseguida, ainda assim, é a ligação entre o anel das cores e o esquecimento da que representa o amor. Verde. Como a Natureza.

12 comentários:

Insano disse...

Desde o "Signs" que esse senhor tem uma cruz em cima... vade retro... :P

Thanatos disse...

Bem... eu já desde A Vila que tinha deixado de o considerar "must see".

É triste quando vemos alguém com tanto potencial enveredar por caminhos menos sólidos. Mas é a vida.

Paulo disse...

Eu gosto do filme, mas acho que globalmente fica aquém dos seus outros trabalhos. Ainda assim, os méritos que referes no último parágrafo são fortes demais para não gostar realmente :-)

wasted blues disse...

Insano: pois, quem não gostou das obras anteriores ainda vai gostar menos deste "The Happening"!

Thanatos: como sabes, gosto dele como realizador e contador de histórias, mas com este fiquei desiludida. Vamos ver o próximo!

wasted blues disse...

Paulo: nunca disse que odiava o filme, mas fiquei desiludida ;) As interpretações roçam o amadorismo, por exemplo.

looT disse...

Tal como o Paulo gostei do filme precisamente pelo mencionas no último parágrafo. É suspense muito bem filmado que não via em Cinema há um bom tempo (que me lembre pelo menos).

Mas concordo também com o os defeitos que apontas, é o filme com menor ligação às personagens dele (dos que vi).

Cumprimentos

Nuno Gonçalves disse...

Adorei este filme. E penso que esse lado humano está bem presente na forma como ele constrói aquela nova família do nada. Tem grande fôlego dramático, ainda que subtil, e resulta muito bem no decorrer de todo o suspense. E enquanto autor continua a apresentar a sua visão sem olhar a críticas ou insatisfações globalizadas.

No entanto, é engraçado que os dois melhores filmes dele - The Village e a obra-prima Lady in The Water - são considerados fracassos só porque sim.

Fifeco disse...

Por acaso não considero o filme tão mau como o proclamaram aquando da sua estreia. Sem dúvida que poderia ser melhor. Ainda assim, e em tons gerais, posso afirmar que gostei. De qualquer das formas, o meu predilecto do realizador é o Unbreakable.

Fifeco disse...

Mas o que realmente me incomodou (bastante) foi a interpretação do Mark Wahlberg. É possivelmente um dos maiores erros de casting da história da sétima arte. Ou então, uma das piores direcções de actores da história da sétima arte. Seja como for, a sua performance é abominável.

wasted blues disse...

Loot: não consigo dizer que não gostei nada ou que odiei por esses pontos que especifico no texto, mas como um todo o filme desapontou-me mesmo e não atribuo isso às expectativas.

Nuno: eu sei que adoraste, mas desta vez não o consigo defender como o fiz e tenho feito quanto a The Village e Lady in the Water, 2 filmes de que gostei bastante (ao contrário de tantos).

Fifeco: de facto, tanto ele como outros actores estão muito estranhos neste filme. O meu favorito é The Village mas o Unbreakable é muito bom também!

Paulo disse...

Eu sei, eu sei. Também não disse que o odiavas :-P Mas também concordo com o facto de os actores não estarem particularmente inspirados, e Mark Wahlberg estar estranhamente mal. O ano anterior parece que não lhe correu muito bem em termos profissionais. Mas olha que gostei mesmo muito do John Leguizamo.

wasted blues disse...

Era dos que estava menos mal ;)