30 janeiro 2009

Milk

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Gosto do Gus van Sant experimental e independente. De Elephant, de Gerry, de My Own Private Idaho. O outro não me entusiasma tanto e não suporto mesmo certos projectos que lhe passaram pela carreira. Agora regressou a esse caminho mais mainstream, mas soube trazer consigo a sensibilidade e o olhar que cultivou nos últimos projectos. E Milk torna-se, por isso, um filme equilibrado e interessante. Muito mais acessível do que os filmes que já referi, é um filme que não cai na banalidade, no facilitismo em que tantos outros filmes que se inspiram em vidas reais acabam por cair.

O retrato que Gus van Sant nos faz de Harvey Milk é honesto e comovente. Um homem que aos 40 anos decide que é tempo de mudar, abandonando uma vida confortável para assumir a sua natureza. Um homem que conhece o amor da sua vida, Scotty, e se muda com ele para a Castro Street, em plena São Francisco dos anos 70, sem saber ainda que essa decisão o iria colocar na história. Um homem que não só sai do armário, como transforma essa saída num movimento político espontâneo, que desafia convenções e preconceitos.

Com a ajuda de imagens de arquivo, Gus van Sant sabe manter o tom certo da história que quer contar. Não é Gus van Sant que apela à causa homossexual, que pede aos gays para se assumirem, mas sim Harvey Milk que os recruta numa mistura de razão e coração, enquanto fala de esperança e mudança. Um líder inesperado que chora quando finalmente vence. Estava mais habituado a perder. Mas os méritos não vão só para o realizador e a história que escolheu contar. Para isso, conta com Sean Penn. Confesso que não está entre os meus actores favoritos e até considero que muitas vezes repete o registo, mas aqui Sean Penn é Harvey Milk.

7 comentários:

Paulo disse...

Concordo com basicamente tudo, excepto com o comentário a Sean Penn - não o de estar bem no filme, porque está excelente, mas o de não figurar entre os favoritos ;-)

wasted blues disse...

Gosto do trabalho dele em projectos pontuais como Milk ou 21 Grams, mas geralmente não me cativa e não é factor de decisão para ir ver um filme ;)

Nuno Gonçalves disse...

Há que mencionar Mystic River também :)

De qualquer maneira, concordo também com tudo o que disseste, nomeadamente no facto do Van Sant ter conseguido trazer as suas experiências dos últimos sete anos para o cinema dito mais mainstream, "desbanalizando-o" por completo. Um filme original e eximio na sua feitura.

wasted blues disse...

Sim, Mystic River, bem lembrado. Embora aí o filme não dependa tanto dele como no 21 Grams ou este Milk.

menina limão disse...

não me lembro de um Gus Van Sant de que não tivesse gostado, mas, exceptuando isso, concordo com tudo o que dizes no primeiro parágrafo. e nos outros, vá. gosto do Sean Penn, mas percebo a crítica.

wasted blues disse...

Limão, não posso com o Good Will Hunting, por exemplo...

menina limão disse...

ah, esse. vi-o quando saiu, mas era demasiado novinha para hoje manter a minha apreciação. ando para revê-lo há muito tempo. no entanto, compreendo-te perfeitamente - fonte segura [a pessoa mais parecida comigo que há em tudo] disse-me o mesmo.