29 janeiro 2009

The Curious Case of Benjamin Button

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The Curious Case of Benjamin Button não herda muito do conto que lhe dá nome. Uma história de F. Scott Fitzgerald, escrita nos anos 20, sobre um homem que nasce velho e se torna jovem com o passar dos anos. Essa premissa está no filme de David Fincher que, no entanto, segue outros caminhos para contar esta história. O resultado é um fascinante e tocante filme sobre o passar do tempo. Sobre a essência da vida e da morte e todos os momentos que temos pelo meio. E daquilo que dura para além desse tempo que nos é dado.

Sempre gostei do tempo. Das questões do tempo, das histórias que o contornam, que desafiam os seus limites. Dessa obsessão que nos faz pensar, por vezes, no tic-tac dos relógios e dos segundos, dos momentos que passam e não podem ser repetidos. Como este segundo em que escrevo esta palavras, estas linhas, e que não se pode repetir. Porque não haverá outro segundo igual a este. Admito, por isso, que o meu fascínio por The Curious Case of Benjamin Button passe por todas estas questões. Mas não só. Este é um filme que podia, facilmente, perder-se na sua premissa curiosa. Mas o tom de fábula sobre um homem que vive ao contrário não se perde à medida que conhecemos a sua história. Benjamin Button desde cedo agradece cada ano que vive, depois de lhe terem dito que não viveria muitos. Rodeado de idosos, no lar onde vive, cedo aprende também a lidar com a morte, com a perda daqueles que ama e conhece. E enquanto acompanhamos Benjamim a tornar-se mais jovem na aparência e a amadurecer com experiência de vida, também percebemos como triste pode ser o destino de um homem que nasceu no dia em que um relógio foi criado para trazer o tempo de volta.

Nem todos somos tocados pelas mesmas histórias, pelos mesmos temas. Uma canção, um livro, um filme, uma pessoa, tudo nos toca de forma diferente. A mim, este curioso caso tocou-me. A vida de Benjamin, as pessoas que conheceu, a sua Daisy, os lugares que descobriu, as viagens que fez, numa vida igual a tantas outras, se não fosse aquele tic-tac ao contrário. Mas mesmo nessa lógica, Benjamin procura o que todos procuramos. Aproveitar momentos, fazer escolhas, viver. Essa vontade de viver, porque o tempo nos persegue, seja por que ordem for.

8 comentários:

Nuno Gonçalves disse...

Um filme que de facto poderia cair num lugar comum terrivel em lugar de ser este objecto único de cinema de uma reflexão muito sóbria e "iluminadora". E há que dar a David Fincher grande parte desse crédito.

Isabel disse...

É precisamente esse tom de fábula do filme que nos prende e ele. No mundo de Benjamin a vida e a morte andam de mãos dadas. Perante o rol de situações que ele vive, aprende a conhecer, a ultrapassar tanto uma como a outra. A vida é mesmo assim: vida e morte, luz e escuridão, alegria e tristeza. "O Curioso Caso de Benjamin Button" aborda toda esta complexa temática com alguns toques de humor ou de ironia do destino. Concordo com a tua opinião sobre este filme, é uma das mais coerentes que já li.
cumprimentos :)

Paulo disse...

Acho que lhe faltou algo para o elevar a um patamar intocável, mas para além dos seus aspectos menos positivos, a história comovente, a entrega dos actores e a riqueza visual do filme merecem todos os aplausos possíveis.

wasted blues disse...

Nuno: sem dúvida!

Isabel: obrigado :)

Paulo: acho que não faltou nada, para ser 100% objectiva até acho que podia ter a menos certas coisas. Mas no seu todo, é uma obra comovente e que me arrebatou!

looT disse...

É um belo filme sem dúvida. Mas fiquei com a mesma sensação que o Paulo, faltou algo que o empurrasse para o patamar mais elevado, não sabendo muito bem o quê.
Até escrevi sobre o filme na tentativa de obter essa resposta e não sei se consegui :P

De toda a filmografia de Fincher fez-me recordar o Zodiac, por toda a importância dada ao tempo, mesmo que em géneros diferentes.

No entanto não o considerei propriamente um fábula, pois é incrivelmente real salvo a excepção de que ninguém envelhece ao contrário.

wasted blues disse...

Ao leres as minhas últimas linhas verás que também acabo por também lhe atribuir essa realidade. Mas, para mim, o tom do filme é de fábula (e como qualquer fábula tem uma lição, neste caso, a vida).

E ainda bem que temos sensações, gostos diferentes, senão isto era muito aborrecido ;)

looT disse...

Confesso que já tinha lido o texto há algum tempo, estava a pensar mais no lado fantasioso da fábula do que na sua lição de moral quando a mencionei.
Nessa perspectiva também partilho da opinião :)

wasted blues disse...

:)