20 dezembro 2008

Wall-E

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O ano é 2700 e a Terra foi deixada ao abandono. A paisagem é desoladora, há ruínas ao lado de torres intermináveis de lixo. Não há vida, não há verde nem azul. Mas, de repente, no meio desse nada, surge Wall-E.

Há vários séculos que está sozinho, os outros robôs avariaram. E ele continua a tarefa para a qual foi criado, recolher o lixo deixado pelos humanos. Mas tantos anos de solidão transformaram o pequeno robô. Desenvolveu uma consciência e uma personalidade curiosa. Recolhe e colecciona objectos diferentes, tão comuns hoje em dia como um cubo mágico, um isqueiro ou um filme em VHS que vê e revê vezes sem conta, o musical Hello Dolly. Mas esta vida solitária de Wall-E muda com a chegada de um outro robô, EVE. Que foi enviada à Terra para procurar vestígios de vida pelos mesmos humanos que abandonaram o planeta.

O realizador e autor do argumento, Andrew Stanton, imaginou esta história de amor e com uma forte mensagem ecológica ainda nos anos 90. Mas só depois de Toy Story, Monsters, Inc. e Finding Nemo achou que chegara o tempo de Wall-E. Um filme ternurento que nasceu de uma pergunta - E se a humanidade fosse embora e se esquecesse de desligar o último robô?

A Pixar, que coloca sempre a fasquia alta, aqui volta a superar-se. Wall-E é um prodígio não só da animação como da capacidade de contar boas histórias. Enquanto outras produtoras se distraem com a mais recente tecnologia, a Pixar continua a ser a única (a Ghibli está noutro patamar) a saber combinar com mestria a fria tecnologia com o encanto de uma boa narrativa. Quantos seriam, por exemplo, capaz de arriscar, nos dias de hoje, um filme que não tem uma única palavra durante mais de meia-hora? E, ainda por cima, num filme de animação. Poucos, diria eu.

PS - Ao contrário de There Will Be Blood, vi Wall-E quando estreou. Mas, na altura, o blog andava adormecido.

6 comentários:

Ricardo disse...

Adormecido ando eu que desde que estreou que quero ver mas, por um motivo ou outro, vai passando. Talvez não passe deste fim-de-semana.

Se a mensagem ecológica fazia sentido nos anos 90 (e talvez desde o pós-guerra que faz sentido) e continua hoje ainda a ser perspicaz, eu faço sempre a leitura destes filmes (e aqui adianto-me visto que tiro esta ideia pelo que sei do filme em segunda mão) pelo lado humanista. Não será certamente coincidência que os robots tenham mais espírito que os humanos. São questões que, embora duma outra forma, também foram magistralmente abordadas por Spileberg em A.I.

Nuno Gonçalves disse...

É um dos meus filmes do ano e talvez o melhor da fábrica de arte que é a Pixar, afirmando-se filme após filme. Parece ser a única herdeira do verdadeiro espírito da Disney da época clássica, que não tinha medo em arriscar e empurrar os limites do esperado, como ainda ontem comprovei depois de rever o soberbo Sleeping Beauty passados todos estes anos.

O Wall-E é perfeita nessa primeira meia-hora e perto da perfeição na restante duração. A mensagem é óbvia mas nunca panfletária e no cerne de todo o enredo está uma comovente história de amor e amizade, que rivaliza as que são travadas entre seres humanos. Não costuma ser uma técnica - a de transferência de sentimentos exclusivamente humanos para animais ou objectos inanimados - que me agrade, mas aqui foi explorada com uma sofisticação e pertinência magnificas.

wasted blues disse...

Ricardo: este vi 2 vezes no cinema! Gosto do teu ponto de vista, mas aqui os humanos até têm espírito, estão é apáticos, adormecidos, conformados.

Nuno: arrisco dizer que ultrapassou Monsters, Inc. no meu top Pixar. De resto, sublinho todas as tuas palavras! :)

Fifeco disse...

Por vezes o silêncio pode ser belo (ignoro Gerry de Van Sant que se torna irritante) e é isso que o cinema possibilita. A beleza das imagens sem qualquer palavra ser proferida, seja através da animação ou "cinema real". E é aí que Wall e vinga em todo o seu esplendor.

wasted blues disse...

Um dos filmes do ano (para mim, pelo menos) ;)

menina limão disse...

Não posso concordar sempre contigo, que queres? :P

Aqui discordo quase totalmente. Este filme é uma desilusão: tem 30 primeiros minutos brilhantes e depois descamba numa historieta desinteressante e convencional. Claro que tecnicamente continua com a elevada qualidade a que a Pixar nos habituou.