03 novembro 2008

P.

Tinha os mais belos olhos azuis do Cinema. Que também eram risonhos. Um ar íntegro. De beleza clássica. Era um menino de Ohio. Mas foi para Nova Iorque. E tornou-se um símbolo do Actor’s Studio. Seguiram-se mais de 70 filmes em cinco décadas de carreira. Foi muitas vezes o carismático anti-herói. Ou o rebelde. Apesar do ar. Ou por causa dele. Foi Luke. Cool Hand. Foi Butch, Rocky, Brick. Também foi Eddie. Fast Eddie. Conheceu o amor da sua vida nos anos 50. Ela também actriz. Partilharam a vida e o ecrã. Dez filmes no total. Outra paixão foram as corridas. Dizia que não havia nada como o som de um motor V-8. Participou nas 24 horas do Le Mans. Terminou no segundo lugar. Liberal nas convicções políticas. Fez parte da lista de inimigos de Nixon. Durante o Watergate. Dizia que um homem sem inimigos era um homem sem carácter. Era solidário. E generoso. Ganhou um Óscar depois da Academia lhe ter dado o prémio de carreira. Ainda não estava preparado para deixar o Cinema. Esses adeus aconteceria em 2007. Por sentir que já não podia dar à Sétima Arte tudo o que gostaria. Alguns anos antes também deixou um epitáfio. Desapareceria no dia em que os seus olhos ficassem castanhos. Já vos disse que ele tinha os mais belos olhos azuis do Cinema?

4 comentários:

looT disse...

Excelente escolha para regressar com esta rubrica, relembrando Paul Newman um grande actor que partiu à tão pouco tempo mas que será sempre lembrado por ter "os mais belos olhos azuis do cinema".

Miguel Marujo disse...

saudades da letra só. :)

Mafalda Azevedo disse...

Eu ouvi este texto na TSF. E adorei! Parabéns!

Izzi disse...

E tinha mesmo..