09 abril 2008

No Country For Old Men

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A moeda atirada ao ar para decidir destinos é a imagem de marca de um misterioso assassino que ronda uma pequena cidade do Texas. A paisagem é de western, mas os bons e os maus confundem-se por aqui. Os tempos são outros, vaticina uma voz rouca. As terras de cowboys e índios deram lugar aos traficantes de droga. A violência é fria, os valores estão em falta. E essa voz rouca não se revê no que o rodeia. Porque este país não é para velhos.

Levelyn Moss é a presa da figura vestida de negro. Um veterano do Vietname que, ao encontrar o palco mortal de uma negociação de droga que correu mal, leva consigo uma mala com dois milhões de dólares. Mas o sonho do dinheiro rápido coloca-lhe um "homem pior do que a peste" no encalço. Anton Chigurh... "Sugar"?... de seu nome. Um fantasma, frio, de poucas palavras, psicótico e violento. Sempre acompanhado pela dita moeda e uma pressão de ar.

No Country For Old Men teve origem no livro de Cormac McCarthy. Filme de silêncios, de suspense, de alguns longos diálogos e quase sem música, onde não habita apenas a violência mas também a reflexão herdada do livro que o inspirou. Sobre o tempo que passa e as mudanças que ocorrem. Sobre a cara e a coroa. Sobre as decisões que tomamos e as consequências desses actos. Uma grande obra dos Coen cujo final não vou esquecer tão cedo. Como aquela figura negra não pode desaparecer, porque faz parte de tudo. Como, por instantes, algo lhe foge ao controlo porque alguém ousou quebrar-lhe as regras. Brilhante.

5 comentários:

Cataclismo Cerebral disse...

Gostei bastante do filme, embora não o apelide de brilhante. Gostei do desencanto face à propagação do mal e da aleatoriedade perversa do cara ou coroa. E aquela fotografia é de génio...

Abraço

wasted blues disse...

O brilhante é mais para o final, tão incompreendido. O filme acho muito bom, mas há outros dos Coen de que gosto mais.

RJ disse...

É sem dúvida muito bom. A interpretação de Javier Bardem é de uma força impressionante, num personagem que marca profundamente o espectador.
O tom frio e negro do filme, a forma como retrata o tema da evolução dos tempos em termos de violência, é assombrosa.
Também não sei se será o melhor, mas é brilhante.

looT disse...

Não tenho um grande conhecimento da filmografia dos Coen, por isso este é mesmo um dos meus favoritos (se não o favorito) deles. Já não me entusiasmava assim com um vilão há tanto tempo.

nelio disse...

é impressionante como conseguimos sentir quase ternura por uma personagem tão patológica. acho que aí é que reside o fascínio do filme.

grande blog!