14 abril 2008

Juno

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Comédia que chega do circuito independente, Juno é a história de uma gravidez inesperada. Com apenas 16 anos, Juno sabe que não está preparada para ser mãe. Por isso, resolve dar o seu filho (ainda por nascer) a Mark e Vanessa, um casal infértil. Temas que, à partida, seriam complicados mas que o filme sabe contornar, escapando aos clichés do género, sem moralismos desnecessários. Repleto de diálogos palavrosos e "espontâneos", o filme é também uma história de crescimento. De como Juno se vê confrontada com decisões que exigem maturidade e se descobre a si própria. Porque a Juno que conhecemos no início não é a mesma rapariga que encontramos no final.

Quando o filme começou a ganhar popularidade, cedo surgiram as comparações a Little Miss Sunshine. Entende-se porquê (embora prefira a família disfuncional da carrinha amarela). Filmes independentes, visões originais de temas complicados, uma coolness contagiante e bandas sonoras escolhidas a dedo. Mas, apesar de ter gostado de ambos, não deixo de sentir alguma sobrevalorização. Principalmente em Juno que, por vezes, exagera na tal coolness, ansiando pela diferença e originalidade, descurando alguma da naturalidade que gostamos de ver nestas personagens.

Ainda assim, Juno é de uma frescura que sabe bem. Um feel good movie que Ellen Page interpreta com graça e inteligência. "I'm a planet", grita a certa altura, e não podia estar mais certa.

8 comentários:

Ricardo disse...

Concordo em absoluto contigo. Sobrevalorizado!

Cataclismo Cerebral disse...

Completamente de acordo. É um título simpático, mas altamente inflamado. Depois, a questão de querer debitar pérolas a toda a hora cheira a forçado. Ainda assim, conta com a entrega vital de Ellen Page :)

Alan Smithee disse...

Pois eu discordo cara Wasted. Juno é mesmo bom. Existe uma sinceridade única na construção dos personagens, sempre muito verosímeis e honestos. Existe em Juno uma vontade palpável de observar a adolescência como ela é, e não como os adultos imaginam que ela seja. Neste contexto, Juno não é apenas um filme que se debruça sobre os jovens. É, de certa forma, um filme jovem.

Sem exagero, Juno é o tipo de filme que eu poderia de assistir todas as semanas. É um filme sobre comunicação, entendimento e escolhas. Um filme sensível, honesto, inteligente e “porreiro” como poucos.

Joana disse...

hmm, um dos meus filmes favoritos concerteza ^^
não só por ser único mas por ser subtilmente inteligente e (também) dramático

cumprimentos :)*

wasted blues disse...

Alan e Joana: tal como refiro no texto, eu gosto do filme e também eu o acho inteligente na sua abordagem a temas complicados. Mas subtileza não vejo e sim algum exagero na tentativa de ser constantemente cool.

b disse...

Hmm, frescura é uma palavra que é muito usada em relação a este filme, mas não sei se seria a palavra que usaria. Parece-me bastante conservador/convencional, quer em termos ideológicos quer em relação ao próprio estilo.

wasted blues disse...

b: conservador e convencional? "Juno"? Gostava de ler mais para perceber o teu ponto de vista.

Alvy Singer disse...

A noite de Juno foi também a noite de Haverá Sangue. Sessões duplas deste calibre não acontecem todos os dias. Primeiro, a pequena Ellen, só depois foi a vez de Daniel Day-Lewis. Não subscrevendo inteiramente as linhas do post, posso afirmar que, após um bom filme, pude constatar que havia ainda algo melhor. Também, ao lado de uma obra-prima, quem é que não fica a perder?