08 abril 2008

Do contra

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Charles Heston não era um grande actor. E como pessoa defendia valores com os quais não me identifico. Por isso, este blog não lhe presta qualquer homenagem.

PS - na imagem, em Touch of Evil (de Orson Welles).

21 comentários:

Peeping Tom disse...

Bela homenagem.

wasted blues disse...

Eheh, já estava à espera dessa! ;)

Miguel Marujo disse...

:P Por mim, muito bem dito! O "Touch of Evil" é/seria sempre um grande filme, mesmo sem Heston. Hoje, a crítica diria que o rapaz seria um canastrão... E "facho"!

João Gaspar disse...

até que enfim.

Vicissitude(s) disse...

Idem.

Miguel Domingues disse...

Não me identifico com os valores que ele "pregava" e nem gosto da maioria daquilo que vi dos filmes que protagonizou. Agora, tem um dos mais importantes DeMille e um Welles de topo no currículo. Só por isso, a meu ver, merece a homenagem.

Cumprimentos

Ricardo disse...

Concordo com o Peeping ;)

Rbobson disse...

Foi um actor sem grande talento, mas muito bem dirigido pelos seus realizadores, em todos os filmes onde participou.

RIP

Cataclismo Cerebral disse...

Absolutamente de acordo! Disse isto num outro blog mas repito: como homem detestava-o e enquanto actor não me entusiasmava (apesar dos bons filmes onde entrou).

Abraço

Insano disse...

Tu dá-lhe gaja!!


Assino por baixo!

Cid, o Campeador disse...

É perfeitamente legítimo que não se concorde com as convicções políticas do sr. Heston (sobretudo as que manifestou nos últimos anos, não é?), mas agora vilipendiar o seu trabalho como actor afigura-se como uma cretinice de tal maneira faraónica, que nem o próprio Cecil B. DeMille a conseguiria reproduzir nos seus monumentais cenários de cartão pintado. Mas adiante. Para todos aqueles que duvidam do talento de Heston como actor, e todos os outros de memória muito curta ou muito tendenciosa, recomenda-se vivamente a visão de uma singela cena de um filme relativamente recente em que Charlton Heston, sim, essa colossal montanha granítica de fibra e carisma, aparece por apenas 3 minutos. E nesses 3 minutos enfia literalmente no bolso gente da estirpe de Sir John Gielgud, Jack Lemmon e Brian Blessed, entre outros. Falo de Hamlet de Kenneth Branagh (1996). Podem encontrar a referida sequência no youtube e constatar com os próprios olhos aquilo que parece ser ignorado por todos: Heston era dos raros actores americanos a conseguir interpretar Shakespeare e a fazê-lo bem!

wasted blues disse...

Aos que concordam comigo, não é preciso dizer nada.

Aos que não concordam, paciência.

E, Cid, respire fundo. Vi vários filmes com o Charles Heston, os suficientes para ver um actor sempre igual, sem qualquer rasgo de genialidade, sem expressão. Era um actor, não era um grande actor, na minha opinião (sublinho esta parte porque parece que não a entendeu no post). Os poucos filmes que gosto com ele no elenco, gostaria na mesma se ele não estivesse lá. Caso de "Touch of Evil", por exemplo.

Cid, o Campeador disse...

É óbvio que te limitaste a expressar a tua opinião no post, cara Wasted. Só não gostei da forma como desvalorizaste em poucas linhas uma notável carreira de 50 anos no cinema e no teatro, como se Heston fosse o mais ignóbil dos actores da Hollywood clássica. Garanto-te que não é, e aconselho-te a veres mais filmes com o Actor para constatares como ele não é sempre igual nem mantém a mesma expressão em todas as sequências. Já agora, chegaste a ver o Ben-Hur todo ou ficaste apenas pela corrida de quadrigas? De qualquer forma, aconselho-te o visionamento de outros títulos menos óbvios da sua carreira como "A Agonia e o Êxtase", "Major Dundee", "Will Penny", "Soylent Green" ou o que referi no comentário anterior, o Hamlet do Branagh. Se não tiveres paciência para ver o filme todo (são 240 minutos de duração), podes só visionar a sequência em que ele aparece no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=t6As8EJwTsQ

wasted blues disse...

Cid: meu caro, cultivo o bom hábito de não falar sobre o que não sei ;)

Vi bastantes filmes que Charles Heston protagonizou, incluíndo vários dos que referiu e ainda mais alguns. Porque, acima de tudo, considero-me amante de Cinema e não é um actor menos bom que me impede de ver obras às quais reconheço valor.

Para mim, 'grande actor' é uma distinção que atribuo a outros nomes, nunca a Charles Heston. Se não concorda, está no seu direito, mas não está no seu direito acusar-me de "desconhecimento", "cretinice" e de "vilipendiar" seja o que for só por ter uma opinião diferente da sua.

Quanto a "chegaste a ver o Ben-Hur todo ou ficaste apenas pela corrida de quadrigas" e "se não tiveres paciência para ver o filme todo", são tiradas que só demonstram que não conhece de todo o blog onde lançou tão furiosos comentários.

Cid, o Campeador disse...

Bem, já que a caríssima autora do blogue insiste em tratar-me na terceira pessoa, vou ter de ser recíproco, por uma questão de cortesia “noblesse oblige”.
Mas indo mesmo ao que interessa: em primeiro lugar devo garantir-lhe que, ao contrário do que terá percebido, não foi minha intenção colocar em causa a legitimidade da sua opinião, apenas me incomodou a natureza algo indigente dos argumentos que utilizou para a sustentar. Depois, resolveu vir justificar-se com essa frase mais que batida: "cultivo o bom gosto de não falar sobre coisas que não sei". É claro que acredito piamente na sua palavra, mas, se me permite a observação, quem lê expressões tão redutoras como "era um actor sempre igual, sem qualquer rasgo, sem expressão", fica com a nítida sensação que a Wasted, se não tem um conhecimento algo parcial da filmografia do actor, pelo menos deve ter visto os filmes já com uma certa bagagem de preconceitos em relação ao mesmo, pois afinal sempre estamos a falar de Charlton Heston e não de Richard Gere ou Patrick Swayze, estes sim verdadeiros canastrões. A verdade é que, quer fosse em épicos históricos, westerns, filmes de ficção científica ou filmes negros como o Touch of Evil, Heston encarnava na perfeição as personagens que lhe eram atribuídas, sendo inteiramente fiel ao seu espírito ao mesmo tempo que as moldava à postura altamente individualista da sua persona cinematográfica, sem que, para isso, fosse necessário sucumbir aos maneirismos do chamado Método Stanislavski. Mas se esta sua "embirração" com o Heston deriva realmente da natureza intrínseca do seu talento enquanto actor (ou falta de talento, na sua perspectiva), por que motivo é então necessário referir logo na segunda frase do post que não se identifica com os valores que ele defendia enquanto cidadão? Será esse aspecto assim tão importante? E que valores refere exactamente? Não foi ele também um convicto liberal nos anos 60? E não estava ele ao lado do Dr. King na grande marcha sobre Washington em 1963, a empunhar um cartaz onde se podia ler “All Men Are Created Equal”, numa altura em que o grande “documentarista” Michael Moore ainda devia andar de triciclo a destilar o imenso humanismo que o caracteriza? Parece-me que esse exemplar activismo cívico que Heston representou na década de 60 também pode e deve ser lembrado, e não apenas o presidente da NRA a vociferar com voz tonitruante: "Over my cold dead hands!" Em suma, o cidadão John Charles Carter foi sempre um homem fascinante, empenhado e fiel às suas convicções, por mais contraditórias que possam parecer. O actor Charlton Heston foi grandioso, mesmo quando era cabotino, um pouco à semelhança desse outro gigante do cinema americano clássico conhecido como John Wayne. E por falar em cabotinismo, então é melhor nem nos lembrarmos de determinadas performances de “monstros” como Sir Laurence Olivier, Marlon Brando, Richard Burton, Peter O´Toole, Al Pacino, Jack Nicholson ou mesmo Robert De Niro, e isto para não chegarmos ao mítico James Dean, mas penso que nem vale a pena ir por aí. Como disse o outro: “It is all a matter of taste, isn´t it? And taste is not the same as appetite, and therefore not a question of morals.” Peço desculpa se me alonguei demasiado, creio apenas que o epicismo que Charlton Heston tão prodigiosamente personificou no grande ecrã merece a homenagem de todos os cinéfilos (independentemente dos quadrantes políticos a que possam pertencer). Parabéns pelo blogue

wasted blues disse...

Quando alguém se dirige à minha pessoa com os "mimos" que utilizou, não espera que o receba como um grande amigo, pois não? Mas agora que a discussão já evoluiu para um nível melhor, posso tratá-lo por tu se preferir.

Assim, se eu concordasse contigo nada do que escrevi até agora seria considerado redutor. Se eu tivesse escrito "Charles Heston era um grande actor, cheio de expressão e rasgo" aposto como nunca te passaria pela cabeça que eu estava a ser redutora, nem tão pouco terias deixado um comment neste blog.

Como não concordo, nem que escreva um texto ainda maior do que aquele que aqui deixaste, nada te vai demover de que eu simplesmente não vi filmes suficientes e por isso, pobre de mim, não tenho iluminação e conhecimento suficiente para perceber o prodígio e as capacidades de Heston para a interpretação.

Não vou repetir a minha opinião, já a conheces. Nem vou enumerar os filmes que vi dele que, garanto, são bastantes e vistos sem preconceitos prévios dos que referes. Como já o disse, adoro Cinema e não é um actor menos bom que me afasta seja de que filme for. Por exemplo, o "Touch of Evil" é o meu filme favorito de Welles.

E, no fundo, já o disseste, é uma questão de gosto.

wasted blues disse...

E bem-vindo ao wb!

Cid, o Campeador disse...

Mas diz-me lá se o cameo dele no Hamlet não é portentoso! E que em 3 minutinhos apenas consegue ofuscar todo aquele "crème de la crème" shakespereano. Na altura, lembro-me que muitos críticos ficaram de tal forma surpreendidos que não acreditavam nos próprios olhos. O Heston respondeu que tinha feito a cena com uma perna às costas e que só lamentava o facto do Branagh o não ter convidado para um papel de maior relevo. E disse também que se esses críticos tivessem acompanhado melhor a sua carreira teatral, não teriam ficado tão incrédulos. Para muitos, ver o Ben-Hur a recitar Shakespeare de forma tão convincente deve ser o mesmo que ver o Stallone a ser acossado pela Liv Ullman num filme do Bergman, não? ;)

wasted blues disse...

Pronto, deixei a supresa para o fim... Imagina só que já vi o filme, sim todos os 240 minutos! Ele está bem, mas não é isso que me faz/fará pensar em Charles Heston como um Grande actor.

Anónimo disse...

isso dos valores é complicado. e os do Griffith? ou do Godard na fase maoista?
não gostares dele como actor já é outra coisa.

wasted blues disse...

Anónimo, depende. Veja o caso de Elia Kazan, as suas atitudes não me impedem de adorar a maioria da sua obra.