08 fevereiro 2008

Sweeney Todd

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Ansiei pela estreia durante meses. Sweeney Todd tinha, à partida, todos os ingredientes (palavra pouco inocente) para ser um ilustre membro do universo criado por Tim Burton. Elementos góticos, Johnny Depp e uma história de contornos exagerados, baseada num mito urbano que nasceu na antiga Londres do século XIX. O mito de um barbeiro cruel que, em 1973, o dramaturgo britânico Christopher Bond transforma num homem à procura de vingança. A peça seria adaptada, seis anos depois, para um musical da Broadway. Ultrapassado o choque da estreia, que levou grande parte do público a abandonar a sala, Sweeney Todd acabaria por alcançar sucesso e prestígio.

Agora Sweeney Todd chega ao cinema, em tons de negrume e sangue, mas a história, que já era simples, torna-se esquemática e até previsível. Tim Burton mantém-se demasiado preso a uma estrutura teatral, movimentando-se em poucos espaços, espartilhando a intriga e o desenvolvimento das personagens. Não menciono aqui as personagens defendidas por Johnny Depp ou Helena Bonham Carter, mas o simplismo do jovem casal ou o pouco espaço dado a Alan Rickman.

Depois, há toda a carga musical. Mesmo sendo admiradora de alguns musicais clássicos (e de alguns menos clássicos), senti que a opção de contar a história através das músicas nem sempre funcionou. Em vários momentos do filme, essa opção torna-se repetitiva e quase monótona. Decerto que há músicas que funcionam muito bem, como é o caso das que se referem às empadas, as piores de Londres e as que têm novos ingredientes; ou ainda aquela onde Johnny Depp brilha, oferencendo os seus serviços pelas ruas sombrias. Mas, em várias alturas, senti que faltou sintonia, ou melhor, harmonia, entre esses momentos musicais e a acção propriamente dita.

No fundo, estas linhas custam-me a escrever. Vi todos os filmes de Tim Burton e alguns são, para mim, verdadeiras obras-primas. Como Ed Wood. Mas Sweeney Todd vive com essa pesada herança. E, por isso, a desilusão.

12 comentários:

Paulo disse...

Infelizmente não posso concordar mais. É uma pena, mas Sweeney Todd desiludiu-me mesmo muito :-(

P.R disse...

Pois... mas um desiludido que se junta ao coro!
O filme não é mau... mas quem conhece a obra de Tim Burton espera sempre mais e Sweeney Tood chega a ser aborrecido de acompanhar...

RJ/KritiCinema disse...

Bem... aqui tenho de discordar, estamos na presença de uma obra-prima!

A história só poderia ser feita como musical, e só assim funcionou tão bem, e as canções estão sempre em perfeita harmonia com a história, que nunca é, aborrecida, muito pelo contrário!
O facto de estar cego pelos sentimentos de ódio, justifica a opção de permanecer tanto tempo na barbearia. É o local onde levará a cabo os seus planos de vingança.

De qualquer forma, respeito a tua opinião. Mas claro que, com este comentário ou com o espaço que já dediquei a falar sobre Sweeney Todd no meu blog, facilmente percebes que não concordo...

É perfeito, como há muito tempo não testemunhava.

Cumprimentos!

Sara disse...

E é por isso que é bom que existam diversas opiniões!

Eu cá adorei! Hehe

halloween 77 disse...

Mais um a juntar à lista dos que discordam... Sweeney Todd é para mim, um belo filme, dos melhores que Burton já realizou... No entanto, quanto ao pouco espaço dado a Alan Rickman, aí tenho que concordar, se Burton tivesse-lhe dado um pouco mais de espaço para brilhar, o filme talvez pudesse ser ainda melhor... mas quem sabe, se a culpa não foi um pouco à vontade do actor com as cenas músicas...

M disse...

Na minha opinião, acho que não conseguiu captar a total essência do filme. Não digo que é o melhor do mestre Tim Burton, mas não é assim como o pinta. Johnny Depp está, novamente, esplêndido (aliás, como em todas as personagens que Burton lhe atribuiu), e, apesar de achar que é Day-Lewis que vai levar a estatueta para casa, a nomeação é mais que merecida. Sente-se um pouco a falta de Danny Elfman na banda sonora, mas esta até acaba por não desiludir. Concordo consigo num aspecto, à personagem de Alan Rickman deveria ter sido dado algum espaço para este demonstrar mais peso e força. Mas, para compensar, temos aqueles minutos com a prestação do Sacha Baron que valem ouro :).

Em suma, temos um grande filme que acaba por cumprir as expectativas (sempre altas) em relação a Tim Burton.

wasted blues disse...

Paulo e p.r: a expectativa era muita, daí a desilusão. Depois, falamos de Burton...

Kriti: já sabia que adoras o filme, vi os 465 posts que fizeste sobre ele ;) Ainda bem para ti, tenho pena que a mim me tenha dito tão pouco.

Sara: exacto, viva as opiniões e as diferenças!

Halloween: estás simplesmente a entrar no campo das suposições... eu dei a opinião sobre o que vi e senti, não sobre o que podia ter visto ou sentido "se" ;)

m: porque não tenho a mesma opinião, não "captei" a essência do filme... hum...

Cataclismo Cerebral disse...

Tenho adiado o visionamento deste filme porque as críticas más que ouço começam a ser mais que muitas. Sei que não o devia fazer, mas é quase inevitável. Mas hei-de arranjar motivação para o ir ver antes que saia de exibição.

Mafalda Azevedo disse...

Estou de acordo contigo. Sem dúvida. E gostei muito mais do musical no Teatro Aberto e estou desconsolada com a prestação de Johnny Depp…
Melhores tempos virão!

Johnny Boy disse...

Mais um "desiludido" aqui...é um bom filme...mas vindo de Tim Burton é pouco...

_Loot_ disse...

Ainda não li o teu texto porque ainda não vi o filme, no entanto já deu para perceber que desiludiu, acho que nunca quis tanto discordar de ti como neste filme :P
Devo-o ver este fim de semana :)

Já agora, já respondi à tua pergunta no pictures e sobre a 5º season de nip tuck, na 4º já se notou um decréscimo da qualidade em relação ás primeiras 3 (para mim as melhores). Esta 5º ainda é pior, que pena :(

Cumprimentos

bruno disse...

desilusão quase intolerável.