12 fevereiro 2008

Paris, je t'aime

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São 18. E, como calculava, compõem um todo desconcertado, onde a maioria das curtas-metragens não transmite nada, muito menos Paris e amor. Paris, je t'aime é um filme em pedaços de cerca de 8 minutos, cada um realizado por um cineasta. Uma manta de retalhos que até podia funcionar em teoria mas, na prática, se divide entre poucos bons momentos e outros completamente dispensáveis, entre uma vasta mediania.

O retalho que mais me tocou foi «Loin du 16ème», de Walter Salles e Daniela Thomas, que conta a história de uma jovem mãe emigrante. Todos os dias, acorda de madrugada e deixa o seu bebé num infantário. Depois de um longo percurso, que separa os subúrbios onde vive do 16ème, descobrimos que o seu trabalho é tomar conta de um bebé.

A beleza desta curta está na sua aparente simplicidade. Mal existem palavras, tudo se conta numa melodia e num olhar. A primeira vez que ouvimos a melodia, ela é acompanhada de um olhar de mãe, com um amor do tamanho do mundo. Tudo está naquele sorriso, nas mãos que se mexem e tocam o bebé, que o fazem sorrir. Mas, quando voltamos a ouvir a mesma melodia, já não há olhar, os gestos são mecânicos e o bebé, que também sorri, aparece desfocado. Uma melodia e um olhar e é tudo. E é tanto.

Além de «Loin du 16ème», destaco ainda as curtas «Quais de Seine» de Gurinder Chadha, «Place des Fêtes» de Oliver Schmitz, «Faubourg Saint-Denis» de Tom Tykwere e «14ème arrondissement» de Alexander Payne.

8 comentários:

Cataclismo Cerebral disse...

Já ouvi de tudo em relação ao Paris Je T'Aime, mas esta crítica vem de encontro ao meu receio. Ainda assim quero vê-lo, nem que seja pela reunião de talentos.

Abraço!

Ursdens disse...

Ainda não vi... De qualquer forma, aproveito para dizer que não gosto de curtas... Acho que, em 5 ou 10 ou 15 ou 20 minutos nunca é possível desenvolver uma verdadeira narrativa...

Acho que o intuito das curtas é didático para quem queira aprender a fazer cinema, mas não é tão interessante para o espectador...

Não que, com isto, queira dizer que não existam curtas interessantes..., apenas que esse não é, na minha opinião, o meio ideal para contra uma "história".

Em suma, sou adepto do cinema narrativo!

Cumprimentos cinéfilos!

Tiago Roldão disse...

Uma desilusao solitaria, para mim.. todos os restantes 5 da excursao em que me encontrava para ver este filmeco pareceram apreciar o raio do filme.. Em suma: nao tendo claro ido a procura, agrada me que o primeiro comentario a este filme que tenha visto (e o filme, ja o vi ha algum..) caia bem com a minha propria opiniao! So por isso acrescentei te aos meus bookmarks, viste? (nao, nao é grande coisa, bem sei...)

menina limão disse...

é um filme desequilibrado, sim, precisamente por oscilar entre curtas muito boas e outras medianas e outras más, mas discordo da selecção. essa a que deste destaque é uma das que pouco me diz. não me recordo dos nomes dos realizadores, mas lembro-me que as minhas preferidas eram a da Natalie Portman e do cego, a dos mimos, a dos velhos divorciados com a Gena Rowlands, a dos irmãos Cohen, a do Gus Van Sant...e acho que era isso. a da turista americana em Paris está engraçada.

mas o que realmente me desconcerta negativamente é a tentativa forçada, cliché e desnecessária de tentar relacionar as histórias no final, formando um mosaico. para quê?! esse é o aspecto que mais me irrita.

RJ/KritiCinema disse...

A curta dos Coen é brilhante, possivelmente das melhores de todo o conjunto, já a coloquei uma vez no blog.

wasted blues disse...

Cataclismo: não digo que seja uma completa perda de tempo, porque não é. Mas um projecto destes, com tantas visões diferentes, teria de ser desequilibrado.

Ursdens: por acaso gosto, têm é de ser muito bem feitas porque têm mais probabilidades de erro, digo eu. Cumprimentos cinéfilos!

Tiago: obrigado pela vista e pelo link ;)

Limonada: sensibilidades diferentes! ;) Também destaquei a da Natalie Portman e também não gosto muito do final.

wasted blues disse...

Kriti: estranho, só recebi o teu comentário depois de ter respondido aos outros.

Pessoalmente, não achei a curta dos Coen nada de especial. Gosto do desempenho do Buscemi (a lembrar os tempos mudos), mas de resto...

paperdoll disse...

adorei o paris je t'aime, com excepção de duas ou três curtas. valeu bem o dinheiro do cinema.