07 fevereiro 2008

3:10 to Yuma

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Em 3:10 to Yuma não há relógios que aumentam de tamanho como acontecia, em High Noon. Ali, os relógios cresciam para nos dar o peso dos minutos, o tic-tac nervoso que Gary Cooper queria parar, enquanto ansiava a chegada de um comboio e de uma vingança. Aqui, o comboio não traz vinganças, leva histórias e prisioneiros. Mas os relógios, que são de bolso, têm o mesmo peso.

Em 3:10 to Yuma também não há renascimentos, porque o Western nunca morreu. Custa-me sempre ler sobre esses alegados óbitos, quando os géneros não acabam, são adaptados, modernizados ou revisitados, como acontece no filme de James Mangold.

Adaptado de um pequeno conto de Elmore Leonard, filmado em 1957, recuperado agora, o filme conta a história de Dan Evans e Ben Wade, dois homens em lados diferentes da justiça, mas cúmplices na natureza. Evans é um homem simples, que procura sobreviver num rancho que morre a cada dia que passa sob a sombra do progresso. Perdeu uma perna na guerra, tem de sustentar a mulher e os dois filhos e há muito que perdeu a confiança em si próprio. Wade é um dos mais temidos bandidos da região, reza a lenda que tem a mão de Deus e poucos escrúpulos.

O destino junta estes homens e um prazo. Evans terá de levar Wade até ao comboio das 3:10 com destino a Yuma. Mas tudo o que se constrói até essa posição dos ponteiros, ultrapassa qualquer prazo, qualquer destino. A cumplicidade separada por valores, os valores unidos pela cumplicidade e a relação entre dois homens, baseada no respeito mútuo e na honra. 3:10 to Yuma é, acima de tudo, um bom Western sobre descoberta e redenção.

5 comentários:

Alvy Singer disse...

É por segundos parágrafos destes, que visito diariamente este espaço. Um texto brilhante, wasted blues.

Cataclismo Cerebral disse...

A tua crítica até me despertou o interesse para o filme, que confesso não ter como uma das prioridades neste momento. Se bem que eu até tenha a filmografia de James Mangold em boa conta.

gonn1000 disse...

Também gostei, ia um bocado desconfiado porque o Mangold nem sempre acerta e não sou grande adepto de Russel Crowe, mas estiveram ambos muito bem.

wasted blues disse...

Alvy: obrigado, és sempre bem-vindo!

Cataclismo: se gostas do género diria para veres ;)

Gonn: também não fui ver com expectativas em alta, mas o filme surpreendeu pela positiva.

Vicissitude(s) disse...

Na mesma linha o «Jesse James» do dominik caracteriza com mais acuidade a América pistoleira.
A meu ver, a questão de "Justiça" não é só tratada de modo colectivo.
A idiossincrasia "moderna" de atingir o verdadeiro é um tema central e abordado no «Jesse James».

A América em crises de vazio idolatrou-o.

Quanto ao filme e ao actor e seus desempenhos são são opiniões demasiado pessoais, embora ache um excesso poético.

O 3:10 to yuma não me atraíu mas o teu texto está completo.