15 outubro 2007

Mon Oncle

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Na casa da família Arpel tudo é novo, electrónico, metódico e moderno. Ali não há espaço para o acaso, para jogos e humor. Tudo tem de estar dentro de padrões e ordem bem definidos. A este universo chega o simpático tio Hulot, um "inadaptado" que faz o contraponto com o resto da família e se torna um herói para o sobrinho.

Jacques Tati constrói, em Mon Oncle, uma crítica ao culto da modernidade tecnológica que da Europa dos anos 50. Para isso, Tati utiliza a sátira para levar ao extremo a interferência das inovações tecnológicas numa casa. Veja-se o genial gag quando a aplicada esposa não ouve os resmungos do marido por causa dos ruídos da sua moderna cozinha e, logo a seguir, é o próprio marido que não escuta a mulher enquanto faz, distraído, a barba.

Ora, o tio Hulot quebra a rotina e traz para este universo o tradicional, o acaso e a alegria de viver, o que faz as delícias do pequeno Gerárd. O tio participa nas suas brincadeiras, é o cúmplice, por vezes de forma inconsciente, das partidas (a "varridela"), um bon vivant de aparência ingénua. Ao contrário de Gerárd, os seus pais fazem tudo para mudar Hulot, desde o arranjinho com a vizinha ("não queremos tapetes") ao emprego na fábrica de plástico. O que se segue são inúmeros momentos de comédia, onde as palavras mal se ouvem, na boa tradição dos grandes filmes mudos de Buster Keaton e Charlie Chaplin.

O tio solteirão, quase uma criança grande, é interpretado pelo próprio Jacques Tati. Uma personagem que recriou em quatro das seis longas-metragens que realizou. Foi este Sábado, que vi na Cinemateca Mon Oncle, o primeiro que vi de Jacques Tati. Agora, confesso, estou muito curiosa para ver outros filmes do realizador.

9 comentários:

Francisco Mendes disse...

Curiosamente, na passada quinta-feira revi em casa "Les Vacances de Monsieur Hulot". Tati é sempre uma proposta indeclinável.

habitante disse...

Pois vais gostar dos outros!
(- eu adoro!!)

Hugo disse...

...vais adorar o resto :-)

Pedro disse...

Lembrome de ver esse filme pela primeira vez numa aula da secundaria e achei uma seeeeca...lol. Tambem tenho de ver os outros!

H. disse...

Também foi o meu 1º Tati e entretanto já vi os do pack Atalanta (que trazem ainda curtas nos extras) e são todos fantásticos. Corre a ver :)

p.s. o pack estava relativamente barato na FNAC há umas semanas (21euros/4dvd)

wasted blues disse...

Francisco: rendi-me e é um pecado cinéfilo que tenho a menos ;)

Habitante: tenho de os descobrir rapidamente! :)

Hugo: também me parece, agrada-me principalmente a ideia do "Playtime"!

Pedro: experimenta ver de novo! Outra idade, outro olhar ;)

Helena: lembro-me de ver esse pack e o Hugo já me disse que as edições são muito boas!

Paulo disse...

Curiosamente, também vi o filme este fim de semana, e não foi na Cinemateca, lol. E é bem catita, é sim senhor :-D

Cataclismo Cerebral disse...

Se gostaste deste vais adorar a restante obra de Tati, em especial o Play Time.

Calvin disse...

O Play Time é simplesmente genial. O gag da Drugstore acaba comigo. :o)