Que juízo é possível fazer de 18 (!) editoras britânicas que não reconhecem um dos livros mais famosos e populares da sua própria literatura?
David Lassman, um escritor com algumas dificuldades em ver os seus próprios trabalhos publicados, resolveu testar as editoras. Enviou o primeiro capítulo de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e apenas alterou o título (para Primeiras Impressões, o nome original da obra) e o nome das personagens. Manteve até a histórica frase de abertura: "É uma verdade universalmente aceite que um homem solteiro, em posse de uma avultada fortuna, precisa de uma esposa." Por fim, assinou o texto com o nome de uma escritora inventada, Alison Laydeen.
Em 18 editoras, 17 reenviaram os textos recusando a publicação porque o texto tinha pouco interesse ou não responderam de todo. Um editor, apesar da recusa, considerou o texto muito original. E apenas um editor reconheceu o estilo de Jane Austen, aconselhando o "autor" a ler a obra da escritora por existirem muitas semelhanças e até um possível plágio.
Reuter 3 - 19-07-2007 8:39:39 - ARTS-AUSTEN/

9 comentários:
Há um nome para isso: iganoros!
LOL, stranger than fiction.
WOW! O mundo está PODRE! Cómico é verdade mas podre...
Será que isso não aconteceu porque pura e simplesmente o tipo de escrita da Austen já nada diz aos editores do século XXI? Ou porque alguns nem sequer se dignam responder a plágios descarados?
Ou será porque na silly season jornalística este tipo de "investigação" dá sempre para chamar as atenções da praia/esplanada aos jaded readers?
Aliás de histórias da carochinha acerca de rejeições está o mercado editorial cheio. Um exemplo recente é a Rowling que foi rejeitada n vezes! Era bom que se acertasse sempre na mouche mas a vida é imperfeita e isto é que lhe dá o sal.
Hugo: incompetentes!
Gonn: eheh ;)
cp: não sei se iria tão longe neste caso, mas desatento sem dúvida.
Ricardo:Há valores universais e intemporais e os livros de Jane Austen estão repletos. Ainda para mais, os anos 90 foram ricos em adaptações cinematográficas que deram outra vida à obra da escritora.
Quanto às rejeições, bem sei que o mundo editorial está cheio delas. Mas 'Orgulho e Preconceito' é "apenas" um dos livros mais populares da literatura inglesa. Em 1995, a mini-série da BBC pôs metade da Inglaterra a suspirar, por exemplo.
Sim a suspirar e não propriamente por causa dos méritos literários. ;)
Quanto ao resto, wasted não sei se fazes alguma ideia de como funciona a slush pile das editoras mas posso adiantar que nenhuma delas lê tudo de fio a pavio. Na maior parte delas vai-se aos primeiros parágrafos e se o autor enviou a obra toda faz-se um zapping até ao final para não ser de todo injusto, mas a verdade é que se o manuscrito não "agarrar" logo ao início então está perdido. E olha que Austen dificilmente agarra ao início. E resta ainda saber quantos dos que leram aquilo não perceberam a marosca... acho que não devemos subestimar a inteligência dos outros baseados em ideias pré-concebidas. É que os bons livros e autores andam por aí... se fosse tudo assim tão mau ninguém chegava á publicação.
Eu não estou a dizer/sugerir que Jane Austen é a melhor escritora de sempre e que os livros são os melhores de sempre [inserir rebolar de olhos] mas tem o seu valor ou não continuaria a ser lida e adaptada tantos anos depois.
"posso adiantar que nenhuma delas lê tudo de fio a pavio. Na maior parte delas vai-se aos primeiros parágrafos" - ele deixou a primeira frase inalterada, a frase mais célebre do livro.
Bom, uma aluna de um curso de Literatura fez uma experiência muito semelhante que foi testar o profe universitário, também ele poeta (ele hoje há tantos!) e dar-lhe um poema de um grande Poeta (esse sim!), mas fazendo-o passar como seu (da aluna), pedindo-lhe a sua opinião para possível publicação. Pois o professor não só não o reconheceu (falha profissional), como lhe disse que "aquele lixo nem para papel higiénico servia!"
Caro anónimo, sem querer duvidar da sua história, convenhamos que tem um início muito "mitos urbanos" ;)
No caso que contei, o senhor em causa tinha um outro interesse em fazer o teste - ele é um dos organizadores de um festival alusivo a Jane Austen que se realiza em Bath, Inglaterra!
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