20 julho 2007

Precisam-se editores...

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Que juízo é possível fazer de 18 (!) editoras britânicas que não reconhecem um dos livros mais famosos e populares da sua própria literatura?

David Lassman, um escritor com algumas dificuldades em ver os seus próprios trabalhos publicados, resolveu testar as editoras. Enviou o primeiro capítulo de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e apenas alterou o título (para Primeiras Impressões, o nome original da obra) e o nome das personagens. Manteve até a histórica frase de abertura: "É uma verdade universalmente aceite que um homem solteiro, em posse de uma avultada fortuna, precisa de uma esposa." Por fim, assinou o texto com o nome de uma escritora inventada, Alison Laydeen.

Em 18 editoras, 17 reenviaram os textos recusando a publicação porque o texto tinha pouco interesse ou não responderam de todo. Um editor, apesar da recusa, considerou o texto muito original. E apenas um editor reconheceu o estilo de Jane Austen, aconselhando o "autor" a ler a obra da escritora por existirem muitas semelhanças e até um possível plágio.

Reuter 3 - 19-07-2007 8:39:39 - ARTS-AUSTEN/

9 comentários:

Hugo disse...

Há um nome para isso: iganoros!

gonn1000 disse...

LOL, stranger than fiction.

CP disse...

WOW! O mundo está PODRE! Cómico é verdade mas podre...

Ricardo disse...

Será que isso não aconteceu porque pura e simplesmente o tipo de escrita da Austen já nada diz aos editores do século XXI? Ou porque alguns nem sequer se dignam responder a plágios descarados?

Ou será porque na silly season jornalística este tipo de "investigação" dá sempre para chamar as atenções da praia/esplanada aos jaded readers?

Aliás de histórias da carochinha acerca de rejeições está o mercado editorial cheio. Um exemplo recente é a Rowling que foi rejeitada n vezes! Era bom que se acertasse sempre na mouche mas a vida é imperfeita e isto é que lhe dá o sal.

wasted blues disse...

Hugo: incompetentes!

Gonn: eheh ;)

cp: não sei se iria tão longe neste caso, mas desatento sem dúvida.

Ricardo:Há valores universais e intemporais e os livros de Jane Austen estão repletos. Ainda para mais, os anos 90 foram ricos em adaptações cinematográficas que deram outra vida à obra da escritora.

Quanto às rejeições, bem sei que o mundo editorial está cheio delas. Mas 'Orgulho e Preconceito' é "apenas" um dos livros mais populares da literatura inglesa. Em 1995, a mini-série da BBC pôs metade da Inglaterra a suspirar, por exemplo.

Ricardo disse...

Sim a suspirar e não propriamente por causa dos méritos literários. ;)

Quanto ao resto, wasted não sei se fazes alguma ideia de como funciona a slush pile das editoras mas posso adiantar que nenhuma delas lê tudo de fio a pavio. Na maior parte delas vai-se aos primeiros parágrafos e se o autor enviou a obra toda faz-se um zapping até ao final para não ser de todo injusto, mas a verdade é que se o manuscrito não "agarrar" logo ao início então está perdido. E olha que Austen dificilmente agarra ao início. E resta ainda saber quantos dos que leram aquilo não perceberam a marosca... acho que não devemos subestimar a inteligência dos outros baseados em ideias pré-concebidas. É que os bons livros e autores andam por aí... se fosse tudo assim tão mau ninguém chegava á publicação.

wasted blues disse...

Eu não estou a dizer/sugerir que Jane Austen é a melhor escritora de sempre e que os livros são os melhores de sempre [inserir rebolar de olhos] mas tem o seu valor ou não continuaria a ser lida e adaptada tantos anos depois.

"posso adiantar que nenhuma delas lê tudo de fio a pavio. Na maior parte delas vai-se aos primeiros parágrafos" - ele deixou a primeira frase inalterada, a frase mais célebre do livro.

Anónimo disse...

Bom, uma aluna de um curso de Literatura fez uma experiência muito semelhante que foi testar o profe universitário, também ele poeta (ele hoje há tantos!) e dar-lhe um poema de um grande Poeta (esse sim!), mas fazendo-o passar como seu (da aluna), pedindo-lhe a sua opinião para possível publicação. Pois o professor não só não o reconheceu (falha profissional), como lhe disse que "aquele lixo nem para papel higiénico servia!"

wasted blues disse...

Caro anónimo, sem querer duvidar da sua história, convenhamos que tem um início muito "mitos urbanos" ;)

No caso que contei, o senhor em causa tinha um outro interesse em fazer o teste - ele é um dos organizadores de um festival alusivo a Jane Austen que se realiza em Bath, Inglaterra!