22 julho 2007

Death Proof

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Pam: Is that cowboy wisdom?

Stuntman Mike: I'm not a cowboy, Pam... I'm a stuntman.

De todas as imagens que compõem Death Proof, a minha escolha recaíu no melhor boneco - Stuntman Mike - composto pelo ícone dos anos 80, um greasy cool Kurt Russel. Porque esse boneco é, de facto, o melhor que Tarantino nos oferece por detrás de todas aquelas curvilíneas mulheres e citações cinéfilas.

Sir Alfred Hitchcock costumava dizer que self-plagiarism is style e o realizador que nos deu Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Jackie Brown e Kill Bill, aprendeu bem a lição. Se nos filmes anteriores, deu nova vida a referências que lhe marcaram a vida de cinéfilo, injectando cultura pop em diálogos rápidos e palavrosos, trazendo de novo à vida símbolos de outras eras e homenageando os seus géneros favoritos, agora Death Proof recicla tudo isso até ao limite.

Aqui não há subtileza nem piscadela de olho. Há uma mais do que assumida homenagem, perto de uma tentativa de renascimento de um género que marcou uma época muito particular - o fenómeno Grindhouse. A diferença é que Tarantino vasculhou esse cinema imundo e sórdido, mas acaba por não não sujar realmente as mãos. Há riscos na película, há saltos na projecção, há defeitos cromáticos, há o roçar da agulha no vinil, há um som cru solto pelo ar... mas tudo isso é pensado, criado, estudado, propositado. É um vintage artificial.

Mas eu sou fã de Tarantino...

E tudo isto não me surpreende, diverte-me. Aqueles diálogos que já ouvi com outras palavras e temas, aquele anseio pela próxima música da banda sonora, na esperança de descobrir outro tema que estava perdido no esquecimento, aquele look anos 70 de carros de linhas rectas, aquelas piscadelas ao seu próprio universo - isto é Tarantino.

Impossível não esboçar um sorriso ao telemóvel que soa a twisted nerve, o carro de amarelo vivo e riscas pretas, os planos de pés femininos, o estirar lânguido num sofá, as foot massage, a referência a Zatoichi, o xerife que fala com o "son number 1", o fato de cheerleader que diz vipers, as tasty beverages, a jukebox que nos mostra Misirlou e a dupla de Daryl Hannah que roubou o namorado de Abernathy... isto é Tarantino.

As críticas mais negativas que surgem acerca deste projecto a meias com Robert Rodriguez são as mesmas críticas, talvez mais ácidas, que li na altura de Kill Bill. Normalmente, acusam Tarantino de falta de originalidade e de depender demasiado de outros universos cinéfilos que são revisitados e copiados com um ar moderno e kitsch. Não vou negar que compreendo a natureza dessas críticas mais mordazes, mas enquanto vejo um Tarantino completamente divertido a fazer o que faz, a respirar cinema por todos os poros... não lhe consigo levar a mal. Ele que continue a divertir-se e a divertir-nos, mas espero que o próximo filme seja algo brilhante... pois Death Proof é (apenas) um delicioso aperitivo.

PS - Há muito tempo que não ouvia palmas num cinema (festivais à parte)!

10 comentários:

Paulo disse...

Na sessão a que fui também se aplaudiu, e eu cá não me contive. Aquele é o melhor final de sempre :-D

wasted blues disse...

Eu também não me contive! :D

H. disse...

Na minha sessão não houve palmas mas acredito que o divertimento era partilhado pelos que lá estavam. Homenagem sentida e diversão eficaz. Que mais se pode pedir no Verão? ;)

Sara disse...

Mas olha que isso das palmas é relativo... Eu já ouvi palmas no final do "Harry Potter and the Order of Phoenix" e do "8 Mile"!

(provavelmente sou eu que vou ver os filmes errados, às sessões erradas, nos cinemas errados =D)

Vou vê-lo amanhã, quase de certezinha! Estou ansiosa...

Francisco Mendes disse...

Também me diverti à fartazana, mas de Tarantino espero mais... muito mais. Nunca o levo tão a mal, mas custa-me ver tanto potencial "desperdiçado" em referências cinéfilas... por mais apetitosas que sejam.

E tributo, tributo era utilizar o exacto orçamento dos filmes em questão... isso é que seria puxar dos galões contemporâneos ;)

Francisco Mendes disse...

E no poster oficial falta o patinho do carro... :(

wasted blues disse...

Helena: mais filmes! :D

Sara: não foram palmas "normais", foram palmas de satisfação duma sala que ria em uníssono! Foi engraçado de ver/partilhar! :)

Francisco: daí eu falar em vintage artificial ;)

Robin disse...

Eu até gosto de pés, não gosto, perco-me com pés, mas ia ficando curado.
Freud não faria melhor.
O filme é uma espécie de corte e cose a cheirar a chulé.
Inteligência nicles.

tussis disse...

Na sessao a que fui apladiu-se tanto. O unico aplauso que eu tinha presenciado tinha sido no inicio do StarWars EpIII e foi so com o looming do logo. Mas neste filme - eu, que nunca serei facilmente da 'geracao Tarantino' por so ter 17 anos, tendo visto o Pulp Fiction na cinemateca e o Kill Bill em sessoes roubadas a TVI, aplaudi com gosto e ri-me com ainda mais. E facil entender porque fez o Tarantino este filme, porque sim. Pela sensacao de estar numa sala de cinema rodeada pelo sentimento que tenho ca dentro.

Menphis_Child disse...

Só no sábado que fui ver o filme.

Troquei a praia pelo filme, e que troca, não me divertia tanto.