11 abril 2007

Pearls Before Breakfast

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O Washington Post resolveu, há dias, pedir a Joshua Bell para tocar no metro de Washington. Trata-se "apenas" de um dos mais famosos violinistas do mundo e tinha nas mãos o seu Stradivarius de 1713, avaliado em 3,5 milhões de dólares.

Ora, Bell tocou durante 45 minutos na estação L'Enfant Plaza, no centro de Washington, entre as 7h15 e as 8h00, mas o violinista foi praticamente ignorado pela maioria das 1.097 pessoas que passaram à sua frente durante esses 45 minutos.

O músico disse ao jornal que se sentiu estranho face à indiferença - "num concerto eu fico irritado se alguém tosse ou se um telemóvel toca. Mas na estação de Metro as minhas expectativas rapidamente diminuíram. Comecei a ficar agradecido pelo mínimo dos reconhecimentos, mesmo um simples olhar. E fiquei muito agradecido quando alguém punha um dólar na caixa e não apenas alguns trocos."

Mas nem tudo é mau. Duas pessoas marcaram a diferença. A primeira foi um inspector dos Correios que se dirigiu para o topo das escadas onde Bell estava quando este começou a tocar "Chaconne", de Bach. John Picarello escutou Bell durante nove minutos e disse ao jornal ter notado de imediato que se tratava de um violinista soberbo e admitiu ter ficado espantado pelo facto da música não estar a interessar a ninguém.

A segunda pessoa foi uma funcionária no Departamento do Comércio. Stacy Furukawa reconheceu o violinista pois tinha estado num concerto do músico há três semanas. Disse ao jornal que não pôde acreditar no que via... "Joshua Bell a tocar à hora de ponta e as pessoas passam, não olham e alguns atiram moedas de 25 cêntimos para dentro da caixa do violino. Vinte e cinco cêntimos! Que tipo de cidade é esta em que isto pode acontecer?"

Podem ler mais pormenores sobre a história aqui, com direito a vídeo também.

5 comentários:

PE disse...

perturbador este episódio, sem dúvida. mas marca a ideia dos dias passados com indiferença; dias, e vidas inteiras. vidas com "outras" sensibilidades, múmias andantes com ouvidos de pedra; ou apenas, vidas distraídas.

Ricardo disse...

Tivesse sido noticiado mais amplamente o valor do violino e logo viam... :-)

Pergunto-me também se o mesmo se passasse por cá se o resultado não seria o mesmo. Afinal esta ideia de que nos EUA são todos uns broncos já "cheira" a primarismo.

Notem que os dois atentos foram funcionários públicos! Diz muito da classe :-D

wasted blues disse...

pe - dias que só marcam passo...

ricardo - não coloquei a notícia para chamar bronco a este ou aquele povo, mas pela singularidade da experiência. Acredito que cá e noutros países aconteceria exactamente o mesmo.

PS - quando vens à cidade? ;)

Nuno Pires disse...

Mas é verdade que o metro de Washington não é igual a nenhum outro (que eu conheça). As estações parecem verdadeiros "bunkers". Arquitectura fria e proibição de fazer quer que seja (comer, beber...)

RS disse...

na verdade, é uma bela história. curiosamente, só me fez lembrar o episódio do "pianista sem nome" de há uns tempos.

ah, e quanto ao metro de washington, é um facto que as estações são todas iguais e "proibitivas", mas a mim pareceram-me saídas de velhos filmes de ficção-científica...