22 abril 2007

Indie weekend

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Este foi um fim-de-semana Indie. A primeira sessão foi um (re)encontro diferente com um velho conhecido. Foi estranhamente envolvente ver Chaplin ao som de Coty Cream. Sons electrónicos, água ao vivo e outros acordes originais, que serviram para criar uma nova banda sonora para o filme que Chaplin realizou em 1921. Além disso, foi engraçado assistir a este filme com a grande sala do São Jorge repleta de crianças, algumas de colo. Se o tom triste do início do filme não as fez reagir, assim que o kid, Jackie Coogan, apareceu no ecrã, tudo se alterou. É realmente mágico ver como um filme da década de 20 continua a encantar as novas gerações. Ainda no dia anterior, tinha tido a oportunidade de assistir à mesma magia, quando estive na abertura da Cinemateca Júnior. Antes da cerimónia oficial, o Palácio Foz recebeu duas escolas, com crianças entre os 8 e os 10 anos. Além da exposição, puderam assistir a um espectáculo de lanterna mágica e a uma curta-metragem de Chaplin. O encanto do vagabundo também aí funcionou. E voltou a funcionar no São Jorge, quando o homem dos pés grandes e do bigode pequeno adopta um bebé abandonado. É, tal como diz no início, "a picture with a smile, and perhaps a tear".


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Depois da magia de Chaplin, a desilusão de Ozon. Tal como disse a H., também eu tive um mau pressentimento quando vi aquele genérico de tons rosa e música melodramática. Mas nesse momento lembrei-me que também 8 Femmes tem um genérico algo semelhante e tive esperança numa nova homenagem a Douglas Sirk. Infelizmente, enganei-me. Angel é um "filme de cordel", tal como existem romances desse género. São mais de 2 horas de piroseira banal, repleta de clichés e lugares-comum. Até aceito que a intenção de François Ozon fosse construir um filme para ridicularizar o género literário, mas o objectivo não é, para mim, conseguido. Ozon acaba, sim, por realizar uma obra constrangedora e penosa de assistir. O tom é barroco, tudo tem o mau gosto da sua protagonista e à medida que o filme se arrasta, o pensamento recorrente é "mas isto é Ozon?!".


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Antes de mais, A Scanner Darkly, de Richard Linklater, é baseado em Philip K. Dick. Um autor que já foi amplamente adaptado ao Cinema, basta recordar, por exemplo, os magníficos Blade Runner ou Minority Report. O outro factor que nos chama a atenção para este filme, é a sua força visual. Depois de Waking Life, em 2001, Linklater voltou a utilizar a técnica da rotoscopia. O livro de Philip K. Dick, que deu origem ao filme, baseia-se nas suas próprias experiências com drogas e passa-se num futuro em que os Estados Unidos perderam a guerra contra as drogas. Aqui, Fred é um agente infiltrado que tem como missão descobrir a origem de uma nova substância. Mas aos poucos começa a perder noção da realidade e a sua própria identidade. Filme "palavroso" e ambíguo, com bons desempenhos, mas longe de ser arrebatador.


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Além destes três filmes, assisti também a dois documentários - Excursão, de Leonor Noivo, e «Ex», de Miguel Clara Vasconcelos. O primeiro baseou-se na publicidade que recebemos todos os dias pelo correio. Ou seja, naqueles panfletos coloridos que oferecem excursões a preços módicos, mas que são apenas chamarizes para vendas de faqueiros, serviços de copos e aspiradores mágicos. Um documentário que foi censurado do Doc Lisboa, depois de ameaças da empresa, mas que o Indie teve coragem de colocar em competição. O segundo documentário trata de uma temática estranha mas interessante - ovnis em Portugal. O que interessou ao realizador foi mostrar como é este fenómento estudado no nosso país, quem são as pessoas que discutem o tema. Gostei do facto de não serem feitos juízos, apenas apresentados depoimentos de pessoas que realmente acreditam que existe algo mais. Do fundo de todo o meu cepticismo nesta temática, gostei de saber mais sobre um mundo que desconhecia totalmente em Portugal.

E, claro, não podia deixar de dar os parabéns à C., uma grande amiga, que montou estes dois documentários com todo o seu talento e savoir-faire.

3 comentários:

Nuno Pires disse...

Apesar da decepção que foram o Ozon e o Linklater, foi um bom week-end :)

Os dois documentários confirmam, mais uma vez, o dinamismo e a qualidade deste género em Portugal. Foram, até agora, as obras que gostei mais de ver no Indie.

Alan Smithee disse...

Viste o "THe Hottest State"? Se existe um filme no Indie que me desperta curiosidade é esta obra de Ethan Hawke.

wasted blues disse...

Nuno: um excelente weekend ;)

Alan: ainda não, espero vê-lo na próxima exibição (4ª, 16h00) :)