19 fevereiro 2007

Iwo Jima

Photobucket - Video and Image Hosting

Um momento que ficou na história, captado numa fotografia que se tornou um símbolo. Em Fevereiro de 1945, a guerra estava ganha na Europa, mas continuava no Japão. Em Iwo Jima, onde aconteceu uma das batalhas mais sangrentas, seis soldados erguem uma bandeira americana no Monte Suribachi. Um acto formal que se tornou uma imagem de esperança para o público americano, cansado da guerra.

A fotografia seria publicada em todos os jornais e transformou os soldados que sobreviveram em heróis. Um título que acabaria por se revelar demasiado pesado. Os três soldados que regressaram com vida à América, tiveram depois de percorrer todo o país, para utilizarem o poder do sentimentalismo provocado nas pessoas num esforço para garantir os fundos de guerra.

No entanto, o filme de Clint Eastwood, apesar de estar cheio de humanidade e de estar baseado em bons valores, não resulta totalmente. O filme perde-se numa estrutura confusa, pouco ágil, que nos afasta, espectadores. Numa história que, à partida, tinha tudo para nos sensibilizar, isso acaba por não acontecer. Flags of Our Fathers não é um filme totalmente falhado, mas é um filme que podia ter sido muito mais. E isso que lhe falta deixa-nos um travo de desilusão.

O filme de Clint Eastwood é baseado no livro de James Bradley e constitui um duplo esforço na carreira do cineasta. Se Flags of Our Fathers é o lado americano de uma batalha, pouco depois de terminada a rodagem, Clint Eastwood iniciou Letters From Iwo Jima, o lado japonês da história.


Photobucket - Video and Image Hosting

Iwo Jima é uma ilha vulcânica. Aliás, o próprio nome significa enxofre. É um pedaço de terra de areias negras, sem vida. Mas, nos dias de hoje, representa um túmulo sagrado para os japoneses, pois foi ali que morreram, em 1945, perto de 22 mil soldados imperiais.

Letters From Iwo Jima é, portanto, a segunda parte do díptico de Clint Eastwood. Baseado em cartas de soldados japoneses enviadas para as famílias, o filme mostra-nos como os soldados lutaram pela defesa de uma pequena ilha do Pacífico, mas de grande importância estratégica para o Japão. O filme foca quase sempre o campo de batalha, mas conta-nos também as histórias de alguns destes soldados que deixaram para trás as famílias por uma batalha de honra. Clint Eastwood evoca os códigos de ética destes homens, destinados a lutar até ao limite. Depois de ficaram sem reforços navais e aéreos, e depois, sem comida nem água. É quando o desespero toma conta dos soldados.

A segunda parte do díptico de Iwo Jima é tudo o que Flags of Our Fathers não foi - um filme sublime, de grande intensidade dramática e que sabe desenvolver as suas personagens. Uma obra sobre o absurdo da guerra, de personagens... melhor, de pessoas no limite, que se sacrificam por uma causa. Pessoas que quando chegam à ilha sabem que já estão mortas, que o seu papel é morrer pela honra, pelo país. Filme de fantasmas, de uma simplicidade aterradora e crua, uma obra onde Clint Eastwood quis demonstrar, mais do que nunca, o que considera ser a grande futilidade da guerra - o sacrifício da juventude. Algo, diz o realizador, que não pode ser esquecido.

3 comentários:

Nuno Pires disse...

Ainda não vi Letters...
Gosto da ideia do negativo da fotografia :)

habitante disse...

Não sei.. ( ou sei ) mas este post está muito interessante.
Mesmo.

_Loot_ disse...

Queria ver primeiro o flags e depois o letters para subir na qualidade, mas a vontade de ver o letters é muita e do flags pouca não sei se aguento a espera.