11 dezembro 2006

Man Hunt

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Filme de presa e caçador, do instinto e da natureza. Numa floresta expressionista dos anos 20, sob um luar que lembra Sunrise, move-se uma sombra. Um homem com uma espingarda fixa o seu alvo - Hitler - dispara, mas a arma não estava carregada. Quando repete o gesto, é demasiado tarde. Capturado pela Gestapo, o Capitão Thorndike justifica a sua inocência. Era um jogo, uma caçada pelo prazer, não pela morte.

Prisioneiro, evadido, em fuga, Thorndike passa de caçador a presa. À semelhança do jogo de xadrez que concentra atenções na sala de interrogamento da Gestapo, em Man Hunt as personagens movem-se para se anularem, num mundo onde não pode haver neutralidade. É essa a grande mudança entre Thordike, o caçador do início do filme, e Thordike, como presa no fim, quando só aí encontra um motivo para lutar. Nem que seja um motivo pessoal. Se o filme se passa em 1939, pouco antes do início da II Guerra Mundial, também é verdade que foi rodado em 1941, quando os Estados Unidos ainda não tinham entrado na guerra. Fritz Lang demonstra através de Thorndike que não podemos ser neutros, temos de tomar o nosso lugar no jogo.

E se há cavaleiros num tabuleiro de xadrez, também há peões. E nunca houve um peão tão doce como Joan Bennett. Menina dos olhos doces, apanhada no meio da caçada, caçada ela própria pelo amor. Que chora quando o único homem de quem gosta não a quer. Que volta ao seu eu do dia-a-dia (e que a censura obrigou a disfarçar) quando o único (futuro) beijo é interrompido e a partida de Thorndike se torna inevitável.

Neste filme, onde tudo começou a céu aberto e acaba numa gruta, o tabuleiro de xadrez acaba por se tornar uma questão de vida e de morte, de valores e opções, do individual e do colectivo.

A ler mais, aqui.

2 comentários:

Hugo Alves disse...

Filme magistral

wasted blues disse...

Entre os meus favoritos de Fritz Lang!