23 outubro 2006

Marie Antoinette

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Marie Antoinette é um filme barroco. E pop. Sofia Coppola quis escapar ao típico filme histórico e contar a sua visão sobre a vida de uma adolescente que seria rainha de França. Um filme exigente e um projecto bastante ambicioso que se tornou o mais caro da realizadora até à data. Uma obra que mais do que escapar ao registo do filme histórico, o encena em tons rosa. Aliás, o aviso que era dado pelo trailer, onde ouvíamos Ceremony dos New Order, ganha espaço no filme, onde não só a banda sonora tem travo pop, mas também a imagem e a caracterização.

Maria Antoineta tinha 14 anos quando deixou a Áustria para entrar na corte francesa, um mundo de intrigas, opulência e luxo. Despojada, literalmente, de tudo ao entrar no seu novo país, não era mais do que um menina mimada, a quinta filha dos reis da Áustria. Uma princesinha loira, protagonista de um casamento combinado para manter a harmonia entre o seu país e a França. No entanto, Maria Antonieta não estava preparada para o papel que a história lhe tinha reservado.

Em Versailles, encontra um mundo de ostentação. Ali é uma jovem perdida, sem consciência do mundo real, para além de uma corte onde reinam as aparências, o luxo, o oportunismo bacoco e uma decadência evidente. Casada com o futuro Luís XVI, o Delfim de França, passa os dias entre rotinas que acha ridículas e a procura de formas para ultrapassar a solidão e o tédio. Presa numa união que só viria a ser consumada sete anos mais tarde, Maria Antonieta sofre pressões da mãe, que lhe lembra constantemente a fragilidade do casamento, e do povo francês que a acusa de frigidez e infertilidade.

Aos 19 anos torna-se rainha. Aos 21 é, finalmente, mãe. Mas as acusações e ódio dos franceses não diminuem, acusando-a de gastos desmesurados enquanto o povo passa fome. Maria Antonieta acabaria por encontrar um papel como mulher, mãe e rainha, mas a revolução estava nas ruas num dos períodos mais conturbados da história de França.

Entre qualidades e defeitos, o filme de Sofia Coppola teve, para mim, um grande trunfo. Deu profundidade a uma figura histórica, deu-lhe defeitos e inseguranças, deu-lhe humanidade. Quantas vezes lemos biografias ou quantas aulas de história tivémos em que os protagonistas não eram mais do que personagens. Todos aqueles feitos e episódios que nos impressionavam, mas aos quais, muitas vezes, faltava um cunho humano. Este fime faz-nos pensar em reis, rainhas, conquistadores, marinheiros, descobridores, cronistas e poetas que eram pessoas como nós. Com qualidades, defeitos, manias, inseguranças, amores, ódios. No fundo, com humanidade.

Nota: Ler também os textos do Hugo e da Helena. Porque a minha opinião também anda por lá. Porque se complementam.

12 comentários:

Hugo Alves disse...

Muito obrigado por tão gentil referência :-) É pedir muito pores um link a funcionar no meu nome? ;)

Poesia Portuguesa disse...

Não me tenho arrependido das escolhas que, de certa forma, influenciada pela sua opinião, tenho escolhido.
Este é um filme que não vou perder.

Hoje vim aqui, dizer que lhe "roubei" um Poema que acabei de postar no meu blogue.

Algum inconveniente, será de imediato retirado.

Um abraço e boa semana de filmes... ;)

wasted blues disse...

Hugo - ops... :P

Poesia Portuguesa - espero que gostes do filme!

Quanto à referência, fico embevecida pelo carinho :) Obrigado!

Miguel Marujo disse...

ora, até que enfim! ;) alguém que me fala do filme sem se pôr à espera de que lhe contassem o segredo sussurrado em Lost in Translation. ainda não vi, mas agora verei com outros olhos.

João Ricardo Branco disse...

Wasted Blues,

Com este comentário quero demonstrar a minha admiração por este teu blog. Só muito recentemente o descobri (falha clamorosa da minha parte, que andei desatento estes meses todos), mas já tive oportunidade de consultar os arquivos todos e de recuperar o tempo perdido. Trata-se de um espaço personalizado e criativo, com opiniões inteligentes, pertinentes e muito bem escritas. É um blog que vale realmente a pena! Muitos parabéns.

Quanto ao «Marie Antoinette», devo dizer que percebo a tua admiração pelo filme, mas infelizmente não a compartilho. De Sofia Coppola prefiro o minimalismo apaixonante desse objecto notável que é «Lost in Translation».

Cumprimentos cinéfilos de um novo admirador,

wasted blues disse...

Oh bolas... e eu que nunca sei o que dizer quando recebo um elogio! Obrigado! :)

Quanto aos filmes da Sofia, apesar de ter gostado deste 'Marie Antoinette', devo deixar claro que prefiro 'The Virgin Suicides' e 'Lost in Translation'. O segundo, principalmente, deixou-me deslumbrada quando o vi no cinema, o mesmo não aconteceu agora ;)

Joana C. disse...

É um filme lindíssimo que vem só confirmar (mais uma vez) o enorme talento da Sofia Coppola!

Joana C. disse...

É um filme lindíssimo que vem só confirmar (mais uma vez) o enorme talento da Sofia Coppola!

Dora disse...

Ainda não vi mas quero muito ver.

AA disse...

Vi ontem... é um filme bonito, mas sem linguagem. Muito pouco expressivo, alguma irreverência new age, banda sonora anacrónica. Mau sinal, lembrava-me do Liaisons Dangereuses e do Amadeus. Algum sentido de burlesco, nenhum de tragédia, reduzida ao "engravida, filha". Imagens muito ricas, mas montagem francamente fraca, e cinematografia incoerente (e pouco hábil com a luz). Versailles num formato pequeno... que desperdício. Última comparação: Barry Lyndon.

H. disse...

Sofia Coppola continua a apaixonar-me com a sua visão cinematográfica de estados de alma. Marie Antoinette, com todo o seu "barroco", não é excepção.

... e obrigada pela referência cara Wasted Blues :)

wasted blues disse...

Ora essa, minha cara! :)