04 outubro 2006

Lady in the Water

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Há muitos anos, comecei a rabiscar pensamentos e a passar para o papel poesia que não rimava. Um dia, num desses apontamentos, escrevi... a criança não morre, brinca às escondidas.

Em Lady in the Water fica bem claro, desde o início, que estamos perante uma fábula, repleta de personagens e de mitologia. O próprio genérico afasta os mais realistas, porque não esconde a natureza do filme. Ali vamos entrar num outro universo, regido pela fantasia. Ali há personagens estranhas e com certas particularidades. Há regras, linguagens, códigos e simbologias próprias, ao sabor da imaginação mais fértil. Ali entra quem quer acreditar.

Cleveland Heep, interpretado por Paul Giamatti, é o encarregado de um condomínio em Filadélfia, chamado The Cove. Homem triste e solitário, perdido na rotina de pequenas reparações nos apartamentos, não espera grandes emoções da vida. No entanto, algo inesperado acontece...

Na piscina do condomínio alguém tem nadado durante a noite, um horário proibido. Mas ela não sabe disso porque não é deste mundo. Ela é Story, uma Narf, uma ninfa do mar, que vem do Mundo Azul com uma mensagem para a humanidade. Story, interpretada por Bryce Dallas Howard, precisa da ajuda de Cleveland para completar a missão e para escapar a um monstro que a persegue. O resto... o resto fica para quem gosta que lhe contem histórias.

Lady in the Water é conto para crianças em forma de filme. Quase ouvimos as páginas a serem viradas à medida que a história nos é contada. Claro que se não aceitarmos acreditar, tudo nos parece ridículo e tolo. Mas aos cépticos restam as bolinhas negras e o mundo real. Apesar de achar que Lady in the Water não é um filme tão bom como os anteriores, nomeadamente The Village, considero que M. Night Shyamalan consegue criar com mestria todo um mundo paralelo de fantasia cujas personagens invadem o universo dos humanos. É caso para dizer... a criança não morre, brinca às escondidas.

19 comentários:

Thanatos disse...

"O resto... o resto fica para gosta que lhe contem histórias."

Não falta escrever aí alguma coisa?

Bem... que hei-de dizer. Esta tua opinião conseguiu ter o condão de me fazer querer ver o filme, coisa que depois de "A Vila" eu pensava ser quase impossível.

Digamos que, tal como tu escreveste, também eu acredito que a criança anda escondida e por vezes é tímida.

wasted blues disse...

Faltava o "quem"... isto de escrever textos de madrugada é o que dá ;)

Fico contente por ter tido o condão, o resto fica por tua conta!

Cornelius Fudge disse...

Olá! Tens um blog espectacular, esse filme em português intitula-se "A Senhora da Água".
Olha, se quiseres visita, por favor, o meu blog "Harry Potter News" para saberes as últimas notícias sobre os filmes e livros de Harry Potter. O link do site é http://harrypotternews.blogs.sapo.pt
Aproveita e comenta... Xau

PE disse...

é como um "sonho"; e nos sonhos vale tudo... não é assim?!

é um filme belo. gostei muito.

H. disse...

Como já tinhas reparado, a nossa opnião do filme é deveras similar...
Lady in the Water é conto para crianças em forma de filme... e eu gosto de ouvir histórias... :)

filipe disse...

'bolinhas negras'.. humm.. gostei.. quando aparecia o 'crítico' só me lembrava do mexia..
e sim.. não tira o lugar à 'vila'..

Nuno Pires disse...

Eu só vi "The 6th sens" e "Unbreakable". Adorei o primeiro e já não achei grande interesse o secundo. O que não me deu vontade de ver os outros... :/

Knoxville disse...

Sou acérrimo admirador de 6º Sentido e Unbreakable, não gostei de Signs e nunca vi "The Village". Lady in the Water fica para depois de The Village. Gosto de seguir tudo direitinho.

Cumprimentos Wasted!

wasted blues disse...

Cornelius Fudge - obrigado pelo elogio! Quanto ao título, prefiro usar os nomes originais dos filmes ;) E irei, com certeza, visitar o teu blog, até porque li e vi as histórias do Potter.

pe - "Os sonhos, esses territórios para onde somos levados sem querer." como escreveu uma vez o Sepúlveda ;)

H. - também eu :)

filipe - apesar de não ser crítica de cinema, vi o filme em visionamento de imprensa. Foi engraçado ver os críticos a rir deles próprios.

Nuno Pires - confesso que só a partir do 'Signs' é que conheci realmente o Shyamalan. Porque foi a partir desse filme, que resolvi rever os outros dois e descobri-los de uma forma completamente diferente ;)

Ne-To disse...

Eu afirmo com toda a certeza que não é e não pode ser um filme para bola preta. Não é tão mau como dizem ou como querem que seja. Não é a queda de Shyamalan, é antes a ascensão de um autor.
Não sei se é o melhor mas isso não está em causa, vou rever para absorver.
Para mim este é daqueles filmes (e não sao muitos) que se estendem para além de uma sala de cinema.

Cumprimentos

wasted blues disse...

Knoxville - acho que deves mesmo ver o 'The Village' primeiro. Mas depressa, para não perderes este 'Lady in the water' no cinema ;)

Ne-To - quando comecei a dar-me conta do rol de críticas negativas lá por fora, assumi logo uma posição desconfiada. O 'The Village' também foi mal aceite e eu gosto imenso do filme. Ao ver o 'Lady in the Water' constatei que a minha desconfiança tinha razão de ser!

Francisco Mendes disse...

Apoio completamente a afirmação do Ne-To. Vou revisitá-lo mais umas vezes. Não apoio a afirmação «"The Village" é superior», pois o projecto de Shyamalan é concreto e apesar das ligações visíveis entre cada filme, cada um pode viver por si só.

Para já posso afirmar isto: Shyamalan volta a arrancar a dedicação completa do elenco, Howard volta a compor algo deslumbrante e Doyle confirma novamente ser porventura o melhor director de fotografia da actualidade. A imagem final do filme arrebatou-me por completo. Chorei bem cá dentro.

Adorei ver o facto do portento que é "The Village" ter ascendido a Obra-Prima, e recebido inúmeras teses ano e meio após o seu lançamento. Os filmes de Shyamalan leêm-se nas entrelinhas, têm múltiplas camadas. Preciso de revisitar "Lady in the Water", pois vi demasiados sinais espalhados pelo filme e não os consigo reagrupar de forma consistente... nem sei se alguma vez conseguirei. Mas a nível sentimental... fiquei deslumbrado.

Poesia Portuguesa disse...

Excelente esta tua forma de apresentares Cinema. Parabéns.

Um abraço ;)

wasted blues disse...

Francisco Mendes - também fiquei com essa necessidade de rever o filme. Há ali tanto pormenor, tanta camada, como dizes.

Quanto a "Não apoio a afirmação «"The Village" é superior», pois o projecto de Shyamalan é concreto e apesar das ligações visíveis entre cada filme, cada um pode viver por si só." - Naturalmente, mas se um filme mexe mais contigo é, aos teus olhos, superior.

Poesia Portuguesa - obrigado pelo elogio! Até corei ;)

Thanatos disse...

Rendo-me!

Vi-o em sessão de meia-noite (a melhor hora para Fantasia) e que dizer senão que me deslumbrei.

Perdoo-lhe tudo até mesmo o deslize do episódio enobrecido de Outer Limits que foi "A Vila".

wasted blues disse...

Ainda bem que te levei a vê-lo ;)

Hugo Alves disse...

Mais do que a Fantasia, o que impressiona nesta Senhora da Água é a utilização do espaço. Já há uns bons tempos que não via um cenário tão quente e, simultaneamente, tão frio como aquele complexo de apartamentos. Até já eu me rendi ao Shyamalan. Preciosismos destes, são mesmo de mestre.

Dora disse...

Quero ver, quero ver!

not_alone disse...

Já vi que sou a ovelha ranhosa cá do sítio, mas se todos podem dizer maravilhas eu tenho de vir fazer o contrário. Achei o filme péssimo. Detestável mesmo. Só não o considero o pior do ano porque este ano estreou uma outra "coisa" chamada Date Movie...

Fiquei estupefacto ao ver a excelência com que o filme tem sido tratado em Portugal (que parece ser a grande excepção à regra) quer na crítica (os senhores do público abriram os cordões à bolsa e ficaram loucos) quer por parte da blogosfera.

Eu cá fico no meu cantinho, a axar que passava bem sem ter visto o filme.