07 setembro 2006

Volver

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Raimunda e Sole são irmãs. Mãe e tia de Paula. Filhas de Irene... que tem uma irmã também chamada Paula, que é vizinha de Agustina. Mulheres... muitas mulheres. Ou não fosse Volver um filme de Pedro Almodóvar.

O cineasta espanhol parte desta vez rumo à terra que o viu nascer, La Mancha, onde os moinhos giram sem cansar. Desta vez são electrónicos, não os de Dom Quixote de Cervantes. Mas o vento, esse, é o mesmo. Um vento que dizem... provoca loucura. Pedro Almodóvar volta também às mulheres que lhe marcaram a infância, em particular a mãe, num filme que marca ainda outro regresso... Carmen Maura volta ao universo do realizador, 17 anos depois.

Em Volver, seguimos três gerações de mulheres da mesma família. Raimunda, interpretada por Penélope Cruz, vive em Madrid com o marido desempregado e a filha. Sole, a irmã, ganha a vida num salão de cabeleireiro improvisado dentro de casa. De vez em quando visitam a velha tia Paula que vive em La Mancha, de quem a vizinha Agustina vai tomando conta. Um dia-a-dia sem grandes sobressaltos, até que o fantasma da mãe regressa para resolver os problemas do passado.

Volver mistura o fantástico com a comédia e também o crime, num filme que é, nas palavras do cineasta, uma história onde se fala muito, se esconde muito, muito se ouve e, para uma comédia, também muito se chora. Um filme com um sentido de humor bem típico, embalado em nostalgia... ao som de Estrella Morente, com lábios e lágrimas de Penélope Cruz.

13 comentários:

Thanatos disse...

Só uma dúvida: os moinhos electrónicos... estás a referir-te aos geradores eólicos? (http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:E-66_Egeln_feb2005.jpg)

É que nunca ouvi serem tratados por essa designação!

De qualquer forma é mais um Almodóvar para ir ver. Pena desta vez não ter homossexuais e/ou transvestites. Adoro ver filmes nessa onda.

wasted blues disse...

Já leste Mia Couto? Uma das minhas coisas favoritas em Mia Couto são as palavras que ele inventa.

Isto para dizer que até pode não existir a designação, mas diz lá que não percebeste logo o que era ;)

wasted blues disse...

"Pena desta vez não ter homossexuais e/ou transvestites. Adoro ver filmes nessa onda."

Ai é? hum.... :P

De facto não tem, mas anda por lá uma prostituta muito engraçada ;)

Lua Obscura disse...

Grande Almodovar...

Hugo Alves disse...

Espero que mais este visionamento antecipado (sortuda! .-) ) não seja, por assim dizer, o último voo do flamingo. eheh

E sim, o Mia couto é fantástico. Quanto ao Almodóvar, é, como sempre, para ir a correr para a sala de cinema.

Dora disse...

De longe sonhar que o filme aterre por cá...
Vou vê-lo a Lx.
Entra a Chus Lampreave que eu adoro! Ehehehe

Dora disse...

3ª vou a Lx e aproveito e vejo!

wasted blues disse...

Fazes tu muito bem! :)

Hugo Alves disse...

Eis um blue aparentemente confuso:

- Volver é deliciosamente fascinante. Porque relembra mestres (alguns de forma mais do que explícita. Veja-se o Bellissima de Visconti na TV mesmo no fim...), seja porque relembra, ao de leve, o Almodóvar inicial, que se manifesta no regresso de Carmen Maura.

- Volver é, apesar disso, um ponto menor na obra do cineasta (em comparação com um Todo sobre mi madre, por exemplo). Senti a falta do enfant terrible de Mujeres al borde de un ataque de nervios ou de Ata-me!.

Mas gostei. Muito. Porque é uma elipse sublime, diabólica e contagiante. Porque tem muita emoção. Porque é Cinema e tem referências ao Cinema. Muitas.

wasted blues disse...

É uma delícia de filme. Concordo que não tem a força de 'Tudo Sobre a Minha Mãe' ou de um dos meus favoritos, 'Em Carne Viva', mas tomara muitos terem filmes "menores" desta qualidade :)

Hugo Alves disse...

Também gosto muito do "em carne viva". Convenhamos que o Almodóvar tinha mais piada quando era o enfant-terrible que fazia coisas como "ata-me!", "mulheres à beira de um ataque de nervos" ou "a lei do desejo"

Dora disse...

Eu então saí desiludida da sala de cinema. Apenas não conheço um filme do Almovar e adoro todos...este deixou-me com vontade demais.
Não gostei do humor, a hitória não me disse nada...
A coisa que mais gostei foi da querida Chus Lampreave...

pe disse...

eu gostei. está longe de ser dos melhores (dele), mas saí da sessão da meia-noite sem sono.
a vida de todos nós está cheia de "histórias" destas... e ele sempre pegou com mestria nas pontas, puxando-as. dá ênfase ao trivial que são as pessoas.