23 setembro 2006

R.

Deu a bofetada mais famosa do mundo do cinema. Foi tal a força, que partiu dois dentes ao actor com quem contracenava. Tinha nome de flor. Mas foi rebaptizada pelo grande senhor da Columbia, Harry Cohn. Diz a lenda que há uma bebida com o seu nome original. Era tímida. Excepto no grande ecrã. Filha de dançarinos, aprendeu a arte desde muito cedo. Parecia maleável quando se movimentava num ritmo perfeito. Aos 16 anos, dava os primeiros passos no cinema. Mas a grande oportunidade surgiria aos 20, pela mão de Howard Hawks. A confirmação e o sucesso só um pouco depois. Quando o seu nome ficou, para sempre, unido a uma personagem. Foi capa da revista Times cinco vezes. Teve o mesmo número de casamentos. Foi princesa antes de Grace Kelly. Era uma das pin-ups favoritas dos soldados da Segunda Guerra Mundial. Stephen King escolheu-a, entre outras, para esconder o segredo de Shawshank Redemption. Era uma sex symbol, mas o seu ar era doce. De grandes olhos. De grandes pestanas. Foi a primeira escolha para Casablanca. Era ela a inspiração de Joseph L. Mankievicz ao criar The Barefoot Contessa. Defendia que qualquer actor ou realizador precisava de um Óscar. Tom Waits refere o seu nome em Invitation to the Blues. Os White Stripes dedicaram-lhe uma música. James Elroy não a esquece em The Black Dahlia. Um dia, um repórter perguntou-lhe o que pensava quando se olhava no espelho de manhã. Respondeu que só acordava à tarde. Chocou o mundo quando transformou a sua imagem de marca. O cabelo ruivo e comprido virou curto e platinado. O que muitos não sabem é que a cor original era o preto.

12 comentários:

Thanatos disse...

Ai, Rita, Rita! Já disse que adoro ruivas? ;-)

E não quero saber se era morena!

wasted blues disse...

Claro, pequeno pormenor :P

H. disse...

Rita... conheci-a em Modelos, a dançar e a cantar. Só depois veio Gilda.
Permanece umas das actrizes dos clássicos que mais admiro. As selvagens sempre foram mais interessantes que os anjinhos :)

Hugo Alves disse...

A diva Rita Hayworth...

brunobd disse...

Estas letras são já um clássico deste blogue. Não todas as gerações tem direito a uma pin-up assim :)

Estou curioso para ler o "L" ;)

wasted blues disse...

Hum, há vários 'L' ;) A qual te referes tu?

brunobd disse...

Lauren Bacall. Para uma fã de Hawks e da personalidade das mulheres Hawkasianas, esta actriz tem muitas hipóteses de ganhar a corrida à letra L... acho eu :)

Claro que também seria interessante pensar, por exemplo, em Louise Brooks...

wasted blues disse...

Ui, a memória é muito subjectiva... imagina tu qual foi a primeira actriz em que pensei - Lana Turner ;)

pimpinela disse...

coincidências ou talvez não ,)

wasted blues disse...

Casos e acasos :)

Turat Bartoli disse...

Bellissima Rita! Confesso é que não me importava nada de encontrar aqui um dia tais fascinantes particularidades em forma de puzzle enigmático a homenagear a minha cara Maureen O'Hara:) Sem qualquer pressão, este é apenas um saudável desabafo a demonstrar o fascínio que tenho pela senhora, devendo-se intensamente a "Jamaica Inn". E já agora, como me lembrei do teu anterior post sobre a melhor morte hitchcockiana, aponto eu para a derradeira que ocorre no filme referido("Make way for Pengallan!":). Lembro-me ainda de outra muito impressionante na sua fase britânica(que, sei k isto é talvez único, não escondo preferir à americana, ai aquele "Number Seventeen"!!). Ocorre no "Murder" e é o auto-enforcamento no circo.

E onde isto já foi dar:) Ai Rita, Rita...

wasted blues disse...

Como já o disse, Hitchcock tem várias mortes fascinantes. Mas em termos de planos, a do 'Topaz' é uma masterpiece!

Quanto ao teu M. obrigado pela sugestão! Como bem sabes, o filão é bem grande. Além disso, não tenho nenhum texto previamente escrito ou programado. Por isso, quem sabe... ;)