28 agosto 2006

A.

Tinha aura de autêntica senhora. Tal o requinte, tal a classe. De delicadeza de gestos finos. De quem nunca faz um gesto a mais. Ou a menos. De quem sabe precisamente o espaço que ocupa. E era tão pouco e tanto. Estreou-se como princesa rebelde. Monarca jovem que fugia, cortava o cabelo e vestia pijama de homem. Tinha de facto sangue azul. Um dia quis ser bailarina. Baptizou, sem querer, um modelo de sapatos. Todos se recordam dos parabéns a JFK cantados por Marilyn. Os dela, um ano depois, não mereceram tanta posterioridade. Sentada numa escada exterior tornou uma melodia imortal. Uma canção escrita de propósito para ela. Existe uma espécie de tulipa com o seu nome. Quando aceitou o primeiro Óscar estava muito nervosa. Depois de ter a estatueta nas mãos, beijou na boca o presidente da Academia. Falava cinco línguas. Quase foi Cleópatra. Tinha um terrier chamado Mr. Famous. Confessou um dia que nunca pensou acabar no cinema com uma cara como a sua. Foi embaixadora das Nações Unidas. Givenchy criou um perfume que só podia ser utilizado por ela. Assim foi, durante muitos anos. Maria Callas adoptou o seu estilo nos anos 50. Prometeu a si própria que nunca passaria dos 47 kg. Excepto quando ficou grávida, cumpriu essa promessa. Orson Welles chamava-lhe a santa padroeira das anóréxicas. Sabia ler braille. O branco era a sua cor preferida. Podia ter sido Melanie, em The Birds. Também podia ter sido Maria, em West Side Story. O seu poema favorito era "Unending Love", de Rabindranath Tagore. No seu último filme foi um anjo.

4 comentários:

Hugo Alves disse...

Haverá quem não se lembra dela em "Breakfast at Tiffany's" ou em "Sabrina"? Ela entrava em cena e tudo o resto parava...

Audrey Hepburn, claro está!

Wasted, com posts destes só pergunta quando teremos direito a livro :-)

R. disse...

Audrey... Audrey... Everybody loves Audrey.

wasted blues disse...

Um livro de A a Z, Hugo? ;)

Cataclismo Cerebral disse...

Um autêntico anjo que nos honrou na Terra! Dona de uma elegância natural, de uma beleza clássica e irradiante, possuía ainda uma inteligência e sensibilidade raras. Ironicamente, o seu último desempenho foi precisamente o de um anjo, Hap, no filme Always (1989). Inesquecíve senhora!!!