24 junho 2006

As fotos do cinema

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O cinema tornou-se, a partir dos anos vinte, um dos meios mais poderosos da cultura de massas. No cinema todos eram iguais, sem classes sociais que os distinguissem, todos rendidos à magia do ecrã. Deste modo, o cinema contribuiu para uma forte mudança nas normas sociais, alterando comportamentos individuais e da própria sociedade.

Nos anos vinte, Hollywood tornou-se o maior centro de produção de filmes e de ilusões. Todo o tipo de filmes que ali eram produzidos, desde os romances aos westerns, baseavam-se nos mesmos ingredientes: histórias com moral, finais felizes que fizessem o público esquecer os problemas e personagens marcantes.

Os actores e as actrizes tornaram-se, para o público, novos mitos do nosso tempo. No entanto, estes mitos estavam sob o controlo de uma poderosa indústria. Hollywood criava artificialmente um tipo de actor ou actriz que encarnasse, aos olhos do público, um modelo de beleza, bom carácter, riqueza e felicidade - star-system. O imaginário das estrelas de cinema fascinava o grande público e para manter esse fascínio, Hollywood controlava não só o seu guarda-roupa ou penteado, como também a sua vida privada. As estrelas que encarnavam seres perto da perfeição no ecrã tinham de ser também perfeitas fora dele. No entanto, as estrelas eram também seres humanos que, sujeitos a fortes pressões, acabaram por ceder ao álcool e à droga.

Hoje em dia, as reportagens dos bastidores do cinema são comuns. Os filmes, os actores e os realizadores são nos dados a conhecer através dos meios de comunicação social e são muitas as publicações especializadas sobre a sétima arte. Apesar de durante décadas se seguir com atenção o universo do cinema, a reportagem de cinema nasceu com a Magnum nos anos 50.

Em 1953, teve início a ligação entre a agência fotográfica Magnum e o universo do cinema. Nesta altura, a Magnum atravessava uma crise financeira e esta ligação significava contratos muito bem remunerados. Além disso, a reportagem de cinema combinava com a filosofia de independência criativa que a agência defendia. A Magnum entendia a fotografia como uma forma de arte, e a sua ligação com o cinema é um reforço desta ideia. Por este motivo, os fotógrafos desta agência fotográfica desde logo se distinguiram dos fotógrafos dos estúdios de cinema.

Os próprios produtores viam nestes contratos com a Magnum uma forma de fazer publicidade, pois normalmente com a Magnum existia a garantia da publicação das fotografias em publicações de prestígio como a revista norte-americana Life.

A ligação entre a Magnum e o cinema ultrapassou também as questões profissionais. Muitos dos fotógrafos da agência desenvolveram amizades e relações próximas e pessoais com as pessoas que eram objecto do seu trabalho. Existem vários exemplos dessa empatia, como Robert Capa com Ingrid Bergman e John Huston; Eve Arnold com Marilyn Monroe ou Dennis Stock com James Dean.

Um dos maiores trabalhos que a Magnum exerceu no âmbito da reportagem de cinema foi o acompanhamento que nove dos seus mais prestigiados fotógrafos empreenderam na rodagem do mítico filme Os Inadaptados, do realizador John Huston. Foi no ano de 1960, e foi a primeira vez que uma agência fotográfica era autorizada a seguir em exclusivo a rodagem de um grande filme.

As fotos da Magnum deram-nos a conhecer o outro lado das câmaras, dos filmes. Pela mão dos fotógrafos da Magnum pudemos ficar a conhecer outras facetas das estrelas de cinema, dos realizadores e dos bastidores. O cinema continua a fascinar milhões e muitas fotografias são tiradas para satisfazer a curiosidade do público. No entanto, poucas têm a magia das fotografias da Magnum... será que as estrelas já não são o mesmo?

2 comentários:

Hugo Alves disse...

Se calhar as estrelas já não são o mesmo.

Adoro essa série de fotografias da Magnum (a de The Misfits). Todavia, a minha foto Magnum preferida é aquela em que temos Truffaut e Jean-Pierre Léaud rindo lado a lado. É incrível como o fotógrafo captou a empatia entre ambos, o realizador que queria ser menino e o menino que queria fazer cinema...tal como é incrível a grande parecença física de ambos que vem ao de cima na forografia. Fantástico! :)

wasted blues disse...

É mesmo uma grande fotografia, tal como esta da Audrey, o paul newman com os pés em cima da cadeira no Actor's studio, Welles em luz e fumo ou James Dean cheio de estilo pelas ruas... mas The Misfits tem um lugar de estimação no meu coração e já escrevi sobre isso logo no início deste blog... Se vires o texto, depois diz qualquer coisa ;)