Nome de referência da literatura do século 20, Truman Capote é o autor de Breakfast at Tiffany’s, The Grass Harp e In Cold Blood. O primeiro filme de Bennett Miller centra-se justamente no período que o escritor dedicou à pesquisa e criação de In Cold Blood, ou A Sangue Frio no título português, considerada a obra-prima de Capote.
O livro é o resultado da investigação do escritor, de 1959 a 1966, de um crime que chocou a América. No Kansas, dois homens assaltaram e mataram uma família. O saldo desse roubo seria de 40 dólares. Capote lê a notícia e resolve ir para o Kansas, como repórter do New Yorker, acompanhado por Harper Lee, escritora e sua amiga de infância. Uma viagem que, no início, causa alguma hostilidade, por parte da população, devido à figura do escritor... de voz fina, maneirismos e roupa exuberante.
Capote começa a visitar regularmente os dois assassinos na prisão e afeiçoa-se a um deles... Perry Smith. À medida que se envolve com a história, Truman Capote transforma o que seria um artigo num livro que o próprio escritor previa que podia alterar a história da literatura mundial. Capote acreditava, que nas mãos certas, uma história real podia ser contada como ficção. E, com In Cold Blood inicia um género que o próprio chamou de non-fiction novel, ou seja, romance-documento. Um livro que além de reconstruir os acontecimentos tal como aconteceram, se tornou um estudo e um documento sobre os Estados Unidos dos anos 60.
O filme deixa-nos divididos - nunca sentimos uma real afeição pela sua "personagem" principal, uma pessoa narcisista e com valores algo deturpados, mas também não conseguimos deixar de gostar daquele génio da literatura, que age como uma grande criança mimada, que gosta de ter tudo à sua maneira. É um filme quase metódico, de tons cinzentos e neutros, que concentra toda a sua atenção, de forma propositada ou não, na grande interpretação de Phillip Seymor Hoffman. Só quem andava distraído é que ainda não tinha reparado neste grande actor, quase sempre relegado para personagens secundárias... mas marcantes.
13 abril 2006
Capote
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1 comentário:
É um filme interessante, mas sobrevalorizado, que peca por ser demasiado "metódico", "neutro" e "cinzento". Vale pelo actor, essencialmente.
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