Edward R. Murrow: And whose fault is that? Not really his. He didn't create this situation of fear he merely exploited it, and rather successfully. Cassius was right. "The fault, dear Brutus, is not in our stars, but in ourselves."
Era a frase final que marcava o programa de Edward Murrow, na cadeia de televisão CBS, um ícone do jornalismo dos anos 50. Na América viviam-se anos conturbados, numa época marcada pelo medo da "caça às bruxas" do Senador McCarthy e da Comissão do Senado das actividades Anti-Americanas.
O segundo filme realizado por George Clooney conta a história do "duelo" entre Murrow e McCarthy, que começa quando o célebre pivot resolve investigar o caso de um piloto da Força Aérea Americana que foi dispensado do serviço e acusado de ser comunista. A equipa de Murrow, num clima de medo e represálias, em que os próprios analisam os seus passados, em busca de qualquer episódio que os possa tornar alvo de McCarthy, lança um programa sobre o caso do piloto.
A resposta do Senador McCarthy não demora. Acusa Murrow de ser comunista, o que leva a equipa da CBS a lançar um novo programa... desta vez sobre o próprio senador. Para isso, opta por recorrer a múltiplas gravações do Senador, com discursos e interrogatórios, utilizando, dessa forma, as suas próprias palavras. É traçado um retrato de McCarthy que pode ter significado o primeiro passo na queda do Senador. Não só pelo que foi mostrado, mas principalmente pela forma como McCarthy reagiu, no próprio espaço de antena da CBS.
O Senador é então chamado a responder perante o Senado. Perde o poder e toda a estratégia que utilizava para manter o clima de medo e desconfiança, é desmascarada. Apesar da queda de McCarthy, Murrow e a sua equipa não escaparam ilesos. O programa foi tranferido para um horário menos nobre, mas o legado mantém-se como exemplo de jornalismo televisivo de qualidade, que ousou esquecer patrocinadores, patrões e, principalmente, o próprio poder instituído.
George Clooney filma com classe e rigor um pedaço de história norte-americana. Sob um fabuloso black and white, o filme transporta-nos para os anos 50 ao som de Dianne Reeves, sem nunca perder o seu rumo. Não há nada a mais neste filme. Good night, and good luck.

5 comentários:
Este é daqueles que está na minha lista para ver com uma bala!
P.S.: para quem não apanhou a da bala é uma aliteração duma expressão inglesa que significa que está com tendência a subir. ;)
E vale mesmo a pena!
Este filme e Truman Capote estão na minha 'mira'...
olá wasted blues! confesso q achei o filme bastante desinteressante...
Eu li a tua crítica e reparei logo num aspecto que diferencia as nossas opiniões: eu digo que nada está a mais, tu achas que falta a componente dramática. Eu considero que ela está lá, de forma subtil, sem se sobrepôr ao que Clooney nos quer contar.
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