Revi este fim-de-semana Minority Report, de Steven Spielberg. É a maravilha do DVD em pleno, que nos permite ver cinema em casa e ir até um pouco mais além, quando as edições estão recheadas de extras (como é o caso).
Can you see?
2054. Washington D. C. Um casal toma o pequeno almoço e o marido sai de casa para o emprego. Passados alguns momentos volta e sobe ao quarto. De repente, Tom Cruise entra pela janela, prende-o e acusa-o de matar a sua esposa. Mas ela está ali...viva!
Esta é a sociedade do futuro, em que os crimes podem ser evitados antes de ocorrerem. Agora já ninguém premedita um crime, pois será preso antes de o cometer. Os únicos crimes difíceis de premeditar são os espontâneos, como os crimes passionais.
Minority Report é um futuro reflexo da capacidade inventiva do Homem. Por um lado, os carros que deslizam em auto-estradas verticais, a leitura óptica que substituiu o Bilhete de Identidade, a publicidade personalizada, os acessórios de designs incríveis. Por outro lado, a ânsia de atingir a perfeição que levou à criação de uma divisão designada por pré-crime. Esta divisão policial actua a partir da antevisão de crimes que ainda não ocorreram. As antevisões são fruto da capacidade de três seres, os pre-cogs.
John Anderton (Tom Cruise) é o chefe desta divisão em Washington D. C. numa altura em que se vai votar a nacionalização do sistema. Aparentemente não existem falhas, mas poderá haver sistemas perfeitos que têm dedo humano?
A personagem de Tom Cruise acredita na perfeição do sistema até ao dia em que ele próprio é indicado como assassino. A partir daqui, John Anderton vai fazer tudo para provar a sua inocência e evitar que esse crime ocorra. No entanto, o dilema é claro: se ele acredita no sistema, deve manter essa fé e conformar-se ou deve duvidar do sistema e mudar o seu futuro?
Minority Report é baseado num conto de 30 páginas de Philip K. Dick, publicado em 1956. Deste escritor já tinham sido adaptados para o cinema Do Androids Dream of Electric Sheep?, que deu origem a Blade Runner (Ridley Scott, 1982) e We Can Remember It for you Wholesale, que Paul Verhoeven levou ao cinema sob o título Desafio Total (1990).
De um pequeno conto Steven Spielberg conseguiu fazer um grande filme, ao qual se referiu como "uma versão muito negra de Intriga Internacional", onde são conciliados o género policial das décadas de 40 e 50 com a ficção científica. Não só são os efeitos especiais ou o rigor e beleza estéticos, é toda uma envolvência com um mundo futurista em que as categorias do espaço e do tempo são tanto virtuais como reais.


3 comentários:
Grande filme! Já leste o livro? É que é um pouco diferente! Que outros filmes gostas do master Spielberg?
Li o livro logo a seguir a ter visto o filme no cinema. Gostei tanto do filme que quis ler o livro, até porque já tinha lido o Blade Runner do mesmo autor, mas este conto não conhecia.
Do Spielberg... hum... gosto de muita coisa. Gosto bastante do A.I., Lista de Schindler, Tubarão, Indiana Jones, e muitos outros.
Este filme é bastante dominado pelos olhos. Temos as «visões» dos precogs, os olhos electrónicos que flasham os transeuntes, os olhos clinicamente transplantados, e claro a frase emblemática: "Can you see?"
Um dos melhores filmes baseados em obras de Philip K. Dick e de longe uma das mais inteligentes e sensuais (a nível de estética e design) propostas de cinema dentro do género Sci-fi. Spielberg mostra que nem só de rodriguinhos visuais vive o cinema deste género e que é sempre necessário uma alma (ou como quem diz, uma história) para que os filmes sobrevivam à mera condição de produto de evasão com data de obsolescência.
E como todos nós sabemos, Spielberg é mestre em contar histórias...
Enviar um comentário