Tudo indica que este pode ser o ano da consagração de Martin Scorsese. No entanto, se ele realmente ganhar, vai ser mais um disfarçar do embaraço de nunca terem dado uma estatueta a este grande cineasta do que pelo filme em si. Scorsese já mereceu mais o oscar, por várias vezes, do que pelo The Aviator.
The Aviator é um épico biográfico que retrata a vida do magnata Howard Hughes, um milionário excêntrico, apaixonado por aviões, cinema e belas mulheres. O filme acompanha a vida de Hughes dos final dos anos 20 aos anos 40, altura em que desenhou e construiu aviões, produziu e realizou filmes, bateu recordes, se relacionou com actrizes míticas, como Ava Gardner e Katherine Hepburn.
Scorsese reconta esta vida cheia de extravagâncias e paixão, num filme que, apesar de tudo, não me cativou. O Gangs de Nova Iorque, para pegar num filme recente do realizador, pode não ser perfeito, mas transpira sentimentos. Este The Aviator é um filme "frio". É a biografia de um homem apaixonado e extravagante, mas é também a história de um homem cheio de fobias e um comportamento obsessivo, só que o filme acaba e eu fiquei com a sensação de que aquela personagem nunca me cativou realmente. Pode ser uma personagem difícil, é um facto, mas com uma vida tão rica e intensa, não sei o que faltou.
No entanto, não estranho os prémios e nomeações que o filme tem recebido. O filme tem todas as características de um clássico por ser uma história repleta de mitologia americana. Leonardo di Caprio cumpre, mas talvez seja por causa dele que a personagem não me cativou. O meu destaque vai para a fabulosa interpretação de Cate Blanchet. É incrível a "sua" Katherine Hepburn - todos os maneirismos, expressão corporal e forma de falar estão lá, mas sem se tornar uma caricatura. Uma pessoa fecha os olhos e parece que está a ouvir a Katherine Hepburn original.
03 fevereiro 2005
Only Angels Have Wings
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2 comentários:
Reparei que nunca fazes referencia ao Alan Alda. Ele nunca foi um actor que eu realmente apreciasse mas acho que faz um excelente trabalho neste The Aviator. Aposto nele para o Óscar do melhor acto secundário (salvaguardando no entanto o facto de haver filmes que ainda não vi).
Das interpretações nomeadas para um Oscar de Melhor Actor Secundário prefiro Clive Owen, em "Closer".
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